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ENTREVISTA COM LÊ ALMEIDA

Direto da baixada fluminense, Lê Almeida mostra pela primeira vez em Alagoas toda a força do seu rock lo-fi. Acompanhado dos alagoanos da Baztian, o público poderá conferir músicas de todos seus eps, inclusive do mais recente Revi, além de uma palestra sobre gravações caseiras na quinta-feira (27). Confira abaixo a entrevista que fiz com esse inquieto rockeiro lo-fi:  

RL – Primeiramente gostaria que você se apresentasse para os que não o conhecem e listasse todas as suas bandas e projetos, só pra dar uma idéia!

LÊ  – Então, comecei tocando bateria no começo dos anos 00 em várias bandas aqui da região como Siameses, Tratamento Experimental, Rosemary Skin e Purpose. Montei a Transfusão Noise Records pra lançar as bandas nossas e dos amigos, também passei a tocar guitarra e cantar e montei a Tape Rec, Coloração Desbotada, Uma Nova Orquídea e The Fashion Our Club. Hoje toco bateria na Carpete Florido e também tenho um coletivo chamado Babe Florida e ainda produzo e ajudo a produzir vários discos de amigos além de ter essa carreria minha  carreira solo  

RL– Quando e por que surgiu a vontade de fazer um projeto solo? Onde você costuma gravar tudo e praticar todos os instrumentos?

LÊ  – Desde que eu me interessei em tocar algum instrumento que eu tive uma certa onda em gravar sozinho, de começo era com a Coloração Desbotada e depois eu fiz um EP sozinho também com a Uma Nova Orquídea. Em 2006 eu quis gravar um EP com 4 músicas e assinar como solo porém a coisa acabou fluindo de uma forma mais abrangente, hoje ainda continuo me divertindo gravando sozinho, é tudo em casa sem pressão e o clima de descompromisso sempre esta por aqui comigo  

RL – Como acontecem os shows? Tem uma banda fixa que o acompanha?

Tenho os meus amigos que tocam em outras bandas da Transfusão que me acompanham, o João Casaes do Fujimo e da Coloração, o Evandro Fernandez do Carpete Florido e da Tape Rec e o Joab Régis da Coloração e do Silvo. A gente tem feito muitos bons shows tanto no Rio como fora dele

RL – Fala um pouco sobre a relação Guided by voices/Lê Almeida. inclusive o seu selo, Transfusão Noise records, lançou um tributo à banda no ano passado, com bandas de todo Brasil e etc.

LÊ  – Pois é, o GBV é uma grande fonte de inspiração tanto musicalmente quanto no quesito faça você mesmo assim como a K Records. O nosso tributo ao GBV rendeu bons frutos para a Transfusão, conseguimos um certo respeito por tributar uma banda não lá tão famosa mais de muito coração. O Robert Pollard chegou a ouvir o disco, o Manager dele que me disse por e-mail. A gente tem umas sobras que talvez um dia podem gerar um segundo volume do disco  
 

RL – Falando na transfusão noise records, quando começou e como funciona?

LÊ  - Começou em janeiro de 2004 como a idéia de ter uma logo marca por trás das bandas nossas aqui da região. Hoje os lançamentos dos discos são bem programados e a gente divide os custos com as bandas e devolvemos a grana toda em discos além de fazermos todo nosso esquema de divulgação, a coisa gira muito na questão da amizade, ninguém aqui quem enriquecer com isso. Ainda somos um selo bem pequeno mas muito melhor organizado hoje

RL – O seu último álbum, Revi, saiu em Vinil por um selo Inglês. Como apareceu a oportunidade desse lançamento?

LÊ  - Tudo rolou por causa do pessoal do blog Last Splash (http://lastsplash.wordpress.com/) ele fizeram um vídeo sobre vinis com uma entrevista com o Luiz Valente da Vinyl Land e colocaram uns trechos de umas músicas minhas como trilha do vídeo. A partir daí o Luiz ouviu o som e curtiu e rolou todo um desenrolo que culminou no lançamento do vinil e gerou umas boas amizades. O Luiz é brasileiro e sempre passa uma temporada em Londres onde manda fazer os discos e também faz sua distribuição

RL – O Estado do Rio de Janeiro sempre foi um grande formentador do Indie Rock nos anos 90, principalmente com a Midsummer Madness. Nesse cenário sempre tiveram destaques as gravações Lo-fis, como é o caso do primeiro trabalho do Pelv’s e todos do Cigarretes e Second Come. Você recebeu muita influência dessa galera?

LÊ  - Recebi sim, muito mais do Second Come que sempre foi uma banda que eu curti muito e descobri na escola com amigo de sala. Hoje tenho tudo do Second. Sempre fui muito fã do Pin Ups e dos anos 2000 pra cá minhas 2 bandas preferidas tem sido o Superguidis e o Firefriend

RL – Um membro do nosso coletivo, Caíque Guimarães, lançou um disco com apoio o Transfusão. Como se deu o contato entre vocês? Podemos esperar futuras parcerias entre os dois?

LÊ  – Foi através do tributo ao GBV, a gente tem boas afinidades entre gravações, bandas e idéias. O disquinho de estréia do Bad Rec Project é coisa fina e tem tudo a haver com a excência da Transfusão     

RL – O indie rock dos anos 90 é uma influência forte no seu trabalho. De onde vem essa paixão?

LÊ  – Identificação com o som mesmo, lembro de conhecer o Pavement no K7 no começo dos anos 00 e foi marcante pra mim. Hoje Dinosaur Jr, GBV, Breeders, Built To Spill, Apples In Stereo, Beulah e outros, fundem a minha cuca  

RL – Deixando o rock de lado apenas por um pequeno instante, fala um pouco sobre a sua paixão declarada nas músicas e no seu blog (bikeneverdie.blogspot.com) por bicicletas!

LÊ  – Pois é, eu sou bem ligado nas bikes, é minha válvula de escape depois do roque, hoje acho até que musicalmente sempre falar de bicicleta pra mim vai ficar quase sendo como se fosse algo como relacionamento porém com a bike. Todo final de semana eu dou minhas voltas ao som de vários mix tapes nos meus fones sempre altíssimos, fico até de mau humor quando não dou minhas voltas, é terapêutico. 

RL – Além de tocar, você vai participar do ciclo de debates e oficinas do Festival Maionese, com uma oficina sobre gravações caseiras e integrando a mesa de debates sobre produção independente. Sua participação em atividades desse tipo é frequente?

LÊ  - Só participei umas 2 vezes de uma mesa assim e de uma palestra sobre gravação, sou tímido e não sei se as pessoas entendem direito, só sou natural. Falar sobre o que faço aqui em casa as vezes não parece ser tão legal mais espero que seja agora pois estou me empenhando

RL – Quais foram os materiais de gravação, digamos, menos ortodoxos que já utilizou?

LÊ  - Acho que só fita K7 mesmo, quando eu tocava bateria eu sempre carregava comigo um duplo deck que eu tinha pra gravar os ensaios e os momentos de improvisos, hoje tenho uma mesa pra isso mas de fato voltamos ao primal pois costumo ensaiar com o pessoal aqui no quintal de casa e gravando tudo no K7, posso dizer que os mic são menos ortodoxos pois são podres de ruins

RL – Agora me fala sobre suas expectativas para o show no festival aqui em Maceió! é a primeira vez no nordeste também, não? 

