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O declínio da civilização do centro-oeste (Emotional hardcore)


Qual é? Aqui estou eu mais uma vez neste site bolado da popfuzz para falar sobre um estilo do rock, mais especificamente do punk rock, mais especificamente do hardcore, mais especificamente do estilo mais cheio de preconceitos, picuinhas, complexos, pecados e contagiante também, por que não (ora bosta), o Emo (ai!).

Então antes de colocar pra fora o que este admirador leu e escutou sobre este flamigerado gênero do rock, vamos a nossa parte: o emo e eu (ui!)

  Em círculos

 Rodolfo Lima, 14 anos, estava eu ensaiando com a minha primeira banda de rock no começo do ano de 2001, minha amada "hostages of the milkway" a.k.a "spring dinosaurs" a.k.a *dad fucked and the mad skunks a.k.a *super amarelo, com meu broder, brodão do rock Gabriel Duarte (indiano safado) e o Gregory Arthur (maloqueiro). Enfim estava eu saindo do ensaio com minha turma do barulho quando me deparo com um cartaz de um show que ia acontecer naquela semana na nossa ensolarada Maceió, se não me engano as bandas eram: "Capslock" (hc melódico), "sleep out" (hc melódico) e "Wacky kids "(emocore). Emocore? O que porra é emocore? Enfim se emocore era wacky kids, legal, pois eu gostava do "wacky kids" assim como do Rivets, que se tornou depois. Os tempos passaram estava eu lendo uma showbizz velha de 90 e alguma coisa que comprei no alfarrábio (eu adorava comprar tudo que era usado, menos revista de putaria com pagina colada e essas parada bad vibe) estava eu folheando quando me deparo com uma matéria sobre o Sunny Day Real Estate, opa que legal, eu tinha um clipzinho deles gravado em vhs dos lado b’s e gostava muito da música. Daí me surge na matéria à palavra emocore. Emocore? De novo? Mas como cargas d’água? O que é que Sunny Day Real Estate tem a ver com a carioca Wacky kids? Mal sabia eu. Entrei em contato com uma banda chamada Dance Of Days. Pô, legal. Gostei. Comprei o cd. – “Essa banda é de emocore”, alguém falou. Rapaz as letras são bem poéticas, emotivas, emocore é isso mesmo.

Um ano depois, Blink 182 é emo (òòòòòò), MxPx é emo, No use for a name é emo. Oxe? Quer dizer que pop punk e hardcore melódico mudou de nome? Que frescura é essa? Porra!

Ai chegou uma tal de rufio que influenciava agora a galera toda. Aê, esse rufio é uma merda. Gosto não de emo. Pronto!

Com a chegada do maravilhoso mundo da internet na minha casa (atrasadíssimo) e com conversas com broders do hardcore que tavam por dentro já do estilo, eu resolvi ir atrás, porque afinal, se já havia visto o termo associado ao At The Drive-In, Trail of Dead e até o Fugazi. Porra, tô vacilando. Vale frisar que o mundo estava sendo dominado por franjas gigantes, maquiagens, um bolo de banda inspirada na parte mais pop do Cpm 22 e em Maceió era tipo a volta dos góticos do P7 com franja e roupa colorida. Mas ai eu descubro um mundo novo, várias bandas que tocam um hardcore cheio de quebradas, letras bonitas, vocal gritado e tudo underground pra caralho. Ai, eu um cara sensível, cheio de frustrações guardadas soltava a franga quando escutava essas bandas. Então vamo aê broderhood:

  

Novo amanhecer e “Proto–Emo”:

 Os punks influentes de Minnesota, Husker du

Os punks influentes de Minnesota, Husker du

Esssa é uma pequena introdução sobre o que em teoria influenciou o gênero musical digno de preconceito e tema desse artigo. Lá de Minnesota nos E.U.A vinham três caras que resolveram desacelerar e deixar menos político o seu hardcore, tratava-se do Husker Du. A banda possuía uma guitarra melódica, linhas de baixo bonitas e um vocal rasgado desesperado de seu vocalista e guitarrista, Bob Mould. Dois discos do grupo capturaram bem essa essência, Zen Arcade de 1984 e New Day rising de 1985. O grupo com músicas como: Broken home, broken heart; 59 times the pain; Never talking to you again; Masochism world caracterizavam bem a futura influência. Outra banda, dessa vez, vindo da Califórnia, o seminal grupo de punk rock americano, Descendents. Eles já adotavam o estilo “nerd” e suas letras sobre garotos desengonçados, amor, rejeição junto ao culto da não vontade de ser adulto, além de músicas mais elaboradas e quebradas que seriam de muita ajuda futura. Descendents parceiros e protegidos de uma banda peso pesado do punk rock americano dos anos 80, mesmo não sendo tão hardcore, o Minutemen mostrou aos punks que o punk rock podia ser bem tocado e misturado com jazz, country e o que desse na telha, emprestando a idéia do descompasso de suas músicas para todo o movimento que estava prestes a aparecer, mesmo tendo pouquissimas características sonoras do que viria a se tornar o emo.    

