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Redes Sociais por Bruno Nogueira!


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Disseminação por redes sociais

Minha palestra / oficina na Feira Música Brasil. Não está 100% completo. Boa parte do que foi dito fica exclusivo para quem participou na hora

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A idéia de redes sociais é antiga. É anterior a própria internet. A rede é uma metáfora para observar padrões de conexão entre um grupo social. É uma estrutura social, formada por atores e suas conexões. No mundo offline, esse ator somos nós, o indivíduo e as pessoas que temos contato direto. No online, essa idéia de ator fica mais complexa. Passa a ser uma representação do individuo.

Essas representações são os blogs, os fotologs, nossa conta no twitter e no orkut. Porque é assim que nós conseguimos nos materializar dentro da internet. São nossos lugares de fala. E os blogs e fotologs são ferramentas que ajudam a construir nossa identidade na rede. São uma forma de narração do eu, porque quando estamos lá, estamos sempre falando e expondo a nós mesmos antes de qualquer coisa.

É preciso ser visto para existir no ciberespaço. A primeira grande diferença entre uma rede social offline e uma online, é que para que a gente se socialize na rede, a gente precisa ser visto.

Esses atores, ou suas representações, constituem uma rede social através dos laços que eles criam através de várias ferramentas. Podem ser laços associativos, como decidir ser amigo de alguém no Orkut ou trocar links no fotolog. Ou laços dialógicos, como conversar com alguém no MSN ou trocar scraps no Orkut. Laços que dependem da reação de outros atores. Ambos são laços de relação complexa. Afinal, não basta fazer parte de sua rede, tem gente que você vai se relacionar mais ou melhor que outras, pessoas que tem amizade mais antiga, etc.

Vale lembrar que, apesar de estarmos falando em online e offline, a rede não é definida pelo suporte. Redes não existem só em um mundo. A rede está no indivíduo. Nós carregamos nossas relações para onde vamos. Algumas dessas relações você ativa só quando está online, mas isso pode ter impacto ainda maior na sua vida offline e vice-versa. Basta pensar nos namoros a distância. É um laço forte entre dois atores, de forte impacto offline, mas que é ativado pela internet ou pelo telefone.

Nessa relação entre atores, através de laços na rede, tem ainda o que nós chamamos de capital social. Esse é um debate mais complexo. Basicamente, entre várias coisas, diz também que algumas pessoas são mais influentes em determinados contextos. E estar ligado a essas pessoas te permite estar ligado a várias outras. São o que chamamos de “hubs”, que por sua vez permitem a formação de comunidades dentro das redes sociais. Quando a gente assume que um grupo é formado “pelos amigos de Pedro”, estamos reconhecendo essa formação social e que Pedro é um hub. Conhecer ele te permite conhecer os amigos dele.

Como disse antes, redes são metáforas estruturais. E quando essas relações são formadas na internet costumam ter três topologias básicas. A primeira é a rede distribuída, onde os nós tem mais ou menos a mesma quantidade de conexões, sem relações de hierarquia. A segunda é a centralizada, onde um nó – um ator – centraliza a maior parte das conexões. E, por fim, a descentralizada, que tem vários grupos de pequenos nós centrais. O interessante de conhecer esses desenhos é entender como uma informação circula em cada tipo de rede.

Mas, em termos mais práticos, como isso funciona para quem trabalha com música?

As redes sociais, como eu expliquei mais cedo, lembram muito o que nós entendemos por cadeia produtiva. A cadeia produtiva, como a gente já sabe, é exatamente um conjunto de nós. De atores que se relacionam, através de ferramentas, uns com os outros com um foco específico. O desse caso é fazer a música circular.

Estar na cadeia produtiva é, portanto, fazer parte de uma rede social. É ter essa consciência que somos atores, que nos manifestamos de várias formas, seja cantando, produzindo, ajustando o som do palco ou escrevendo sobre música em um jornal, e que estamos constantemente interagindo.

