Sirva-se completa seis meses no ar e celebra cultura urbana


Vanessa Mota

 

A Sirva-se vai sair do ciberespaço e ocupar a galeria Na Casa para comemorar seus seis meses de existência. O evento, promovido pela própria equipe, mistura elementos e estilos para a criação de um ambiente plural, focando em diversas linguagens de expressão urbana.

Dentro da programação está a exibição do documentário (Not) Missing Memories, filme que conta a história de uma das bandas mais importantes do hardcore nacional, Garage Fuzz. Para animar a festa foram escalados os DJ Marceleza e Mar Lombrando, além do duo OutQuitéria. Haverá também uma exposição de fanzines e venda de comida vegetariana.

(Not) Missing Memories é um marco na história do hardcore nacional, pois apresenta a trajetória de 18 anos da banda Garage Fuzz. O filme foi lançado junto com o primeiro DVD ao vivo do grupo, Definitively Alive, no ano passado. Desde as bandas que cada músico tocava antes de montar o Garage Fuzz até os lançamentos nos Estados Unidos e Europa, bem como a turnê pela América Latina, tudo está registrado pelos próprios participantes da história, contada por quem viveu os nostálgicos tempos do hardcore no Brasil.

Fazendo a trilha sonora da noite três sessões de discotecagens passeiam por estilos diferentes. Abrindo a noite, Rodolfo Lima, alterego de Mar Lombrando e integrante das bandas Baztian e Dad Fucked and The Mad Skunks, toca o que de melhor, segundo ele, aconteceu na música jamaicana. Promessa de muito reggae, dub e ska.

Logo após, João Marcelo, ou Marceleza, vocalista da Morra Tentando, assume o controle e seleciona, basicamente, música urbana. Dialogando com diversos estilos, entre eles o rock, o hardcore, o rap e o hip hop.

Para fechar a noite, o duo OutQuitéria apresenta um set híbrido, mesclando o que rola dentro do pop comercial contemporâneo com música brasileira lado b e rock estrangeiro e nacional. Depois de abrirem a noite para o DJ Dolores, durante o carnaval de Recife, Herbert Loureiro e Rodrigo Gilbef apresentam a sua mistura sonora mais uma vez em Maceió.

A festa tem o apoio da Galeria Na Casa, do fanzine potiguar Lado R, da gravadora independente paulista Ideal Records e do coletivo maceioense Popfuzz.

SIRVA-SE – A Sirva-se é uma revista eletrônica de conteúdo cultural montado sobre uma plataforma de blog e que se preocupa com a arte independente e underground de Alagoas e de outros locais. A idéia do blog é trabalhar com várias formas de expressão e criação culturais, unindo em um mesmo espaço música, cinema, fotografia, grafite, teatro e produção cultural em geral.

 

Serviço

 

O quê? Festa Sirva-se seis meses no ar

Com? Exibição de (Not) Missing Memories

E? Discotecagem com DJ Mar Lombrando, DJ Marceleza e OutQuitéria

Quando? Dia 01 de Maio às 20h

Onde? Galeria NaCasa (Em frente ao Orákulo)

Quanto? R$ 3

Maiores informações: 9124-3653

Cobertura Grito Rock Arapiraca (Sirva-se)

 

Por Victor de Almeida

Fotos por Vanessa Mota

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Depois de levar muita gente à Praça Marcílio Dias, em Maceió, a organização pegou a estrada e levou o Festival para o interior. Arapiraca fica a, aproximadamente, 128 km da capital e já revelou para o país a Mopho, uma das maiores bandas de rock de Alagoas, mas hoje sofre de uma grande carência: shows que movimentem a cena rock da cidade.

Com o apoio do Circuito Fora do Eixo, da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin) e com a realização do coletivo local Popfuzz, o Grito Rock prometia movimentar a prévia carnavalesca da turma que não curte se jogar no frevo, no axé ou na swingueira.

A última vez que fui a Arapiraca foi para acompanhar o primeiro show do Wado, durante o lançamento de Atlântico Negro. A cidade está muito bem arrumada e deu gosto de ver a organização dos espaços para receber eventos culturais. Diferentemente do show do Wado, que foi realizado na Praça Ceci Cunha, o palco do Grito Rock foi montado no Largo da Perucaba, complexo montado próximo à Lagoa de mesmo nome.

O ambiente era muito bom. Boa vista, ótima localização, um pouco afastado da confusão dos blocos carnavalescos, tudo isso acrescido ao friozinho da noite do Agreste alagoano. A noite prometia. As atrações eram: Subproduto de Rock, Senhora Rita, Baztian, Cross The Breeze, Caldo de Piaba e Pumping Engines.