 

Dança dos dias e o verão da revolução:

Capa do primeiro e único disco do Embrace

 Capa do primeiro e único disco do Embrace

O gênero musical Emocore (Emotional Hardcore) surgiu no meio dos anos 80 em Washingtong D.C nos Estados Unidos, através de uma banda chamada Rites of Spring. O grupo era liderado por um menino posteriormente nada influente chamado Guy Piccioto, que tinha como colega baterista na bendita banda outro rapaz chamado Brendan Canty. Os dois rapazes cansados da agressividade do hardcore da época, das limitações e da obrigatoriedade dos assuntos políticos, pelo menos na capital do país, resolveram desacelerar o som, colocar mais guitarras melódicas, mais mudanças de ritmos e ter a liberdade de poder falar sobre suas incomodações internas, suas emoções guardadas de uma forma mais poética mesmo. O Rites of Spring, claro, esbarrou em um rapaz “fraco” e não influente do hardcore, que por sinal era quase um ídolo de Guy Piccioto. Estamos falando do rei do hardcore, Ian Mckaye. Ao ver apresentações da banda, shows catárdicos, cheios de energia, berros desesperados, emoções a flor da pele, Ian Mckaye se encantou pela banda, se ofereceu para produzir e os chamou para gravar o seu primeiro disco pelo seu selo Dischord Records. A influência da banda foi tanta no rei Mckaye que no mesmo ano em 85, ele formou a sua própria banda emo, o Embrace (vale frisar que o embrace foi a primeira a banda a ser referida como emotional hardcore pela imprensa). Esse verão de 85 teve seu nome batizado de Revolution Summer. Várias bandas seguiram essa nova linha do hardcore como: Dag nasty, Gray matter, Beefeater, Soulside e Fire Party (Essa última composta apenas por mulheres). Apesar do movimento ter sido tão influente, muitas dessas bandas já haviam acabado em 86, o Embrace acabou, o Gray matter também, o Rites of Spring se transformou no One Last Wish e logo após Guy Piccioto e Brendan Canty se uniram a Mckaye para formar a “besterinha” Fugazi. Mas o Revolution Summer havia plantado suas sementes, bandas como Nation of Ulysses que seguiu muito dos passos dos seus antecessores, mas ainda com um lado político muito presente. Essas sementes também atravessaram as fronteiras da capital americana pra dar frutos em outra freguesia.

 

Ainda há vida:

Still Life em ação

 Still Life em ação

No final dos anos 80 e começo dos 90, a segunda onda emo era formada pelas bandas influenciadas pelo Revolution Summer e também especificamente pela “besteirinha” já citada chamada Fugazi. O movimento atingiu outros Estados americanos como Maryland, onde surgiam grupos como: Moss Icon, The Hated, Lungfish; e a Califórnia do: Still Life, Indian Summer, Drive Like Jehu, Fuel *(Menção honrosa para Mike Heinrsh). Além do Policy of 3 e um representante do berço (D.C.), o Hoover. Essa segunda onda se caracterizava agora por músicas com mais variações de tempo e de bandas como o Still Life que possuíam canções onde se construía um clima mais leve até chegar à catarse dos finais.

 

Tudo é como círculos e o nascimento do Screamo

 

Swing kids em uma de suas caoticas apresentações nos anos 90

 Swing kids em uma de suas caoticas apresentações nos anos 90

A Califórnia do começo dos anos 90 tinha mais uma fase ou onda para acrescentar ao estilo, agora bandas como: Honeywell, Heroin, Swing Kids, Antioch Arrow, Universal Order Of Armageddon. Além do hardcore de tempos quebrados, adicionaram a agressividade máxima as suas músicas, flertando com o noise, através de vocais exclusivamente gritados. A grande maioria dos grupos eram straight edge e vegetarianos. Era o nascimento do Screamo. O estilo desenvolvido na Califórnia venceu as barreiras e alcançou seguidores no Canadá como era o caso da obscura One Eyed God Prophecy, com todo o peso e agressividade mesclada ao metal e umas “parada” dark na real (rimou); e o Union of Uranus que possuía o mesmo estilo sem tanto a veia dark. Da metade pro final dos anos 90 o “screamo” continuou a agregar bandas como é o caso de: Saetia, Orchid, Circle Takes The Square, Hot Cross que mantiveram a chama acesa.