No Brasil, nossa cadeia produtiva em clima de “Feira da Música”, “business” e “networking” tem uma rachadura bem grave, principalmente no que diz respeito ao artista independente, dificilmente percebido por ele. O artista não sabe quem é seu público. Basta ler os projetos enviados para editais públicos. Todos eles pedem para que seja dito quem é o público alvo do artista. Uma boa parte diz que o público alvo são produtores, outros músicos e jornalistas. Uma parte ainda maior diz que seu público alvo é de “milhares de pessoas”. E, quase todos, concordam que é “impossível” saber hoje em dia quantas pessoas vão ouvir sua música.

Não é impossível saber quantas pessoas escutam sua música. O medo de responder vem do medo de que seja preciso atingir uma massa para ser aprovado. Quando nunca foi exatamente assim. Se você tem um trabalho e já se apresentou algumas vezes, então é certo que as pessoas já estão ouvindo e você já tem um público. Você precisa encontrar seu público e saber onde eles estão se manifestando.

Quantas pessoas, por exemplo, tem em sua comunidade? Esse é seu público. São pessoas que, de certo modo, tem interesse em comprar seu disco e/ou pagar ingresso para assistir seu show. E essa é uma base de quantas pessoas você consegue atingir espontaneamente agora. O objetivo é sempre aumentar esse número. E a regra é nunca, nunca, nunca esquecer que ele existe.

Existe um erro clássico, cometido por oito de cada de dez pessoas que trabalham com música e se maravilham com o orkut e outras redes sociais. O erro vem do fato que, ao entrar lá, percebemos que os produtores estão lá e outros músicos estão lá. Então é comum já chegar enchendo o saco de tal pessoa achando que isso vai te trazer algum retorno para seu trabalho. Mas só que o público também está lá. O público. Aquelas pessoas que dão dinheiro para comprar seu disco e pagam ingresso para ver seu show. As pessoas que amam sua música.

Numa rede de músicos, você é apenas um ator sem força. Na rede da sua música, você é um motivo para que as pessoas se conectem. E é isso que a música faz. Ela é um motivo para nos encontrarmos e nos socializarmos. Nossas amizades e decisões quase sempre são decididas com base na música. Frequente a comunidade de sua banda. Perceba quem é que está se manifestando, o que estão falando. Tente entender porque estão lá e não estão falando, se for o caso.

Se você tem uma pessoa que se manifesta sempre em sua comunidade, então você tem o pote de ouro no fim do arco-íris da música. Você tem um fã. Temos sempre que trazer essas pessoas para perto de nosso mundo. Dê sentido e valor as manifestações do público. Convide aquele cara que fala na sua comunidade para assistir um ensaio de sua banda. Acompanhar a gravação de um clipe. Dê um adesivo, disco, camisa, boné, o que quer que seja, que reconheça ele como ator de maior força em sua rede. Esse é o sentido da rede social.

Esse também é o sentido dos negócios criativos. Quem gosta mais de sua música, sempre vai querer ela em um formato especial e exclusivo. E hoje, quem tem bons casos de sucesso na venda de música, é quem conseguiu identificar seu público alvo. E ele está nessas redes, falando sobre você o tempo todo. Por exemplo, a banda Cérebro Eletrônico, de São Paulo, fez uma pesquisa com seu público e percebeu que a maioria deles preferem comprar um disco que baixar a música de graça, se for o disco deles.

Existe, literalmente, centenas de sites que funcionam como redes sociais. Cada marca que tenta se firmar hoje, na internet, tenta fazer isso através de uma. Como a Oi FM, por exemplo, que lançou a Oi Novos Sons. Mas você não precisa se cadastrar no Hi5, Plaxo, LinkedIn, Palco MP3, nem toda santa rede que aparece em sua frente. Cada rede tem uma função. Descubra se ela funciona para você conhecendo como ela funciona e seus exemplos. O importante é você perceber que seu público está presente em todas elas.