LÊ - Isso, é a primeira vez sim. Estou super empolgado, queria ir com o meu pessoal pra tocar no festival mais como não teve condições disso acontecer eu acho que vai ser uma boa tocar com o pessoal do Baztian me acompanhando, curto de montão o som deles e a nossa identificação com os 90’s é fudida!

Vai ser um roque irado!!!

HominisCanidaee – Entrevista Carlos Dias (Carlinhos)

Seguindo a série de entrevistas que estamos fazendo sobre figuras do mundo da música que influenciaram ou influenciam boa parte das bandas e pessoas que acompanham o Hominis. Se alguem quiser sugerir entrevista, chega la no blog e manda na caixa de mensagem.
 
O Paulo Marcondes fez uma entrevista com o Carlinhos Dias, da Polara, Againe, Caxabaxa e diversos outros projetos que você encontra la no blog pra download…


Provavelmente você já ouviu alguma música de Carlos Dias (Carlinhos). Não? Againe, Polara, Albertinho dos Reys, Caxabaxa, Diluentes, Tube Screamers? Te
m certeza? Em uma entrevista feita por e-mail, ele falou sobre as bandas, o que curte da cena atual, projetos futuros, se againe e polara irão voltar um dia e etc. Saca só:

 

1) Quantas bandas você já teve? Eu consigo lembrar do: tube screamers, againe, polara, albertinho dos reys, caxabaxa, walter e reys…

Olha, a contar do primeiro show, ou desde que mudei pra sao paulo em 88? Se for desde criança já forma muitas… Spektro, que era de heavy metal,isso tipo 85, o Esquem em Poa essa época era bem precário, só festival de escola, festa de dia das mães essas coisas…Depois cortei o cabelo em 87 pra poder tocar numa banda de hardcore , isso em Poa ainda….Mudei pra São Paulo em 88, andando de skate na rua conheci uns caras que tinham uma banda que tirava uns covers de anthrax, metallica etc… Toquei com eles por um tempo também. A banda não tinha nome, chegamos a tocar em um dos festivais do colégio equipe e mais alguma coisa. Eles seguiram mais tocando um deth extremo e eu sai, pq minha pegada era mais crossover, metal punk, etc… E também outras coisas da época que curtia tipo alien sex fiend, as coisas da sub por que tocava no programa do Kid Vinil… Esqueci uma parada. Em 90, toquei em uma banda chamada megaforce,de thrash… E a banda em Poa se chamava ridiculamente os sexomaniacos, e era tipo punk nacional, tipo influenciado pela coletânea ataque frontal,vikings are comig e punk finlandes. Conheci uns outros caras e montamos o Tube Screamers,gostavam só de Dag Nasty, Descendents, Melvins,e aquela parada todo que rolava la por 91,92…

 

O Tube Screamers foi a primeira banda de fato, gravar fitinha com capa, viajar pra outros estados etc. Trilhando por um caminho difícil porque a única banda que tinha no começo mas parecida com a gente era o Pinheads de curitiba.. Éramos banda Irmã do Muzzarelas de campinas, que nos proporcionaram bons shows, boas amizades. Em 95, montamos ao Againe, com a saída do Rubens,seguimos abanda colocando o Cesinha lost e o Fernando na outra guitarra…Com o Againe ainda existindo precariamente montei o Polara junto com o Rafael Crespo e o Sato. No começo porque tinha bastante musica o Againe meio parado, por causa de compromissos dos outros…. Ai o Polara seguiu um tempo, mas sempre naquelas de que cada um morava num pico né? O rafa no rio eu aqui o sato em osasco, e o marinho aqui também, mas agente conseguia levar ate. Depois comecei agravar minhas coisas sozinho,o Caxabaxa foi um projeto com o Adriano e com o Bruno Galan… Tem também o Matheus Walter, com que eu toco quando vou pra porto alegre. Não tenho muita pretensão de montar banda,pelo menos com objetivos de cds, merchans, etc… Como me mudei pra floripa, sigo gravando minhas coisas, afinal musica faz parte de mim, ela acontece, e seguindo os conselhos do meu pai que era musico de não virar musico (risos).

2) De onde surgiu o nome Albertinho dos Reys?

Eh o meu nome. Mas naquela pegada de cantor que inventava um nome artístico e etc… Meu nome é Carlos Alberto dos Reis Dias.


3) Da cena independente atual, você acha que da para tirar algo? Não só do hardcore, do rock em geral

Olha, não querendo citar nada, mas em geral o que eh feito com o coração, com vontade de verdade eu curto mais do que o bem feito ou o bem tocado. Acontece que a intenção hoje é bem diferente… Uma galera já pegou o caminho aberto e chega querendo sucesso de um dia pro outro.. normal, as vezes ate acontece, mas é uma coisa fugaz,talvez mais a ver com os tempos de hoje… O resolve “ah sou artista!” ou ate como ouvi de um cara uma vez… “po ta mais fácil viajar com arte do que montando banda”. Mesmo se da na arte, uma pá de “dizainerzinho” só porque tem uma mínima noção de preencher um espaço com algo meio legal se acha artista. O buraco eh mais embaixo… Na nossa época todo mundo tocava porque gostava sabe, sem quere desmerecer que vir ali e etc… Mas aquilo de fazer por amor que dava o toque que eu gostava se juntar fazer a parada, etc… Hoje em dia vem um Rick Bonadio e compra todas as bandas que ameaçam o sucesso da bola de vez. Deixando na mão os que estavam dando grana pra ele há pouco tempo… A banda nacional que eu acho mais legal é o ELMA.


4) Quem acompanha seus trabalhos há um certo tempo, pode notar que você se distanciou um pouco da música. Essa é a intenção mesmo? Focar nos seus outros trabalhos, como a arte?

O processo criativo é o mesmo, isso pra mim é uma necessidade, externar as o paradas que absorvo, seja em forma de musica, de arte, ou ate cozinhando se fosse o caso. A questão é conseguir sobreviver fazendo o que se gosta. Na a arte eu posso fazer o meu trabalho sem depender de ninguém, se eu tiver sozinho eu pego uma bic e saio desenhando, ou uma tela, o processo é mais solitário… Mas o mundinho próprio mesmo…A menos que seja um mural com varias pessoas… Talvez através da arte, através do aoseualcance, teve uma aceitação maior entre diferenciados tipo de pessoas, velhos, crianças, ricos pobres etc. Tem mais alcance, e também melhor retorno financeiro,afinal preciso pagar minhas contas.