 

Nada parece bom

 Os reinventores do Sunny day real estate

Os reinventores do Sunny day real estate

Foi na metade dos anos 90 que o estilo experimentou mutações, uma nova safra de bandas começaram a mesclar o emocore com o rock alternativo e até música mais pop da época, um grupo da já quase acabada cena de Seattle, foi uma das primeiras bandas a experimentarem a união do emo com estilos como o indie rock, tratava-se do Sunny day real estate. O primeiro disco da banda “Diary” lançado em 94 pegou *bigu com o que rolava da cena de sua cidade sendo lançado pelo selo Sub Pop e alcançando “popularidade”. Agora o gênero se tornava mais conhecido nos E.U.A e no resto do mundo.  

De San Francisco o Jawbreaker trazia uma mistura com o pop punk e a banda foi responsável por influenciar grande parte das bandas que viriam no final dos anos 90’s começo dos 2000’s. Seu vocalista Blake Swarzenbach se tornou uma especie de herói do estilo. Na época existiam bandas como Texas is the reason, Sense Field, Samiam que também compartilhavam do pequeno sucesso alcançado pelo emo. Duas queridas e seminares para o estilo faziam história no underground vindo a se tornar icones do movimento. Em Chicago o Cap and Jazz com seus integrantes com faixa etária de no máximo 20 anos destruaiam tudo com sua mistura de emo, indie rock, pop punk e ritmos inusitados como bluegrass. Gravação Lo-fi, vocal engrolado e vamos dizer “desleixado” além do nome de seu único disco um tanto dificil “   Burritos, Inspiration Point, Fork Balloon Sports, Cards in the Spokes, Automatic Biographies, Kites, Kung Fu, Trophies, Banana Peels We've Slipped on and Egg Shells We've Tippy Toed Over”. O Cap and Jazz era uma banda atipica e possuia três heróis do movimento, Mike Kinsella, Tim Kinsella e Davey Von Bohlen. Os irmãos Kinsellas enveredaram pelo caminho mais experimental mas com muitos resquicios emo com as bandas: Joan of Arc e American football. Já Davey von Bohlen formou o Promisse Ring cujo o sub-título desse paragrafo foi batizado em homenagem ao primeiro disco da banda “nothing feels good” (como ficaria uma tradução dessa frase?).  

 

No Texas outra banda fazia história no estilo, o Mineral. A banda trazia como front man o então ainda não icone Cris Simpson. O quarteto usava guitarras gritantes e se assemelhavam com o emo do sunny day real estate. A voz melancolica de Simpson junto as suas letras poeticas e espirituais influenciaram inúmeras bandas que viriam depois. Com término da banda, Simpson montou o Gloria Record que seguiu passoas parecidos ao do Mineral mas um pouco mais pop.

 

 Alguma coisa sobre o que escrever pra casa

Garotos desajeitados do The Promise ring

Garotos desajeitados do The Promise ring

No final dos anos 90 o emo estava em todos os lugares da terra da liberdade e da obesidade, o meio-oeste americano tinha inúmeras bandas, nessa mesma época o estilo foi criando seus esteriotipos (esteriotipos diferentes do que vocês pensaram) óculos de grau aro grosso, extremamente sensivel e literario e, querendo ou não, letras um tanto degradativa às mulheres, no sentido que devido a grande maioria de bandas masculinas e a maior quantidade das músicas sendo sobre algum garoto maltratado por uma garota (saca?). O estilo só crescia com bandas como: Promise Ring, Braid, The Get Up Kids, Jimmy eat world, Christie Front Drive, Lifetime.

A influência mais hardcore continuava em bandas como Hot water music, Small Brown Bike, Dillinger Four. O lançamento de uma série de compilações denominada emo diaries pelo selo Deep Elm Records espalhava o som produzido pelas bandas e anualmente passavam pelas coletâneas: Samiam, The Movielife, Jimmy eat world, Apleseed Cast, Further Seems Forever. E cada vez mais o estilo ia ganhando fãs até que o inevitavel aconteceu. O selo vagrant records, um dos responsáveis pela popularização do estilo lançando inúmeros grupos como: Alkaline Trio, Hey Mercedes, Reggie and The Full Effect, Saves The Day e etc.