Participar dessas redes, mesmo que ativamente, não é suficiente. Isso não isenta você de ter um site da banda, por exemplo. O site oficial é sua representação na rede. Pode ser um blog mesmo, dos mais simples, mas que seja um espaço que reuna todas essas manifestações que você faz online. Um espaço para agregar o conteúdo que é produzido por você e que é produzido também pelo público.

Esse é o ponto crucial dessa nossa conversa. Se o seu público existe, então é certo que ele já está produzindo conteúdo seu, mesmo que você não saiba. E ele não está fazendo isso porque é um desocupado com muito tempo livre. Ele faz isso por que ama sua música. Quem aqui já subiu no palco, com certeza já viu alguém no público levantar o celular e tirar uma foto, fazer um vídeo, tentar gravar uma música.

Não podemos chamar nenhuma manifestação de social se ela for uma comunicação unilateral. Precisamos criar diálogos com os outros atores da rede. Essas fotos e vídeos que o público faz nos shows vai parar nos perfis dele no Orkut, nos álbuns do Flickr. Assim como o que é dito nas comunidades do Orkut e no Twitter. É sempre legal comentar, responder, incorporar.

São essas coisas que geram capital social. Legitimar o esforço do público gera um constante feedback deles ao seu trabalho, porque quando eles verem que tem atenção, vão produzir cada vez mais. E quando isso acontece, você deixa ser um simples ator numa rede maior para se tornar o ponto central em sua própria rede social

Isso não é, de modo algum, um esforço solitário.A construção de sua rede é percebida pelas redes vizinhas. Enquanto você está criando uma boa relação com o público, sua rede passa a integrar com mais prestigio redes maiores. Você ganha legitimação pelo público / e não pela chatice.

Dos exemplos de sucesso, podemos tirar a lição de que hoje é muito mais proveitoso você oferecer boas experiências a partir de sua música, que simplesmente música. É o que tem feito o sucesso de bandas como Casuarina e o samba da Lapa, ou de grupos como o Macaco Bong e os coletivos Fora do Eixo. As apresentações dessas bandas sempre são um convite “venha fazer parte de nossa rede”.

Fazer isso sozinho é muito mais difícil, mas históricamente, a música nunca sobreviveu sozinha. E isso é algo que o mercado independente tem dificuldade em perceber. Faltam selos, faltam gravadoras, associações, coletivos, cooperativas. A maioria dos artistas estão sozinho, fazendo sua música e esperando que algo aconteça sozinho daí. Mas algo só vai acontecer com o esforço reunido desses artistas.

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Texto Originalmente postado em: http://www.popup.mus.br/2009/12/14/disseminacao-por-redes-sociais/

Movimento Fora do Eixo foi a coisa mais importante que aconteceu em 2009 – por Rogério Skylab

Vale a pena ler:
Por Rogério Skylab

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

MÚSICA INDEPENDENTE – 2009

Este é o último post do ano.

Se fizéssemos um balanço do que aconteceu em 2009, eu não teria aqui espaço suficiente. Tenho dito em algumas entrevistas que foi um ano atípico pra mim em função de três lançamentos: SKYLAB IX (meu primeiro dvd), SKYGIRLS e o ROGERIO SKYLAB & ORQUESTRA ZEFELIPE . Isso nunca havia acontecido em meus quase 20 anos de carreira.

Uma outra coisa que me marcou definitivamente foi ter entrado em contato com o GOMA de Uberlândia e consequentemente o Movimento Fora do Eixo. Acho mesmo que pra música independente, esse movimento foi a coisa mais importante que aconteceu. E a tendência é crescer cada vez mais, articulando-se com os pontos mais distantes do país. Sugiro a entrevista que fiz com a galera do GOMA e que está transposta aqui no blog. http://godardcity.blogspot.com/2009/06/circuito-fora-do-eixo-goma.html#links

Porcas e Borboletas, por exemplo, é uma banda que vem de Uberlândia, afinada a esse movimento, e lançou disco recente com participação de Arrigo Barnabé entre outros convidados. Não preciso dizer mais nada. Outra banda que nasceu das entranhas do Fora do Eixo é o Macaco Bong.
Se fosse só isso a música independente, estaríamos ao menos bem encaminhados. Mas não é.