Mudei pra Florianópolis tem dois anos e não toquei com ninguém lá, só sozinho hibernando no quarto. Ia lançar um disco no fim do ano passado, dois aliás, mas o cara que ia lançar deu pra trás pondo tudo a perder… Um disco de Albertinho dos Reys e um do Walter e Reys. Esse tipo de coisa da desanimo sabe? É coisa atrás de cosia a vida toda. Então optei por fazer eu minhas coisas, no tempo que der e pronto. Ou seja,estamos num momento de vários neo empresários, celulares e etc,existe essa facilidade hoje em dia nas comunicações que é inegável… É muito difícil voce se dedicar a algo tipo um disco, é um filho sabe,as musicas, a ordem e etc… Ai fica capengando o porquê nego que lança sei la o que, ou pra a fabrica musical…. Fica aquela coisa, o cara gosta, quer fazer pra quem gosta, mas na hora mesmo isso não é suficiente, e prefere dar preferência pra sub sei la o que! Então decidi por mim o que eu sempre fiz, tocar as coisas por mim mesmo, trampar, ganha grana, quando der com as minhas coisas, porque depende dos outros é complicado. O cara que eu mais confio nesse meio e acho firmeza é o Fred da submarine, e as coisas que ele lança, complementando sua pergunta de cima… Hurtmold, bodes e elefantes, as bandas dos meus amigos (risos).

 

5) O que você acha dessa coisa de download na cena independente do rock nacional?

Não entendi direito ,mas sou adepto, e também tudo que eu faço eu ponho pra download,em algum momento.

6) Uma coisa que sempre intrigou bastante os ouvintes do againe (principalmente no sem açúcar) e no Polara são as letras. Como elas eram escritas? Todo mundo que eu conheço e gosta das bandas, diz que elas são bem urbanas.

Olha, sou de porto alegre, sou praticamente um caipira na cidade grande. Essas letras a maioria, foram escritas em momentos refletindo isso, a minha visão da cidade. No caso do againe ja vinha desde antes essa temática. Nunca soube escrever letra de protesto, então queria uma coisa da cidade, dos relacionamentos, das amizades, etc. Hoje em dia que mudei pra praia, que começo a analisar isso tudo… Talvez daqui um tempo tenha mais a dizer, porque isso ai foi como se fosse uns vômitos, uns throw ups. Tipo escrevendo no ônibus, na casa dos outros, nos banheiros, sempre que lembrava algo,nem que fosse duas palavras, um expressão,ainda bem que tenho esses registros que dizem muito sobre mim….


7) Todos os fãs do againe e do Polara se sentem "órfãos". Há alguma possibilidade dessas bandas voltarem?

Sei la. Voltar não, um show ou outro talvez de tempos em tempos todo mundo fala…Mas se for isso é só uma reunião.

 

8) O que você anda escutando de música?

Depois do torrent e dos blogs e da net tudo mudou né? Antigamente pra você gostar de algo, tinha que compra o disco. Hoje em dia ta ali no itunes ou aonde for, e muita gente com vergonha do shuffle… Eu realmente tento ouvir de tudo, vivo por épocas, o de sempre, e o que nunca tive acesso… É isso.

9) Eu queria agradecer pela entrevista e pelo tempo cedido, de coração. Aquela hora clássica: shows, contato, divulgação…

Fiz um soundcloud do Albertinho, show não tem nada, ta saindo meu site www.aoseualcance.com, aonde pretendo por uma parte da musica juntando minhas coisas todas. Estou trabalhando num documentario da vida do meu pai que era musico tambem… A coisa mais massa que apareceu foi uma fita k7 de 68, que ta postada aqui.

HominisCanidaee – Entrevista Jair Naves e EP Araguari…

Opa, foi mal a demora. Passamos por turbulências com o blogspot, mas estamos de volta com um "e" a mais, agora é HominisCanidaee e começamos com uma entrevista/resenha feita pelo Paulo Marcondes, um HominiCanidae nato.

Jair Naves é um músico (mesmo que ele não goste desse título, ou ao menos não gostava) e com esse EP mostrou uma evolução enorme em seu trabalho. Tanto no vocal (dessa vez, limpo, sem gritos e acompanhado por Júlia Frate, cantora) quanto em suas letras que estão de uma poesia enorma e com uma sonoridade bem diferente de tudo que todos esperavam. Algo calmo, mais fácil de se digerir do que o Ludovic (ex-banda do Jair) a qual comparações não serão feitas.

 

Se me pedirem pra classificar ou dar uma dica do que o som dele se parece, eu diria: "pega um pouco de Joy Division na época do Unknown Pleasures, de Dolores Duran, Walter Franco e Maysa. Agora mistura tudo, é, lembra um pouco." Como foi dito no post do Hominis: Não é rock. Não é folk. Não é samba. Não é moda de viola. É apenas o melhor letrista da atualidade em um projeto sincero e visceral.
 

Download do Ep: Jair Naves – Araguari EP (2010).rar

Demorou, mas segue agora uma entrevista com o próprio Jair Naves, falando sobre música, as dificuldade de um trabalho solo, sobre o mercado independente, sobre a vida, da maneira mais direta possivel…

1. No começo do EP, existe um pedaço do filme "O caso dos irmãos Naves" há algum parentesco com eles?
Essa é uma pergunta que sempre me fazem e eu nunca sei exatamente o que responder, já que eu mesmo continuo com essa dúvida. Pelo que eu consegui apurar, havia uma ligação da família de Sebastião e Joaquim (as vítimas do ocorrido) com o pessoal da minha avó paterna, mas afirmar que eles eram meus parentes seria meio abusado da minha parte. O que me fez mencionar a história deles na introdução do EP não foi só a ligação com a cidade e a coincidência (ou não) do sobrenome, mas também a intenção de prestar uma homenagem a eles e de trazer o caso para o conhecimento daqueles que se interessam pelo que eu faço.

2. Você com esse projeto conseguiu trabalhar de maneira diferente nas letras. Lembro de uma vez que li que tinha planos em se expor menos.Acha que conseguiu isso em Araguari?

Infelizmente não (risos). Quer dizer, tentei trabalhar melhor com metáforas e falar um pouco mais da vida de outras pessoas, coisa que eu não fazia muito antigamente. Por outro lado, tratei de assuntos íntimos muito abertamente, com uma transparência até maior do que eu costumava utilizar no passado.

3. Em Araguari II (meus dias de vândalo) existe um verso que diz "minha reza de ateu". O que é Deus para você?

Olha, você realmente pegou pesado nessa. Eu poderia ficar escrevendo durante horas e ainda assim não conseguiria definir o meu conceito de Deus. Eu tenho uma visão muito pessoal a esse respeito, uma teoria que eu formulei de acordo com as experiências que eu tive, as perdas que eu sofri, os rumos que pessoas próximas a mim deram às suas vidas e etc. Sobre a música em si, a estrofe em que esse verso se encontra é toda sobre desespero, esgotamento, falta de perspectiva, questionamento sobre o futuro e angústias dessa natureza. Quando eu usei essa imagem, quis passar a impressão de alguém que apela para o último dos recursos – a tal “reza de ateu”. Tem uma conotação religiosa, obviamente, mas não é exatamente sobre crer ou não na existência divina.

4. Como é sair de uma banda e ter um projeto solo? Digo, tomar conta de quase tudo sozinho?

Ainda estou estranhando um pouco. Passei metade da minha vida fazendo parte de bandas, é a primeira vez que trabalho assim, lançando discos sob o meu próprio nome. De qualquer forma, por enquanto eu não posso me queixar de nada. As pessoas estão gostando das músicas, os shows têm sido bons e a minha banda não poderia ser melhor. Tenho muita sorte por poder contar com esses músicos que tocam comigo, são pessoas em quem eu acredito muito e que abraçaram o trabalho com uma dedicação tão grande que chega a ser até comovente pra mim.

