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Conheça uma banda de Surf music formada por Não-Surfistas!

A Sex on the Beach

A Sex on the beach faz surf music em uma cidade sem litoral. Vindo da cidade de Campina Grande no interior da Paraíba, conhecida pelo forró do seu São João e pela sua Universidade. Bem, os caras podem até terem se conhecido no ambiente universitário, mas com relação ao forró, é preferível o rock, o blues, o doo wop, o ska e é claro a surf music. Confira abaixo a entrevista feita com o guitarrista da banda, Diogo Rocha. Bateu o terral agora é só entrar, cabeça.

RL – Como se deu a idéia de fazer surf music em uma cidade sem praia como Campina Grande?

DR – Bem, apesar de ter surgido em Campina Grande todos os integrantes da primeira formação vieram de cidades praieras, Maceió (AL) e Aracaju (SE), talvez tenhamos trazido um pouquinho desse feeling desta época, e estejamos sendo um pouco saudosistas.

Porém não acreditamos que o som se delimite à condições geográficas de qualquer lugar, o que importa é o que você está sentindo e quer transmitir naquele momento, não importa se você está no Carirí ou na Califórnia.

RL – Todos os integrantes já tocaram em outras bandas ou essa foi à primeira empreitada?

DR – Todos nós já tocávamos à bastante tempo em nossas cidades de origem, eu mesmo já devo ter tocado em mais de cinco bandas por Maceió, mas acredito que este seja o primeiro projeto de verdade em que nos entregamos.

RL – Fala pra gente. Quais são as principais influências da banda?

DR – Bom, falar disso é bastante difícil, temos influências diversas, cada um com seus gostos peculiarmente individuais. Temos obviamente influências marcantes de blues, jazz, hillbilly, dentre outras que são mais fáceis, de se identificar, mas não nos limitamos a um determinado estilo de música. Podemos citar algumas bandas consagradas dentro do surf music como Dick Dale, The Ventures, Surf Coasters, Langhorns, Bambi Molesters, Los Straitjackets, etc, que contribuíram bastante para nossa identidade, nosso jeito de tocar.

 RL – A banda faz parte do Natora Coletivo, que é o ponto Fora-do-eixo em Campina Grande. O que isso vem ajudando a cena local?

DR – Com o surgimento do coletivo, juntamente à sua integração no CFE, a cidade vem tendo um boom de gente nova, demonstrando interesse em  produzir material de qualidade e expandir os horizontes, seja em bandas ou produção audiovisual, etc. Conseguimos aumentar significativamente a circulação de bandas na cidade, fazendo um link direto com a cidade de João Pessoa e as outras capitais do nordeste, fazendo com que as pessoas vejam que o cenário independente está funcionando, e devagar estamos conseguindo fomentar a cena local, formando um público consistente, uma massa crítica. Gerando uma forte visibilidade para todo o país.

Talvez ainda seja um pouco cedo para tirar conclusões sobre a situação local, mas podemos dizer que com certeza em muito pouco tempo todo esse investimento que está sendo feito trará ótimos resultados pra cidade.

 RL – Vocês trabalham intensivamente no Coletivo? O que acham da teoria do “artista igual a pedreiro”, onde a banda é responsável por todo o processo da produção a apresentação?

DR – Sim, eu e Marlo, por exemplo, fazemos parte do que podemos chamar de núcleo durável do coletivo, onde nos dedicamos à maior parte de nosso tempo possível para práticas relacionadas ao mesmo.

Quanto a nossa opinião sobre “artista igual a pedreiro”, bem, essa era nossa interpretação de como uma banda deveria se portar desde antes de conhecermos tal “termo”. Se você quer montar uma banda hoje em dia, e quer obter algum respaldo até mesmo na sua própria cidade você tem que batalhar, correr atrás das coisas, dentro da banda nós desenvolvemos todos os materiais de divulgação, organizamos nossos shows, estamos montando palco, alugando som, fazendo os cartazes, distribuindo flyers, e quanto não estamos tocando, estamos sempre dispostos a ajudar aqueles com quem estamos dividindo palco, ou estamos na portaria, vendendo CD’s na banquinha, registrando os shows etc.

 RL – Em Belo Horizonte (MG), curiosamente, acontece o maior festival de surf music do Brasil, o Primeiro Campeonato Mineiro de Surf. Já entraram em contato com eles para participar do festival?

DR – Bom, com certeza tocar no 1º Campeonato de Surf Mineiro de Surf é um sonho que nós temos enquanto uma banda de surf music brasileira, até agora não entramos em contato com o pessoal do festival diretamente para isto, apesar de já termos conversado com o Claudão da “A Obra”, Leopoldo da Reverb Brasil, (ambos organizadores do evento) e trocado material, mas acreditamos que tocar no Campeonato será algo que alcançaremos através do reconhecimento de nosso trabalho, e quem sabe esse ano não damos um pulo por lá!

 RL – Quais bandas brasileiras independentes do estilo que vocês dariam destaque?

DR – Bom, podemos citar diversas bandas, onde no cenário independente tem crescido bastante, e não tenho medo de dizer que as melhores bandas que nós temos atualmente em nosso país fazem parte desta cena.

Pelo trabalho apresentado nos últimos anos podemos citar a Burro Morto, Macaco Bong, Plástico Lunar, The Baggios, fica difícil definir entre poucas as bandas “mais mais” desse país, falo destas por ter tido a possibilidade de dividir palco com os mesmos e ver o quanto eles botam pra fuder ao vivo.

 RL – Vocês lançaram o primeiro EP em 2009. Como está sendo a circulação do disco?

DR – Está sendo ótima, conseguimos contatos em todo o país através desse material, estamos tendo uma boa quantidade de acessos em outros países principalmente nos Estados Unidos e na Europa, além de já termos recebido convites para tocar em diversas cidades com menos de um ano de banda. Está repercutindo de uma maneira muito boa. 

 RL – Sendo uma banda instrumental, como se dá o processo de dar título às músicas? Existe algum conceito?

DR – Bom esse lance de dar nome às musicas é uma coisa ótima. Podemos colocar praticamente o que quisermos que não fica estranho. Mas tivemos algumas preocupações, por exemplo, nesse nosso primeiro EP, como estávamos praticamente apresentando a banda, dando a receita do que seria o nosso som, resolvemos fazer uma analogia direta aos ingredientes do drink que dá o nome à banda, Vodka, Suco de Laranja, Licor de Pêssego, todos estes estão contidos na bebida.

 RL – O que o público de Maceió pode esperar do show de vocês no Grito Rock?

DR – Bom, não só o público de Maceió, como qualquer pessoa que for nos ver tocar pode esperar um som animado, verdadeiro, tocado com sentimento, e uma puta energia no palco, transmitida diretamente para toda a platéia.

 RL – Pra fechar, alguém da banda surfa?

DR – Nem a pau!