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Por volta das 19h, a local Subproduto de Rock subiu ao palco e alternou composições próprias com alguns covers de Capital Inicial, Paralamas do Sucesso e Cazuza. O som entrava um pouco na linha das bandas citadas e do rock nacional na década de 1980, mas não sei se faltava um pouco de segurança no grupo ou se o repertório autoral era curto, mas o número excessivo de músicas de outros artistas prejudicou um pouco a apresentação.

Durante o festival aqui em Maceió, a conterrânea da Subproduto, a Gato Negro, fez um show totalmente autoral, mostrando uma boa vertente do pop rock genuinamente alagoano, feito em Arapiraca. Talvez a banda precise amadurecer um pouco e decidir investir mais neles mesmos.

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Após a abertura, o trio Cross The Breeze assumiu a vez e surpreendeu geral. Tanto ao público, quanto ao coletivo organizador e a mim mesmo! Depois do último show meio morno que fizeram durante a etapa Maceió da Turnê Fora do Eixo, eles voltaram e fizeram um show vibrante no Largo da Perucaba.

Mais entrosados, os três usaram o ruído e o noise ao seu favor e colocaram boa parte do público de preto para cima, com um repertório inteiramente autoral. Coisa rara de se ver no cenário alagoano. O inusitado foi ver a galera se apertando e brigando pelas palhetas e baquetas dos músicos. Pois é, os meninos agora são rockstars na capital do Agreste.

 

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Cobertura Grito Rock Maceió (Sirva-se)

Por Daniel Hogrefe e José Luiz Rios

Fotos por Vanessa Mota

Grito Rock Maceió

O Grito Rock, festival que acontece em diversas cidades do Brasil e em outros países da América do Sul, ganhou esse ano sua primeira edição em solo alagoano, e pra começar, o evento organizado pelo coletivo Popfuzz, teve sua estreia na capital do estado, Maceió.

O esquema funciona da seguinte forma: o Circuito Fora do Eixo, junto com a Abrafin e outros colaboradores, contribui na realização do evento, e a produção fica a cargo do pessoal dos coletivos locais. Para uma primeira vez, o evento foi bem estruturado e trazia bandas de diversos estilos. Boa parte da lista das bandas locais eram agregadas ao coletivo organizador do show, mas o que de fato surpreendeu foram bandas desconhecidas que vinham de fora, e puderam mostrar o seu corre diante de uma galera já em clima de carnaval, na praça Marcílio Dias, localizada no bairro histórico do Jaraguá.

My Midi Valentine

 

A responsabilidade de abrir a noite ficou com a dupla arapiraquense My Midi Valentine. A mistura de bases eletrônicas que lembram aquela época em que você ficava o dia inteiro jogando super-nintendo e vocais melancólicos é bem feita. O som sai redondinho, às vezes soa meio esquisito, mas acredito que o objetivo seja esse. O eletrorock pegou os foliões que estavam nas concentrações dos blocos meio de surpresa e, já que nessa hora a maior parte do público era formado por este povo. A apresentação dos caras careceu um pouco de calor humano, não por culpa deles, que ainda tocaram umas canções mais românticas pra dançar agarradinho. Com todo mundo já esquentando as baterias, e escutando uns frevos dos blocos de carnaval que desfilariam nesse mesmo dia pelas ruas do bairro histórico, eis que sobem ao palco quatro rapazes bem vestidos e com seus instrumentos em punho – menos o batera né!?

Sex on the beach

Eles formam a Sex On The Beach, vindos lá da Paraíba, mas com alguns integrantes alagoanos, e com um surf rock instrumental nervoso pra tocar, sons muito bem executados, bons arranjos de rock’n’roll e bom humor em algumas versões de clássicos do rock, além, é claro, de covers do “king of surfing guitar” Dick Dale. Som interessante e que prende a atenção. O público ainda parecia meio tímido e foi aí que começaram a surgir as performances dançantes de alguns populares que se encontravam um pouco acima do nível de álcool. Eles dançavam livremente e desimpedidos de qualquer rigor técnico na criação de seus passos, muitas vezes cômicos, mas ainda assim dançados com muito vigor. Destaque pro tiozinho de bigodão, camisa azul e short vermelho bom de rebolado que se mexia na frente do palco exatamente no ritmo da música. Com a atenção geral voltada pra essas figuras, os roqueiros pés de chumbo puderam começar a dançar sem medo de virar motivo de chacota. Entre uma banda e outra, rolava uma interação legal de uma forma geral. Tinha gente de bandas de fora conversando de boa com o pessoal da cidade, banquinha de CDs, alguns informativos e outras tranqueiras. Também era possível acompanhar um bloco e sua orquestra de frevo, trocar uma ideia com algum conhecido, enfim, a praça estava movimentada, e podia-se perceber uma boa variedade de público, o que foi uma das melhores coisas do evento, fazendo com que o rock extrapole um pouco as barreiras disso que chamamos de cena, misturando um pouco as coisas.

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