5. O que você considerou mais difícil neste ep? Compor, gravar, mixar, tentar desviar a ansiedade?
Tudo foi extremamente difícil, desafiador. Não só por eu ter trabalhado por conta própria na maior parte do tempo, mas também porque acho que nunca fui tão exigente comigo mesmo quanto dessa vez. Como eu não queria me repetir ou fazer aquilo que as pessoas esperavam de mim, levei muito tempo lapidando as músicas e letras. A gravação também foi complicada, tanto pela complexidade de alguns arranjos quanto pelo fato de eu ter introduzido muitos elementos com os quais eu ainda não estava muito habituado (sintetizadores, piano, muitos backing vocals, vozes femininas, samplers, etc). Na mixagem e masterização foi um pouco mais tranqüilo. Tive o privilégio de poder contar com o Renato Coppoli, um verdadeiro mestre do ofício, com quem aprendi muita coisa no pouco tempo que trabalhamos juntos. Quando já estava tudo pronto, tive que esperar um pouco para conseguir a liberação dos trechos de “O Caso dos Irmãos Naves” que foram utilizados em “Araguari I (Meus Amores Inconfessos)”. A ansiedade foi realmente enorme, eu não tinha idéia de como as pessoas iriam receber essas músicas, mas valeu a pena passar por tudo isso. Com toda a franqueza, acredito que esse é o meu melhor trabalho até o presente momento.

6. Onde foi parar a loucura do vocalista da Ludovic? Ela persistira ao vivo mesmo com um som considerado mais "calmo"?
Acho que foi parar nas músicas em si. Acredito que esse EP contém algumas das minhas composições mais ousadas, de estruturas menos óbvias, mais “experimentais” no sentido literal do termo. Sobre os shows, difícil dizer. Não tenho qualquer interesse em repetir coisas que eu fiz no passado, mas ao mesmo tempo eu tenho minha personalidade, meu jeito de fazer as coisas, características das quais eu não vou me livrar nunca, mesmo que eu queria. Cabe a vocês ir aos shows e tirar suas próprias conclusões, creio eu.

Video de Araguari II no show de Lançamento do EP na festa da Travolta Discos


7. Voce acredita que o público do Ludovic vai somar ao seu projeto solo? Pensou nisso quando fez o EP? Ou isso não faz parte do processo pra voce?

Nunca penso nisso enquanto componho. Acho muito perigosa essa preocupação com o que as pessoas vão pensar – aliás, não só perigosa, mas sem sentido. É impossível prever a quem você vai ou não agradar, então a única coisa que você pode fazer é ser sincero consigo mesmo, se esforçar ao máximo em todas as etapas e depois torcer pra que alguém mais goste do resultado. A recepção por parte dos fãs do Ludovic tem sido muito melhor do que eu esperava. Enquanto eu estava gravando o EP, me parecia algo tão diferente de tudo que eu fiz no passado que me dava a certeza de que muita gente iria torcer o nariz. Mas foi o contrário disso, a resposta que eu tive foi surpreendentemente positiva. Fico feliz com isso, me dá segurança para explorar novos caminhos no disco que a gente tá gravando atualmente.

8. Reza a lenda que você não é muito a favor do download gratuito. Isso mudou?Qual a sua posição sobre o assunto musica livre na internet e essas coisas?!

Hoje em dia você precisa se adaptar a essa condição, não tem jeito. A regra atual do jogo é essa, o perfil de quem consome música mudou completamente, é preciso achar maneiras de usar essa nova conjuntura a seu favor. Para mim continua parecendo um pouco estranho, uma vez que o público e o mercado exigem gravações de boa qualidade, o que evidentemente custa um bom dinheiro, mas nem sempre quer pagar por isso – o que, pelo menos para músicos independentes, não é um quadro nada animador. Mas é assim que funciona, então o negócio é focar no lado positivo da coisa, pensar nas alternativas possíveis e seguir em frente.
9. Quais os planos com o projeto solo?! Pensa em sair do gueto e rodar mais o país?! Fale o que quiser pra quem quiser…
Os planos são de tocar o máximo possível, com quem nos chamar, em qualquer palco que nos receber. Fora isso, estamos gravando atualmente um disco "cheio", que deverá ter de 10 a 12 músicas inéditas, cuja previsão de lançamento é ainda para 2010. Estou muito empolgado com essa nova fase, espero poder contar com o apoio daqueles que me conhecem de meus projetos passados. Fora isso, muito obrigado a vocês pelo espaço. Tomara que a gente se encontre por aí em breve.

Fotos: Patrícia Caggegi

Originalmente Postado em: http://coletivonoize.blogspot.com/2010/03/hominiscanidaee-entrevista-jair-naves-e.html

Conheça uma banda de Surf music formada por Não-Surfistas!

A Sex on the Beach

A Sex on the beach faz surf music em uma cidade sem litoral. Vindo da cidade de Campina Grande no interior da Paraíba, conhecida pelo forró do seu São João e pela sua Universidade. Bem, os caras podem até terem se conhecido no ambiente universitário, mas com relação ao forró, é preferível o rock, o blues, o doo wop, o ska e é claro a surf music. Confira abaixo a entrevista feita com o guitarrista da banda, Diogo Rocha. Bateu o terral agora é só entrar, cabeça.

RL – Como se deu a idéia de fazer surf music em uma cidade sem praia como Campina Grande?

DR – Bem, apesar de ter surgido em Campina Grande todos os integrantes da primeira formação vieram de cidades praieras, Maceió (AL) e Aracaju (SE), talvez tenhamos trazido um pouquinho desse feeling desta época, e estejamos sendo um pouco saudosistas.

Porém não acreditamos que o som se delimite à condições geográficas de qualquer lugar, o que importa é o que você está sentindo e quer transmitir naquele momento, não importa se você está no Carirí ou na Califórnia.

RL – Todos os integrantes já tocaram em outras bandas ou essa foi à primeira empreitada?

DR – Todos nós já tocávamos à bastante tempo em nossas cidades de origem, eu mesmo já devo ter tocado em mais de cinco bandas por Maceió, mas acredito que este seja o primeiro projeto de verdade em que nos entregamos.

RL – Fala pra gente. Quais são as principais influências da banda?

DR – Bom, falar disso é bastante difícil, temos influências diversas, cada um com seus gostos peculiarmente individuais. Temos obviamente influências marcantes de blues, jazz, hillbilly, dentre outras que são mais fáceis, de se identificar, mas não nos limitamos a um determinado estilo de música. Podemos citar algumas bandas consagradas dentro do surf music como Dick Dale, The Ventures, Surf Coasters, Langhorns, Bambi Molesters, Los Straitjackets, etc, que contribuíram bastante para nossa identidade, nosso jeito de tocar.

 RL – A banda faz parte do Natora Coletivo, que é o ponto Fora-do-eixo em Campina Grande. O que isso vem ajudando a cena local?