 

Minhas esperanças são tão altas que seu beijo pode me matar

  Finch

 Finch

No começo dos anos 2000 o bastante emergente gênero conseguiu estourar graças a alguns personagens: Jimmy eat World com seu disco Bleeding America; Dashboard Confessional com o albúm The Places you have come to fear the most e a febre que se deu em torno da banda, que chegou a gravar um acústico na Mtv americana e a possuir uma penca de fãs histéricas. Bandas como Saves the day, Finch e até mais antigas como o Thursday iam bem. Os grandes personagens desse estouro e a adoção da viadagem com Fall Out Boy, My Chemical Romance, The Used (eu gosto de the used hahahaha). Calças apertadas, maquiagem, androginia pura (hahahahaha), franjas gigantes e sei lá, ridicularidade mesmo.

 

Uma tesoura armada e o folk encontra o emo

 O imbativel At the drive - in

O imbativel At the drive-in

Ao mesmo tempo bandas com influencia do chamado real emo atingiam também o grande público. De El Paso, Texas, o avassalador At The Drive-In deixava seu legado por onde passava, criando sua futura lenda misturando Post hardcore, indie rock, soul. Também do Texas os locões do And You Will Know Us By The Trail Of Dead atingiam o mercado com seus resquicios do emo. De Omaha, Nebraska as influências do estilo encontravam o folk, o indie rock com a maturidade da dor das letras do Cursive. E o encontro perfeito entre a folk music, o country, com a tristeza das poesias e confissões, dos gritos do Bright Eyes. Liderado por um rapaz chamado Conor Oberst, os seus primeiros três discos se encaixam nessa loucura. Chegando até a formar uma banda em honra ao estilo denominada Desaparecidos. 

 

Emo no Brasil e a história que não tem fim

 Paulistas do Dance of days

Paulistas do Dance of days

Gosto de pensar em apenas algumas bandas quando falamos emo no Brasil. Primeiro porque nunca me aprofundei e deve ter muita coisa espalhada por ai que exigiria um trabalho de pesquisa mais bem elaborado e por sinal divertido de fazer.  

 Então:

De São Paulo no final dos anos 90 surge uma banda chamada Dance Of Days que trazia já em seu nome o título de uma música de um dos percussores, o Embrace. Dividiam a mesma ideologia com uma banda de país vizinho, o singular, impecável, os argentinos do Fun People (Um artiguinho sobre Fun People, Boom Boom Kid e Nekro vem por ai). Mas que trazia em suas músicas todo o lirismo e poesia que caracterizou o estilo. Partindo para o lado pesado do emo, ou o screamo, temos de Minas Gerais uma banda que lançou seu único registro ainda no final dos anos 1990, e pra mim o primeiro disco do gênero no Brasil, o fantástico Saddest Day, apesar dos caras serem totalmente contra serem chamados de emo. Venho aqui desde já pedir desculpas pelas nomenclaturas, mas neste artigo tenho minha liberdade de expressão e tudo isso escrito se baseia em impressões minhas como mero fã e admirador das bandas (então relaxe ae broders desde já). No Rio de Janeiro surgia a banda que influenciaria todos os mainstreams que vieram depois, o grande Noção de Nada, seminal banda do hardcore brasileiro. E pra fechar, a minha queridinha, a banda que pegou o Cap and Jazz, o Jawbreaker e misturou samba, indie rock, skate punk e tudo a parada para formar o sublime: Polara. Banda paulista de caracteristas emo e muito mais que isso (claro que será elaborado um artigo só sobre eles, mas no futuro com, se der tudo certo, vários depoimentos dos mesmos).

 

 Pergunta que não quer calar

 

Dedico esse espaço do artigo para colocar que tudo vem de algum lugar.

Porque a pederastia se instalou no emo, Rodolfo?

 Sagazes, idéia errada, vibe errada. O emo é melancolico e claro um pouco pessimista, bandas post-punk como The Cure, Bauhaus foram referencias para o estilo (cuidado). Por ser uma vertente do Punk rock também tinham a favor o Misfits (mais preto e maquiagem). Ai que alguém teve uma idéia (plin): Vamos usar maquiagem, vai dar uma estética maior e isso chama atenção.