Conversando com um “intuitivo genial”, esse também independente até a alma, ele me apresentava um estranho argumento justificando sua alergia pela visibilidade. Confesso que até hoje não entendi nada. Mas suspeito que é um raciocínio às avessas para justificar a ausência de reconhecimento por parte do público. Tirando meia dúzia de aficcionados por seu trabalho, o “intuitivo genial” permanece entocado em sua caverna. É um revoltado, como ele mesmo me diz. Se pudesse explodir o Cristo Redentor, ele o explodiria, penso eu. Mas algo me diz também que o “intuitivo genial” espera mesmo é pelo reconhecimento que nunca vem. Daí produz raciocínios mirabolantes e insiste que foge das luzes.

Um raciocínio inverso produz outro representante da música independente. Segundo este, é tanta luz que o banha, que chega a se sentir no cenário internacional. Para tanto, não faz mal que viaje para a Europa tendo que custear a própria passagem e a estadia. O que importa para esse representante da música independente e “planetária” é fazer muitos shows e dar a esse fato máxima divulgação. A questão é que se a Maria Bethânia faz show em Portugal, ela de fato está abrindo mercado e isso lhe dá um imenso retorno. Já o nosso “independente delirante”, faz show na Alemanha pra meia dúzia de malucos e alardeia aos quatro cantos da mídia a sua fenomenal viagem. Não abre mercado nenhum. Mas chego a desconfiar que o nosso delirante passa a acreditar na própria mentira, o que já é um caso de psiquiatria.

O desafio da música independente é se fazer bem distribuída. Como tocar na rádio sem jabá? Como quebrar o monopólio das grandes gravadoras que ainda mantém seu predomínio na mídia?
A não ser que você faça música pra ninguém, isto é, pra permanecer nas sombras.
Como eu acho que o sentido da arte é o outro, o que é muito diferente de fazer algo para agradar, penso sempre em como fazer a minha música chegar às pessoas. E essa me parece ser a maior questão da música independente. A Música Livre, através da internet, tenta solucionar essa questão – ela sabe que mais importante do que um retorno financeiro imediato é a divulgação do trabalho.

Daí porque acho que o Movimento Fora do Eixo é quem enfrenta melhor esse problemática. Sem delírio e sem falsas argumentações.

Indie Pop

Are You Scared To Get Happy - Original

Indie Pop

E ai rapaziada? Belezal? Então a partir de agora com o lançamento desse belo site da popfuzz, eu, serei um dos colunistas dessa parada. Escreverei sobre musica e o que bem entender afinal me deram carta branca. Pra começar nossa bela conversa eu vou falar um pouco sobre um estilo de música (talvez o maior estilo de *peganinguén do mundo) o indie pop a.k.a twee pop. Primeiramente quero explanar como entrei em contato com essa vertente do rock do índio e claro, como um “bom perdedor bunda mole”, me identifiquei.

Fudeu! Sou Twee!

Estava eu lá no auge da minha puberdade, no primeiro ano colegial, sempre solitário (leia-se sem companhia feminina) com os meus amigos do mal do colégio, quando um deles, João Paulo a.k.a Bunda, meu companheiro de rock indígena desde sempre, começou a chegar com umas parada “errada”. – “Meu irmão tem uma parada aê que eu tava lendo nos sites, que tem um estilo chamado indie pop. As bandas são massa, do tipo Belle and Sebastian assim, saca? Nos anos 80 na Inglaterra teve uma fita lançada pelo N.M.E chamada C86 que influenciou altas bandas, inclusive Teenage Fanclub, Belle and Sebastian.  Ta tudo no programa de rádio de internet do Kid Vinil com esse cara aqui chamado Gilberto Custódio (meu broder João Paulo era apaixonado por esse *cabeça aê na época). Então eu como um cara *bad ass que era, não tinha internet e gravei com um gravador de fitinha o programa pela caixa de som do computador. Passei a escutar aquilo e me apaixonei por aquele ritmo pop, feliz-triste e aquelas letras de garotos tímidos (peganinguén) e meninas bonitas (rapariga). Então eu vou falar da história desse estilo, pelo o que sei, e até hoje faz os *otáro achar que pertence a algum lugar.