DR – Com o surgimento do coletivo, juntamente à sua integração no CFE, a cidade vem tendo um boom de gente nova, demonstrando interesse em  produzir material de qualidade e expandir os horizontes, seja em bandas ou produção audiovisual, etc. Conseguimos aumentar significativamente a circulação de bandas na cidade, fazendo um link direto com a cidade de João Pessoa e as outras capitais do nordeste, fazendo com que as pessoas vejam que o cenário independente está funcionando, e devagar estamos conseguindo fomentar a cena local, formando um público consistente, uma massa crítica. Gerando uma forte visibilidade para todo o país.

Talvez ainda seja um pouco cedo para tirar conclusões sobre a situação local, mas podemos dizer que com certeza em muito pouco tempo todo esse investimento que está sendo feito trará ótimos resultados pra cidade.

 RL – Vocês trabalham intensivamente no Coletivo? O que acham da teoria do “artista igual a pedreiro”, onde a banda é responsável por todo o processo da produção a apresentação?

DR – Sim, eu e Marlo, por exemplo, fazemos parte do que podemos chamar de núcleo durável do coletivo, onde nos dedicamos à maior parte de nosso tempo possível para práticas relacionadas ao mesmo.

Quanto a nossa opinião sobre “artista igual a pedreiro”, bem, essa era nossa interpretação de como uma banda deveria se portar desde antes de conhecermos tal “termo”. Se você quer montar uma banda hoje em dia, e quer obter algum respaldo até mesmo na sua própria cidade você tem que batalhar, correr atrás das coisas, dentro da banda nós desenvolvemos todos os materiais de divulgação, organizamos nossos shows, estamos montando palco, alugando som, fazendo os cartazes, distribuindo flyers, e quanto não estamos tocando, estamos sempre dispostos a ajudar aqueles com quem estamos dividindo palco, ou estamos na portaria, vendendo CD’s na banquinha, registrando os shows etc.

 RL – Em Belo Horizonte (MG), curiosamente, acontece o maior festival de surf music do Brasil, o Primeiro Campeonato Mineiro de Surf. Já entraram em contato com eles para participar do festival?

DR – Bom, com certeza tocar no 1º Campeonato de Surf Mineiro de Surf é um sonho que nós temos enquanto uma banda de surf music brasileira, até agora não entramos em contato com o pessoal do festival diretamente para isto, apesar de já termos conversado com o Claudão da “A Obra”, Leopoldo da Reverb Brasil, (ambos organizadores do evento) e trocado material, mas acreditamos que tocar no Campeonato será algo que alcançaremos através do reconhecimento de nosso trabalho, e quem sabe esse ano não damos um pulo por lá!

 RL – Quais bandas brasileiras independentes do estilo que vocês dariam destaque?

DR – Bom, podemos citar diversas bandas, onde no cenário independente tem crescido bastante, e não tenho medo de dizer que as melhores bandas que nós temos atualmente em nosso país fazem parte desta cena.

Pelo trabalho apresentado nos últimos anos podemos citar a Burro Morto, Macaco Bong, Plástico Lunar, The Baggios, fica difícil definir entre poucas as bandas “mais mais” desse país, falo destas por ter tido a possibilidade de dividir palco com os mesmos e ver o quanto eles botam pra fuder ao vivo.

 RL – Vocês lançaram o primeiro EP em 2009. Como está sendo a circulação do disco?

DR – Está sendo ótima, conseguimos contatos em todo o país através desse material, estamos tendo uma boa quantidade de acessos em outros países principalmente nos Estados Unidos e na Europa, além de já termos recebido convites para tocar em diversas cidades com menos de um ano de banda. Está repercutindo de uma maneira muito boa. 

 RL – Sendo uma banda instrumental, como se dá o processo de dar título às músicas? Existe algum conceito?

DR – Bom esse lance de dar nome às musicas é uma coisa ótima. Podemos colocar praticamente o que quisermos que não fica estranho. Mas tivemos algumas preocupações, por exemplo, nesse nosso primeiro EP, como estávamos praticamente apresentando a banda, dando a receita do que seria o nosso som, resolvemos fazer uma analogia direta aos ingredientes do drink que dá o nome à banda, Vodka, Suco de Laranja, Licor de Pêssego, todos estes estão contidos na bebida.

 RL – O que o público de Maceió pode esperar do show de vocês no Grito Rock?

DR – Bom, não só o público de Maceió, como qualquer pessoa que for nos ver tocar pode esperar um som animado, verdadeiro, tocado com sentimento, e uma puta energia no palco, transmitida diretamente para toda a platéia.

 RL – Pra fechar, alguém da banda surfa?

DR – Nem a pau!

CONHEÇA A PUMPING ENGINES

 

Banda formada por integrantes de Mossoró toca no Grito Rock Alagoas!

 

Eles vem direto de Mossoró, interior do Rio Grande do Norte e com apenas quatro meses de banda e três shows realizados em terras potiguares o Pumping Engines foi um dos selecionados para tocar no Grito Rock Alagoas, que rola dia 05 em Maceió, na Praça Marcílio Dias e dias 06 em Arapiraca, no Lago da Perucana. A entrevista por email se deu com o baixista e vocalista da banda, Kallyl Lamarck, que já tocou na banda Brand New Hate, e diz que vem para beber e berrar! Confira a entrevista:

 

 RL – Primeiramente queria que você esclarecesse uma dúvida de alguns de nós do coletivo. O nome Pumping Engines é devido à frase: “Fuel is pumping engines” da música Fuel do Metallica?

 KL: Certamente meu caro!

 RL – Você tocava no Brand New Hate. A saída da banda se deu para montar o Pumping Engines? Como surgiu a banda?

 KL: Saí por querer tocar algo mais pesado, não era o Pumping Engines ainda… Toquei em outras bandas, mas só deu certo quando Amilton (guitarra do Brand New Hate que toca comigo desde 2005) se juntou novamente a mim e nós formamos o Pumping Engines.

 RL – Metade da banda é da cidade de Mossoró. De primeira, lembro de bandas como o Catarro e o Mahatma Gangue. Na cidade existe separação de hardcore e metal ou vocês se dão bem com o pessoal do HC?

 KL: Metade nada… a banda toda é mossoroense, mas a galera se encontrou em Natal! Cara, separação há como em toda cena. Metaleiro é meio cabeça dura, só escuta metal e acabou-se. Em Mossoró reina o metal ainda, mas temos bandas excelentes de hardcore e cross-over como Catarro, Lei do Cão, Mahatma Gangue, que fazem turnê freqüentemente pelo Brasil inteiro…

 

RL – O Estado do Rio Grande do Norte tem certa tradição com o metal. Rola resistência dos headbangers com o som de vocês, por ele não ser heavy/thrash/death metal tradicional?

KL: Com o Pumping Engines não tivemos rejeição, mas por ter tocado pouco ainda, mas não ficarei surpreso caso haja essa rejeição da galera de preto.

RL – Como anda a freqüência de shows do grupo no Rio Grande do Norte? Já tocaram em outros Estados?

KL: A banda ganhou vida em outubro de 2009, tocamos apenas três vezes. Nunca tocamos em outro estado!