Segunda idéia de girico: Precisamos de um corte de cabelo, afinal todo movimento precisa de um. Que tal franjas, é legal não agride o cabelo e é esteticamente bonito e descolado – Claro e quem tiver cabelo *pichau usa as maravilhas da escovinha, todo mundo de cabelo liso (mais artificial impossivel)

Sem querer querendo os meninos do Cap And Jazz lá em Chicago em 95 resolveram fazer uma música chamada Boys Kissing Boys (que nome perigoso não?) Talvez esse nome tenha ficado no subconsciente de alguém e ai eles pensaram: olha só nós devemos fazer isso, vamos seguir a cartilha dos mais velhos”. Agora vamos a minha teoria final do que é o emo dos anos 2000.

- Precisamos de algo que façam as mulheres enlouquecer, temos franjas, maquiagens, “somos sensiveis”, o que é que vamos fazer para chamar atenção de mais mulheres (no caso meninas de 15 anos. Eu espero). O que é que chama atenção, calça apertada e roupas coloridas ! Então … (leia abaixo)

O “emo” é o Glam metal. Renasceu. Maquiagem, calças apertadas, androginia (hahahaha muito gay essa palavra), só que ao invés de permamanente, alisamento. Não adianta disfarçar que a influência do metal dessas bandas novas é o Thrash metal ou o Death. É tudo Hair Metal, parem de querer enganar !!!

 Galera não tenha medo, vença os seus preconceitos, abra sua mente, se deixe levar, não julgue o livro pela capa, fume um brau. Escute Emocore, não adianta fugir das emoções – Ian Mackeye “O nome emotinal hardcore é ridiculo, porque o hardcore sempre teve emoção”.Você é um cara das emoções, se acalme. Se o Emilio gosta de emo, é totalmente Heterossexual gostar.    

 

 15 musiquinhas pra dá um saque:

 

Rites Of Spring – For want of

Embrace – dance of days

Nation Of Ulysses – Today I met the girl I’m going to marry

Honeywell – Abuse (achaí)

Still Life – Truth

Cap And Jazz – Que suerte

Sunny Day Real Estate – song for an angel

Mineral – Take the picture now

Jawbreaker – Boxcar

Promise Ring – Forget me

Samiam – Capsized

The Get Up Kids – Action and action 

Saetia – One dying wish

Dance Of Days – Se essas paredes falassem

Polara – Que eu não deixo pra depois

 

 Pra ser emo:

Não faça nada, por favor. Escute as bosta das músicas e pronto.

Mas ser fã de Smiths, gostar mais de literatura e ser um pouco mais sensível, não faz mal a ninguém.

 

 Alguns selos importantes:

Dischord Records

Jade Tree Records

Gravity Records

Vagrant Records

 

 1* – Esses já foram os nomes da minha primeira banda, não confundir com as atuais distintas.

2* – Alguém que tiver algo do Torches to rome se manifestar, por favor.

3* – Carona.

4* – Tuin, ruim.

 

Rodolfo Lima

 Papagaio de pirata do Francisco Cuoco

AUMENTA O VOLUME QUE É ROCK DO BOM: ENTREVISTA COM FLÁVIA BIGGS, DO THE BIGGS!

 

 

Ela está na correria do rock há um bom tempo e atualmente concilia as atividades de líder de banda, socióloga, professora, feminista, entre outras, como se descreve em sua página pessoal na internet. Seu nome é Flávia Biggs e ela é quem manda muito bem no vocal e guitarra da banda The Biggs, natural de Sorocaba, cidade natal do Wry, outra banda importante da cena underground nacional. Quando entrei em contato com ela falei o quanto admirava a banda, que era trilha sonora das minhas aventuras de bike por essa Maceió, o que ela achou massa!

 

Leia agora a entrevista que fiz com ela por email e conheça mais um pouco mais da Flávia, por meio de suas respostas muito bem humoradas. Se instigue também para ver o show da banda dela, que toca aqui em Maceió no dia 17, no The Jungle, ás 18:00, acompanhada das bandas The Baggios, de Sergipe, Baztian e Misantropia. Enjoy!

BJ: Desculpa se a pergunta for um pouco óbvia, mas o nome da banda tem algo a ver com Ronald Biggs?

 

FB: (Risos)Tem a ver sim, quando estávamos montando a banda, queríamos um nome que fosse tipo sobrenome de família, sabe? como "Ramones", "Smiths", isso foi bem na época em que os Sex Pistols vieram tocar no Brasil, tipo 96, eu tava lendo o jornal e tinha uma matéria falando do Ronald Biggs, do assalto ao “trem pagador”, sua relação com o punk rock, com os Sex Pistols, sua fuga para o Brasil, sua vida loca hahaha! Achamos que tinha tudo a ver, que soava legal, então adotamos pra banda, rolou!!