Proto – Indie Pop e o começo do Twee

O indie pop teve seu inicio em bandas britânicas de post punk, como Josef K, Orange Juice, Television Personalities, uma banda chamada Smiths (aquela pô), nos fanzines de pequena circulação e nos pequenos selos musicais como rough trade e o postcard records na escócia. Em 1986 a revista musical inglesa N.M.E lançou um coletânea com novas bandas do cenário inglês, escocês, que pipocavam na época em fanzines e showszinhos minúsculos. Essa fita foi chamada de C-86 e nela tinham bandas como: The Pastels, Primal Scream (como as drogas mudam uma pessoa), Shop Assistents, Talulah Gosh (depois virou Heavenly), entre outras. Essas bandas da fita junto a outras bandas como Biff Bang Pow!, June Brides, St. Christopher, traziam guitarras denominadas “jangle”, com um som dedilhado característico de bandas dos anos 60 como o Birds, Raspberries, Big Star (saca M.r. Postman? Hard Days Night dos Beatles? Vindo pra os anos oitenta, a guitarra do Smiths, do R.E.M? Pronto !), isso mesclado a  melodias pop bonitas e suaves, mas sem perder a veia punk e *arrochando barulho.

A cena anorak

A fita chamou a atenção de jornalistas e uma galera que se identificava com as letras de teor “bonitinho”, as guitarras de maioria rickenbaker. Visualmente as calças jeans e os famosos anoraks que cunharam nome deste movimento indie podessa época, o anorak (escutar a música Anorak City do Another Suny Day). Ainda esteticamente falando devo mencionar os cabelinhos de cuia (aqueles cabelos de *menino amarelo). Vale frisar que a cena indie britânica, na época era essa. Esse era o alternativo dos anos 80.

Com influência dessa fita e dos fatores citados acima, começaram a surgir bandas seminais para o estilo, como Razorcuts, Bmx Bandits e todas as bandas do selo que catalisou bem essa época, o Sarah records. Para citar as bandas de mais prestígio deste selo estão: Another Sunny Day, Field Mice, The Wake, Orchid e etc. Essa cena underground britânica representou um grande auge para bandas independentes. Vários lançamentos e exposições de programas de rádio como o do lendário John Peel na BBC.

Migração para os E.U.A

Consolidado na Inglaterra e na Escócia, o Indie pop resolveu migrar para dois lugares em peso nos anos 80. Para os E.U.A e Oceania. Nos Estados Unidos foi encabeçado por um maloqueiro chamado Calvin Johnson que tinha uma banda de “garage rock” chamada Beat Happening. Só que o Beat Happening não era uma banda de “garage” comum, ela conseguia passar do vocal grave do menino Calvin, de guitarras sujas e muito barulho, para a suavidade da voz de Heather lewis e o grande apelo pop presente nas melodias. Calvin inspirado pelos selos punks que pipocavam na época fundou a K records que lançou todos os discos da banda e até hoje se mantém na ativa lançando hoje em dia bandas de vários estilos. Fato curioso é que o menino Kurt Cobain, tinha uma tatuagem de um K no braço, devido à K Records (Olhe aê rapaz, até o Kurt era Twee). Enfim algumas bandas começaram a aparecer fazendo um som pop com a estetica punk e suas melodias suaves, com letras “quase infantis” e todo esse “frufru”. Algumas bandas emergentes da cena na época: Blake Babes, Tiger Trap, Honeybunch, Black Tambourines e etc. Agora algo que eu não sei de onde porra surgiu, só a título de curiosidade, nos E.U.A chamam mais o indie pop de twee pop e esse termo surgiu e foi culminado lá.