RL – Vocês lançaram o EP Ignition ainda em 2009. Já têm planos para um cd completo?

KL: Planos, temos bilhões. Conseguimos o apoio da Xubba Musik que irá lançar nosso próximo EP (RAM), deve sair antes de junho, e quem sabe se for bem aceito e agente tiver música suficiente (e grana!), poderíamos lançar um CD sim.

RL – Quais bandas atuais, independentes brasileiras, de estilo mais pesado vocês destacariam?

KL: Mechanics (GO), MQN (GO), AMP (PE), Facada (CE), Lei do Cão (RN), além de muitas outras…

RL – Trabalham com algum coletivo em Mossoró ou Natal? O que acha desse sistema para promover a música independente?

KL: Cara, meu coletivo em Mossoró é o meu broder Philippe “Leitão”, desde que cheguei lá agente se juntou e faz shows na raça mesmo, se fode, mas tem dado certo! Acho que finalmente a coisa ta funcionando como deveria, tem que haver interação entre coletivos, promover bandas, promover shows e diversidade cultural, mostrar bandas novas e cultura nova. Sem essa onda de coletivos, jamais chegaria!

RL – Quais as expectativas para os shows do Grito rock de Maceió e de Arapiraca? 

KL: Broder, espero que todo tempo que a gente vem investindo na banda sirva pra alguma coisa, não conhecemos muito de Maceió e Arapiraca, na verdade, conhecemos pouco das cenas do Nordeste. Mas tomara que a cerveja daí seja tão gelada quanto à daqui!

RL – Pra finalizar: Pantera ou Sepultura?

KL: Mastodon!

My Midi Valentine – 8 Bit Music com sotaque brasileiro

Por ilankriger em http://www.ilankriger.net/blog/my-midi-valentine-8-bit-music-com-sotaque-brasileiro/

Adoro 8 Bit Music, não é a toa que uma das competições de remix do selo Eletrodomesticos (organizado aqui no site – Rolling Baby / Broken Mario), teve uma música que bebe desta fonte, eu também já dediquei alguns artigos especiais sobre o assunto aqui no site:

Um pouco antes de sair de férias (fiquei fora de 5 a 25 de janeiro), conheci o trabalho do My Midi Valentine, que é formado pelo Macos Cajureiro e Tales Maia. Eles misturam elementos orgânicos (baixo, guitarra, violão e Trompete, teclado, controlador e pads) com a música eletrônica, isso tudo com samples dos velhos video-games.

Aproveitei para fazer uma entrevista com o Tales, essa entrevista fecha uma boa sequencia de artigos com artistas: Lucio K (rei dos mash-ups), Lucas Parisi (Orqestra de Laptops) e Jorge Brea (distribuição de selos).

Entrevista com Tales Maia do My Midi Valentine

  • Como surgiu o interesse de produzir 8 bit music?

O projeto surgiu em 2006, quando comecei a usar vst’s e percebi que alguns deles, remetiam aos barulhinhos de videogame. Daí, surgiu uma ideia de criar músicas de indie pop com esses sons. Até então, ainda não tinha contato com nemhum outro projeto, e nem a propria tag, 8 bit. Tanto que nas primeiras músicas, tem toda uma estrutura de baixo, bateria, guitarra. Isso acontece pelo fato deu ter me inspirado nas fontes que eu tinha lembrança. Que eram os cartuchos de Super Nintendo adiante. Não peguei a corrida do chip, desde o Commodoro 64, Atari e etc…

  • Quais softwares e hardwares você utiliza?

No inicio usava o Guita Pro, em seguida passei a usar o Fruity Loops, e é o que uso até hoje. De Hardware, apenas o notebook e uma placa de som externa.

  • Como você sampleia os sons de video-game?

Basicamente, eu não uso nemhum sampler. Somente vst’s ( QuadraSid, Unknow64, VlCasio, Chip32…)

Como são as apresentações ao vivo do projeto?

No início a ideia era somente produzir músicas. Depois, surgindo a necessidade de shows, passei a cantar. Soltava a programação e simplesmente cantava as músicas. Depois a ideia se tornou em tocar o maior número possível de intrumentos orgânicos, e foi aó que entrou o meu parceiro de banda, Tales Maia. Hoje fazemos o show substituindo a maior parte de programação possível, tocando baixo, guitarra, violão, trompete, teclado, controlador e pads. Revezamos os instrumentos, tentando criar um show 8-bit / orgânico.

Como é o mercado para Djs e produtores musicais em Alagoas?

No momento, ainda não temos muita consciência disso. Não fazemos parte de uma cena de Dj’s, normalmente tocamos em locais que dão espaços para show de Alt/indie rock. Fazemos parte de um coletivo que tem como uma das atividades, um selo musical. Mas tambem está crescendo na parte de produção de shows, que é o Coletivo Popfuzz ( www.popfuzz.com.br ). Nos proximos dia 04 e 05 de Fevereiro, iremos tocar em Recife e em maceió, nas edições do Grito Rock de cada ciade. Que está sendo promovido em conjunto com o Circuito Fora do Eixo, e realizado em Maceió e Arapiraca ( no estado de Alagoas ) , pelo Coletivo Popfuzz.

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Entrevista com Sandney Farias, Vocalista e Guitarrista da Misantropia!

 

Eu acredito que quem acompanhou a cena punk/hardcore do final dos anos 90, começo dos anos 00 viu alguns shows dessa banda. Era uma época em que se rendiam bons frutos e que contava com a presença engajada de pessoas que acreditavam ser possível realizar shows, muitas vezes colocando grana do próprio bolso para ver a coisa render. E com certeza muitas dessas pessoas que viram o show da banda sentiram sua força e sua presença. O nome dessa banda é Misantropia.

 

 

 

Misantropia é uma verdadeira instituição do hardcore alagoano, e por que não dizer? Do hardcore nacional, e o vocalista, guitarrista e compositor Sandney Farias e companheiros de banda continuam conseguindo fazer a coisa funcionar, há cerca de 18 anos.

 

Segue a entrevista com o indivíduo mais respeitado por quem acompanhou os shows da banda em Maceió, uma amostra de como ele pensa e de como suas idéias repercutem no som da banda. O tempo passou, os rostos ficaram diferentes, as barrigas cresceram mas a Misantropia não desacelerou, e continua dando uma verdadeira aula de hardcore para muita banda iniciante.

 

E você vai poder ver a banda voltar a ação no show de domingo, com um baterista novo, figura conhecida e admirada do hardcore alagoano, chamado Ives Toledo. O show de domingo conta ainda com as bandas The Biggs (SP), The Baggios (SE) e Baztian. Algumas palavras para você se instigar pra ir:

 

Bruno Jaborandy: Conta para a gente uma história resumida da Misantropia…

 

Sandney Farias: A Misantropia é uma banda que nasceu em junho de 1991 com o intuito de mudar o mundo. Não conseguimos mudá-lo, mas durante esse tempo de existência aprendemos muito, quebramos nossa cara várias vezes, fizemos várias amizades e descobrimos que fazer o que você gosta sem se preocupar com o retorno financeiro, com fama e/ou reconhecimento é algo que da um prazer imenso.Continuamos acreditando que a forma como nos relacionamos em sociedade e o sistema no qual vivemos precisar mudar, mas aprendemos que o esforço necessário para provocar essa mudança não virá apenas de acordes de guitarras e nem muito menos das palavras que pronunciamos. Um mundo livre, fraterno, baseado em princípios libertários e autogestionário exige uma evolução muito grande de cada ser que habita esse planeta, estamos nessa luta buscando evoluir enquanto indivíduos e a Misantropia é uma parte importante desse processo.