 

BJ: Você vem há cerca de dez anos fazendo um ótimo trabalho na cena underground brasileira, quais conselhos você daria a uma banda iniciante para se manter ativa ?

 

FB: Pra mim o mais importante é fazer porque gosta, porque não vive sem, tenho banda desde que me entendo por gente. Gosto de rock, de galera, do rolê do rock, conheço a Brown e a Mayra praticamente metade da minha vida, eles são como irmãos meus, amo tocar com eles, somos amigos, tomamos cerveja juntos, brigamos, fazemos a pazes e fazemos um som juntos, e isto é uma grande felicidade. Acredito que enquanto tivermos prazer em fazer musica juntos, e ficarmos contentes com o resultado, vamos continuar fazendo, pra mim banda é família. O lance de ficar buscando fórmulas de sucesso, tentando se encaixar em modismos é que frusta as bandas. Se você quer montar uma banda porque curte tocar com seus amigos, criar, fazer arte com eles, então manda brasa, o que vier, além disso, é lucro.

 

BJ: As outras formas de arte (cinema, literatura, artes plásticas) também tem influência na sua música?

 

FB: Com certeza! O som q fazemos é um reflexo das coisas que a gente vive, sente, vê, respira, absorve, tem influência na nossa vida, portanto na nossa música, gostamos de muita coisa, mas especialmente, arte/cultura marginal e suas expressões é com a gente mesmo! rsrsrs

 

BJ:Essa é uma pergunta que eu sempre gosto de fazer: teve algum momento, ou algum disco/filme/livro que teve uma influência maior no seu desejo de fazer música?

 

FB: Teve sim. Ramones!! A primeira vez que ouvi Ramones foi incrível, um mundo novo se abriu pra mim, o disco era "Rocket to Russia" um amigo me emprestou, eu já ouvia as bandas que meu irmão rolava em casa tipo Iron Maiden, mas sempre achei aquilo super “over” complicadão, fora da realidade, mas os Ramones não, eles pareciam dizer "olha como é fácil, faça você também"e foi ai, que aprendi os primeiros “power chords”, q a propósito uso até hoje hahaha!

 

BJ: Na cena atual brasileira, que bandas você admira?

 

FB: Bom, gostar gosto de várias!! Mas admirar eu admiro HellSakura (sonzera da Cherry (okoto), Human Trash ( outra banda da Mayra Biggs, um garage rock lindão), Leptospirose (jazzgrind mais style do mundo), Muzzarelas (guerreiros do rock underground), Pugna (rockdrão da minha quebrada aqui!! rs), Walverdes (puta sonzera, lá de Poa)! Admiro também as bandas contemporâneas do Biggs, guerreiras, que continuam na ativa também, tipo Wry, Garagefuzz, daí do nordeste tem o Snooze, Dago Red  entre outras! You rock!

 

 

BJ: Pelo fato de ser mulher em um cenário onde ainda há pouca presença feminina,  você sente que a banda é uma influência para que mais garotas queiram formar bandas?

 

FB:Por ser mulher, pelo tempo que temos de história, pelo “feedback” que recebemos por ai, acredito que sim, como banda não temos esta missão, somos pessoas que gostam de música e que fazem música juntos, somos verdadeiros, temos nossas ideologias e posturas em relação à vida como um todo, e isso influencia as mulheres e homens com quem temos/tivemos contato em nossas vidas, de role por ai, assim como somos influenciados todos os dias através da relações sociais que estabelecemos no nosso dia a dia, transformando e absorvendo idéias.

 

BJ:Você já tocou em Maceió? Qual a expectativa para o show do dia 17?

 

Nunca tocamos! Estamos super ansiosos, espero que seja super massa, que a galera curta o show, que façamos novos amigos, que dê tudo certo, e que dê tempo da gente dar um role pra conhecer a cidade!

 

BJ:Qual a sua opinião sobre a cultura de coletivos que vem surgindo e tomando força no cenário da música independente?

 

FB:Acho ótimo! Quanto mais galera se articulando pra fazer as coisas acontecerem melhor! É bom pra todo mundo, a troca de idéias de informações, a partilha, a solidariedade, só faz fortalecer a todos, como grupo e como indivíduos!

 

FB: Você usa as redes sociais para divulgar o trabalho da banda?

BJ: Sim, usamos orkut, facebook e twitter, super necessário e fácil, vixiii antigamente mandávamos, cartas e fitas K7 pelo correio!