Nova Zelândia

Outra migração pesada do estilo foi para a Oceania, mais precisamente para Nova Zelândia, onde bandas como The Clean, The Bats e The Chills surgiram e faziam parte de um selo que se tornou também marca carimbada do estilo nos anos 80, o Flying Nun Records.  O selo lançava bandas de todos os estilos na cidade de Dunedin na Nova Zelândia mas os grandes alcances nas paradas do país se deve e muito aos hits lançados em singles pela tríade citada acima.

Resistência (anos 90 e 2000)

Ao longo dos anos o indie pop passou pelos anos 90, com seus representantes “mor”em termos de sucesso, os escoseses do Belle and Sebastian e do Teenage Fanclub. Enquanto bandas americanas como Bunnygrunt e Rocketship mantinham o estilo vivo nos E.U.A. Na Oceania, mas especificamente na Austrália com Lucksmiths e Sloan. Alcançou cenas bem consolidadas na Espanha, Japão, Canadá etc. De uns anos pra cá dominou a Suécia que hoje em dia é o maior exportador de bandas de twee pop, o que se deve muito ao selo Labrador records (Acid house kings, Suburban kids with biblical names, Pelle Carlberg). Bandas novas do estilo ainda encontram clamor mundial, pelo menos no underground, como exemplos temos: Camera Obscura, Los Campesinos, Radio Dept, The Pains Of Being Pure At Heart (Essa em particular se assimilhando muito as bandas anoraks dos anos 80).

Brasil

No Brasil, o maior representante seria o Pale Sunday, banda de Jardinópolis/SP que pertenceu ao selo de indie pop americano Matinee records, onde lançou o EP “A Weekend With Jane”, o disco “Summertime” e o mais recente Shooting Star EP. Citando outras bandas desse nosso país de suor, cerveja e sacanagem, temos: os cariocas do Luisa Mandou Um Beijo, com letras em português e vocal feminino; a banda Magic Crayon do já citado Gilberto Custódio; o duo feminino paulista Zucchinies e os brasilienses do Postal Blue.

Pra finalizar eu queria salientar a todos que o indie pop é um estilo bonito e cheio de peculiaridades, sempre vai existir fãs e sempre vai existir uma cena. Ta ligado o metal? Pronto do mesmo jeito só que em infinita menor quantidade e com ideologias (hahahahha) diferentes.

15 Músicas pra dá um saque:

Velocity girl – Primal Scream

Sorry to embaressed you – Razorcuts

I’m in love with a girl who doesn’t know i exist – Another sunny day

Twee – Tullycraft

Crawl – The Pastels

My broken heart – Tiger Trap

If you need someone – Field Mice

Girl at the bus stop – Bmx Bandits

Indiam Summer – Beat Happening

Talulah Gosh – Talulah Gosh

I don’t wanna be friends with you – Shop Assistents

Our love is heavenly – Heavenly

Happy all the time – Flatmates

Room in your heart – Rosehips

After the after party – Lucksmiths

The girl with the sunny smile – Pale Sunday (Brasil)

Coletâneas:

NME C86

Take the subway to your suburb

Air balloon road a sarah records compilation

Shelter video compilation (Vídeo)

Seja Twee você também:

- Adore quadrinhos do Calvin and Hobbes

- Goste de punk rock. Mas só de Ramones, Buzzcoks e Undertones.

- Cultue selos independentes do estilo

- Use anorak

- Sempre fale a história do Kurt Cobain pra explicar porque você não é fresco.

- Use camisa de desenho animado

- Pegue menos muié

- Tenha orgulho de dizer que é twee (Twee As Fuck, Fuck Me I’m Twee)

Glossário:

Pega ninguén = Aquele que não tem relações carnais com frequência

Cabeça = Ser humano

Bad ass: Rodolfo Lima

Otáro: Iuuuu !! Otáro !!

Arrochando, do verbo arrochar: Colocar com força

Menino amarelo = Luis Fernando

Texto de: Rodolfo Lima

Deputado Estadual 2010