 

BJ:Vocês estão há quase 20 anos fazendo parte do underground alagoano. Qual a receita para continuar na atividade?

 

SF:Acredito que o segredo da longevidade da banda está associado à forma como a encaramos. A Misantropia é extremamente importante para nós, um meio pelo qual colocarmos para fora o que sentimos e nunca nos preocupamos demasiadamente com o dia de amanhã enquanto banda. Há um respeito muito grande entre os integrantes, independente dele estar na banda há 15 anos ou um dia, fazemos a coisa de coração e isso facilita a nossa caminhada. Dificuldades e problemas existem, mas preferimos focar naquilo que nos realiza.

 

BJ:A Misantropia é a banda mais importante para o hardcore alagoano, você sente que a banda influenciou o surgimento de novos grupos no estado?

 

SF:Com certeza somos a banda de hardcore alagoana que há mais tempo está na ativa, mas soa estranho para mim, e creio que para os outros integrantes, pensar que somos a mais importante dentro do cenário local. Tivemos e temos grandes bandas que fazem um som de qualidade na cena hardcore alagoana – não só nela, que foram e são importantes para que a coisa toda funcione e sobreviva.  Algumas pessoas que conhecemos e integrantes de bandas com as quais já tocamos nos falaram que a Misantropia era uma influência para elas. Ficamos felizes quando alguém nos fala isso, também ficamos um pouco sem jeito, mas entendo isso como um ciclo contínuo de retroalimentação. Fomos influenciados e motivados por outras bandas, por ideias e ideais, felizmente de alguma forma também participamos como um agente nesse ciclo.

 

BJ:Como era ser punk no começo da década de 90?

 

SF:Não era algo fácil, como creio que ainda não é hoje em dia. Uma coisa é você rasgar uma calça, colocar um moicano e sair dizendo que é punk, outra coisa é você "ser" punk – mas vou evitar analisar a questão pelo lado filosófico.

O que percebo hoje em dia é que usar um moicano ou ter uma banda já é algo que os pais acham bonitinho, aceitam e apóiam – não tenho nada contra isso e adoraria ter contado com o apoio de todos lá em casa. Na nossa época não era assim. Fora o Júnior, cuja mãe ajudava na hora de levantar o moicano, a maioria da galera já encontrava resistência dentro de casa. Passei muitos anos trocando poucas palavras com meu pai, sempre que ia cortar o cabelo ele fechava a cara para o meu lado. No colégio algumas pessoas me evitavam, como eu andava de coturno e com vários bottons alguns professores também me marcavam. A mãe de um amigo meu o proibiu de andar comigo, pois eu era má influencia, apesar de sermos amigos de infância e ela conhecer a minha família. Mas algumas pessoas também se aproximavam, porque de alguma forma o visual chamava a atenção. Havia um certo preconceito como ainda hoje há, só que acredito que o visual já se tornou lugar comum. Moicano, piercing e tatuagem já não assustam tanto quanto assustavam antigamente.

 

BJ:Que outras bandas que fizeram parte do hardcore alagoano você citaria como importantes para o movimento ?

 

SF:Vou responder a questão considerando a cena hardcore e não o movimento punk/anarquista. Não posso deixar de citar o Leprosário, creio que uma das primeiras bandas punks aqui de Alagoas – que teve o Nino do Discarga em uma de suas formações. Eles são contemporâneos da Karne Krua e fizeram parte de um grupo de pessoas que movimentaram muito a cena local na década de 80. Ainda tive a oportunidade de assistir a um show deles, também conheci e troquei ideais com o vocalista da banda. Sei que na época deles tivemos bandas como Ejaculação Precoce e Acracia. A Living in the Shit, praticamente começamos na mesma época, que tocava um hc bastante furioso e original é outra banda que deve ser citada. Não há como esquecer a clássica música deles Vivendo em Maceió. Temos também a Mental Problems de onde saíram o Marcelo e o Alvinho Cabral. Tem a Sinsinhor que foi/é uma banda que sempre batalhou muito também para se manter na ativa, que se não me engano gravou dois CDs e durante muito tempo organizou vários eventos na cidade. Mais recentemente, já do século atual, temos a Sleep Out, General Zorg, Full Line, Mutação e a Contra. O que acho interessante no caso da Contra é que além do som ela trouxe um lado ideológico, de organização e de movimentação muito forte que rendeu bons frutos, além de ter influenciado várias iniciativas que surgiram depois.

 

BJ:Você tem acompanhado os documentários mais recentes sobre o punk/hardcore, como os brasileiros Botinada e Guidable, e os gringos, American Hardcore e Punk Attitude?

 

SF:Já assisti ao Botinada e ao American Hardcore, mas ainda não vi o Guidable e o Punk Attitude. É muito bom ver pessoas que estão na luta há tempos contando um pouco do que viveram e vivem. Outro dia até viajei na ideia de produzirmos algo que levantasse um pouco da história da cena local. Gostaria de saber por onde anda o pessoal do Leprosário e de outras tantas bandas que tocaram os primeiros acordes distorcidos aqui em Alagoas.

 

BJ:Você acompanha as notícias sobre política no Brasil e no mundo?

 

SF:Eu procuro me manter informado. Como trabalho com internet passo boa parte do tempo navegando e sempre estou atento as notícias. No entanto confesso que a política nacional e/ou mundial não são os meus assuntos prediletos, mas presto muita atenção ao que acontece ao meu redor.

Há muito tempo que eu não acredito nesse sistema, não acredito nos políticos e na sua preocupação com o nosso bem estar. Na realidade somos todos parte de uma grande engrenagem – como diria a banda Restos de Nada- somos todos escravos de uma balde de lixo – que sustenta tudo isso e que infelizmente ainda vai demorar muito para mudar.  Nós nos acostumamos com isso tudo, a enganarmos e sermos enganados. Infelizmente para boa parte da humanidade não é possível vivermos de uma forma diferente. Acomodamo-nos com a forma como vivemos há muito séculos e com a caixinha que já vem preparada para vivermos dentro dela.

 

BJ:O que você acha dos novos movimentos musicais e de estilo que surgiram se dizendo inspirados pelo punk, como o emo?

 

SF:Tenho uma fita de um show do Cólera na qual o Redson fala mais ou menos o seguinte: O nosso maior inimigo não são as pessoas que escutam um som diferente do nosso, eu concordo com ele. Há vários estilos musicais dos quais eu não gosto, várias bandas que eu acho uma porcaria mesmo elas se dizendo inspiradas pelo punk. O que faço é não escutar bandas cujo som eu não curto. Não gostar de um determinado estilo musical não significa que provavelmente não irei gostar das pessoas que curtem aquele estilo.