 

BJ:Qual momento você destacaria na história do The Biggs como sendo o mais importante?

FB:Durante quase 15 anos de banda, muitas coisas legais aconteceram, tanto de reconhecimento quanto de oportunidade. Acho que posso destacar a nossa tour pra Argentina, o reconhecimento no livro “O que é punk”, do Antonio Bivar, os amigos que fizemos nesta trajetória que nos presentearam com gravações em programas de TV, vídeo- clipes, fotos, coletâneas internacionais, que votaram muito na gente pro prêmio Dynamite de música independente, tanto que acabamos ficamos em terceiro lugar na categoria “melhor álbum de rock”, atrás de Nação Zumbi e Cachorro Grande, pode? (risos). Não ganhamos mas foi um grande feito, pra uma banda lado B, ficamos felizes, isso entre tantas outras coisas, todas que foram rolando, meio que sem a gente planejar.

 

 

BJ: Em Sorocaba quais os lugares aos quais você levaria alguém que quisesse conhecer a cidade?

 

FB: Bom depende de quem fosse a pessoa! se fosse uma roqueira locona levaria para tomar uma no Shogum de aquecimento depois colaria no Asteroid (bar dos caras do Wry), depois quando amanhecesse levaria no parque das águas ver o sol nascer esperando a poeira baixar! (risos) Se fosse minha tia levaria na Padaria Real comer uma coxinha e nos lindos museus da cidade, se fosse um colega bikeiro como eu, levaria dar uma volta pelas ciclovias da cidade, se não me engano temos a maior extensão de ciclovias do pais! Você curte dar role de byke também né Bruno? Ouvindo Biggs! Brigadão hein! ;)

 

  

BJ:Algumas bandas brasileiras, como o Wry e Diesel tiveram a experiência de morar um tempo fora do Brasil, isso chegou a passar pela cabeça de vocês da The Biggs?

FB:Como banda não, como indivíduos já passamos períodos fora do país, mas sempre com idéia de voltar. Turnês tão sempre nas nossas cabeças adoramos dar role por ai, conhecer lugares e pessoas, tocando ainda…não tem nada melhor!

 

BJ:Os integrantes da The Biggs possuem outros empregos além da banda?

 

FB:Sim temos, haha! que dera fosse só rock dia e noite! Bom a Mayra é designer gráfica, faz uns trampos de ilustração, muito bons por sinal ;), eu sou professora de Sociologia, fico colocando minhoca na cabeça da molecada! Haha! e o Brown atualmente é gerente administrativo, tipo braço direito do patrão, até treinou alguém pra ficar no lugar dele durante a Tour! Mas ta se formando professor de Educação Física! Ui! 

 

 

Quais foram os grandes momentos da turnê de 2007? Como foi tocar na Argentina? 

 

Foi ótimo fizemos o role todo de carro! Fomos descendo fazendo shows pelo sul, Curitiba, Porto Alegre, São Leopoldo, Bento Gonçalves, passando pelo Uruguai até a Argentina, lá ficamos hospedados na casa Zombie das minas da banda She Devils fizemos mais uns 6 shows por lá com as bandas She Devils, Il Diabolo, Del Fuego, Fuzzly (de Cuiabá que tava de turnê por la também) entre outras. Esperamos voltar  pra lá em breve, super recomendo!!

 

 

 

 Bruno Jaborandy

Retrospectiva 2009 Popfuzz.

 

O que foi 2009 para o Coletivo? Sem dúvida essa foi uma das perguntas que mais insistiram nesses dias de Retrospectiva-de-tudo. Definitivamente, depois desse ano não dá mais para falar “a” popfuzz, como acabamos por nos acostumar. Pois esse ano marca exatamente a passagem da “Popfuzz Records” para o “Coletivo Popfuzz”. Certo, continua soando meio estranho não é? É claro, o selo marca o nascimento do coletivo e com certeza nunca vai deixar de ser prioridade nas nossas ações e pensamentos. Mas agora seguimos um pouco além, e já fazemos planos de ir bem mais longe.

Talvez as coisas tenham começado a mudar no Maionese: algumas participações inusitadas, polêmicas, reuniões e discussões mais sérias, e finalmente, um festival com quase mil pessoas. Foi um divisor de águas, a primeira vez que trouxemos bandas de fora do estado, que nos responsabilizamos pelo bar e que realmente botamos o “nosso na reta”. Foi basicamente uma chacoalhada nos nossos modos de trabalhos, relações e sentimentos. Isso é basicamente o que acontece quando entra mais alguém na casa, não é? Mas o desenvolvimento do Festival nos levou a uma discussão inevitável: Quem está no lance e “para quê”? Foi a primeira vez que realmente refletimos sobre o porquê de estarmos fazendo tudo aquilo, será que a coisa se resumia a simplesmente colocar as nossas bandas para tocar? Ou estávamos tentando organizar algo mais?

Depois vieram as reuniões periódicas, os planejamentos, e as primeiras idéias de buscar parcerias. Começamos a gravar nossas bandas, começamos a pensar em formas de fazer circular o nome “Popfuzz” pela cidade e construir uma “cena” uma pouco mais sólida na cidade. Como o Rodolfo fala, a meta é que um dia alguém fale: “Porra, eu queria ter vivido em Maceió naquela época lá, 2000 e pouco”. E quem sabe, fazer do Maionese um festival realmente grande.

Nesse gás, graças a pontual (e importantíssima) passagem do Brunão pelo Café Society Lounge (que nome terrível!), conseguimos emplacar o evento em parceria com o Coquetel Molotov e as duas “Noite Folk”. Começamos a ver que a coisa dava certo, que era só continuar fazendo eventos, produzindo estes espaços de encontro que a coisa finalmente iria para frente. Foram noites que ficaram marcadas, que realmente surtiram efeito, tanto que agora, mesmo com novo nome e dono, o espaço é nosso!

De lá para cá a coisa só cresceu. Fizemos o site, buscamos parcerias com as casas de show, investimos na nossa placa de som, tivemos dois projetos do selo reconhecidos (Bad Rec e Jorg And The Cowboy Killers na Transfusão Noise) e agregamos novos membros, novas causas, novos desejos. E mais ou menos nessa época fizemos a primeira divisão de comissões.

Infelizmente, também foi um ano em que alguns membros se afastaram, alguns por não compactuarem mais com as formas que o coletivo vinha tomando, outros por que suas vidas tomaram um curso que não permitia a sua ação presencial. E é nesse momento que dá para perceber, realmente, o quanto estes ai foram extremamente importantes para construção do que é o coletivo hoje. E é preciso deixar bem claro que as portas continuam abertas, escancaradas, na verdade.

 Mas fomos ganhando reforços, a Nina voltou à ativa, deu um gás legal no grupo e fez o contato crucial lá no Festival Mundo. Foi a partir daí que começaram os primeiros contatos com o Circuito Fora do Eixo, que além de tudo, foi a desculpa perfeita para convidar um monte de gente ai que já estávamos há tempos pensando em chamar para trabalhar junto. Uma Galera que realmente chegou para somar forças e que começam ocupar muito bem seus lugares no coletivo.

Olhando assim até parece coisa “divina”, tudo estranhamente montado para a nossa integração ao Circuito Fora do Eixo. Naquela bendita reunião com Gabriel, Pablo, Dudu e Tales, onde percebemos que não estávamos sozinhos, que tinha um monte de gente trabalhando no Brasil inteiro, e da melhor forma possível. Acho que todos saímos de lá com a mesma idéia: “Olha, dá para fazer tudo isso que acreditamos, e melhor ainda, ter êxito nisso!”.  Todo um sistema, pensado em seus detalhes, extremamente articulado, e definitivamente, com os melhores princípios possíveis.

A partir daí não dava mais para voltar atrás, mergulhamos de cabeça nos grupos de emails, planejamentos, shows, editais, reuniões, redes socais, pesquisa, formação, tabelas, produção de cultura e na forma coletiva de construir. Tudo muito rápido, e de forma muita intensa. Ou, sou só eu que acha que aquela reunião com o FDE já faz muuuito tempo? Sintetizando, foi um ano que decidimos que não dava para continuar fazendo o negócio sozinhos, buscamos nossa integração ao FDE, procuramos o apoio do Poder Público e fechamos parcerias.

Agora, muito do que havíamos sonhando nessas mesas de bar por ai começam a se concretizar. Resta-nos continuar a freqüentá-las e seguir em frente.

Metas para 2010?

1. Implantação de políticas de preservação ambiental

2. Iniciar o “Caindo Pra Dentro”.

3. Construção de parcerias com coletivos e patrocinadores

4. Formalização da Popfuzz.

5. Desenvolvimento do Núcleo Popfuzz em Arapiraca.

6. Estúdio Popfuzz / Sede Popfuzz.                                                            

7. Consolidação das comissões definidas.

8. Implementar a moeda complementar do coletivo.

 

Nando Magalhães