 

BJ:Qual a expectativa para o show do dia 17?

 

SF:Cara são as melhores possíveis. Será praticamente o nosso primeiro show com o Ives, ele tocou na despedida do Wagner no estúdio do Pedrinho, mas será realmente o primeiro show com ele.  Estamos ensaiando muito. Ontem, 07/01, ensaiamos quase duas horas para passar todos os sons e na semana que vem teremos mais uma maratona dessas. Vamos aproveitar também para divulgar nosso CD, afinal desde que o lançamos fizemos poucos shows. Além disso, estou muito feliz por ver novas iniciativas surgindo (Coletivo PopFuzz e FVM Produções), pessoas se organizando e fazendo as correrias. Sempre senti saudades dos tempos de Verde HC e ultimamente elas ficaram ainda maiores.

 

BJ:O que você acha da cultura de coletivos, que vem crescendo no Brasil?

 

SF:Quando fomos tocar em Recife no ano passado estava trocando ideias com um amigo nosso e falava a ele que deveríamos procurar fortalecer as nossas relações com base nas afinidades que temos, deixando de lado nossos pontos de divergência – afinal nem sempre vamos concordar em tudo. Acredito que os coletivos surgem a partir da afinidade existente entre os seus integrantes que procuram se agrupar visando uma maior capacidade de mobilização e organização. Sendo assim, quando as propostas desses grupos são positivas e construtivas, a disseminação e proliferação dessa cultura é algo que tende, na pior das hipóteses,  a gerar benefícios para os indivíduos que fazem parte do coletivo. Tenho percebido também que os diversos coletivos estão se integrando, unindo forças e aumentando ainda mais a capacidade de articulação. Raul Seixas já dizia: sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só, mas um sonho que se sonha junto é realidade.

 

BJ:Para terminar: que conselho você daria para um garoto que começou a ouvir hardcore e que conseguiu ganhar uma guitarra?

 

SF:Se eu estivesse no lugar desse garoto a primeira coisa que faria seria tentar tirar os sons das bandas que curto, aproveitaria também para ter umas aulas e aprender a tocar guitarra para não chegar aos 35 me achando um péssimo guitarrista. Mas o principal, o que está acima de tudo, é você procurar conhecer o que está por trás da ideia do som que você curte. Não sou um xiita do tipo que acha que todo som tem que passar uma mensagem séria, mas acredito que quando você se envolve com algo, quando você vai levantar uma bandeira ou falar que se insere em determinado contexto deve saber o que defende. É muito fácil falar frases feitas, ser um papagaio, reproduzir idéias, mas provocar mudanças é extremamente complicado. Para mudar o mundo ao seu redor é necessário viver uma revolução diária dentro de você. Como diz uma música nossa tocada poucas vezes: a revolução não é um show de hardcore.

 

AUMENTA O VOLUME QUE É ROCK DO BOM: ENTREVISTA COM FLÁVIA BIGGS, DO THE BIGGS!

 

 

Ela está na correria do rock há um bom tempo e atualmente concilia as atividades de líder de banda, socióloga, professora, feminista, entre outras, como se descreve em sua página pessoal na internet. Seu nome é Flávia Biggs e ela é quem manda muito bem no vocal e guitarra da banda The Biggs, natural de Sorocaba, cidade natal do Wry, outra banda importante da cena underground nacional. Quando entrei em contato com ela falei o quanto admirava a banda, que era trilha sonora das minhas aventuras de bike por essa Maceió, o que ela achou massa!

 

Leia agora a entrevista que fiz com ela por email e conheça mais um pouco mais da Flávia, por meio de suas respostas muito bem humoradas. Se instigue também para ver o show da banda dela, que toca aqui em Maceió no dia 17, no The Jungle, ás 18:00, acompanhada das bandas The Baggios, de Sergipe, Baztian e Misantropia. Enjoy!

BJ: Desculpa se a pergunta for um pouco óbvia, mas o nome da banda tem algo a ver com Ronald Biggs?

 

FB: (Risos)Tem a ver sim, quando estávamos montando a banda, queríamos um nome que fosse tipo sobrenome de família, sabe? como "Ramones", "Smiths", isso foi bem na época em que os Sex Pistols vieram tocar no Brasil, tipo 96, eu tava lendo o jornal e tinha uma matéria falando do Ronald Biggs, do assalto ao “trem pagador”, sua relação com o punk rock, com os Sex Pistols, sua fuga para o Brasil, sua vida loca hahaha! Achamos que tinha tudo a ver, que soava legal, então adotamos pra banda, rolou!!

 

BJ: Você vem há cerca de dez anos fazendo um ótimo trabalho na cena underground brasileira, quais conselhos você daria a uma banda iniciante para se manter ativa ?

 

FB: Pra mim o mais importante é fazer porque gosta, porque não vive sem, tenho banda desde que me entendo por gente. Gosto de rock, de galera, do rolê do rock, conheço a Brown e a Mayra praticamente metade da minha vida, eles são como irmãos meus, amo tocar com eles, somos amigos, tomamos cerveja juntos, brigamos, fazemos a pazes e fazemos um som juntos, e isto é uma grande felicidade. Acredito que enquanto tivermos prazer em fazer musica juntos, e ficarmos contentes com o resultado, vamos continuar fazendo, pra mim banda é família. O lance de ficar buscando fórmulas de sucesso, tentando se encaixar em modismos é que frusta as bandas. Se você quer montar uma banda porque curte tocar com seus amigos, criar, fazer arte com eles, então manda brasa, o que vier, além disso, é lucro.

 

BJ: As outras formas de arte (cinema, literatura, artes plásticas) também tem influência na sua música?

 

FB: Com certeza! O som q fazemos é um reflexo das coisas que a gente vive, sente, vê, respira, absorve, tem influência na nossa vida, portanto na nossa música, gostamos de muita coisa, mas especialmente, arte/cultura marginal e suas expressões é com a gente mesmo! rsrsrs

 

BJ:Essa é uma pergunta que eu sempre gosto de fazer: teve algum momento, ou algum disco/filme/livro que teve uma influência maior no seu desejo de fazer música?

 

FB: Teve sim. Ramones!! A primeira vez que ouvi Ramones foi incrível, um mundo novo se abriu pra mim, o disco era "Rocket to Russia" um amigo me emprestou, eu já ouvia as bandas que meu irmão rolava em casa tipo Iron Maiden, mas sempre achei aquilo super “over” complicadão, fora da realidade, mas os Ramones não, eles pareciam dizer "olha como é fácil, faça você também"e foi ai, que aprendi os primeiros “power chords”, q a propósito uso até hoje hahaha!

 

BJ: Na cena atual brasileira, que bandas você admira?

 

FB: Bom, gostar gosto de várias!! Mas admirar eu admiro HellSakura (sonzera da Cherry (okoto), Human Trash ( outra banda da Mayra Biggs, um garage rock lindão), Leptospirose (jazzgrind mais style do mundo), Muzzarelas (guerreiros do rock underground), Pugna (rockdrão da minha quebrada aqui!! rs), Walverdes (puta sonzera, lá de Poa)! Admiro também as bandas contemporâneas do Biggs, guerreiras, que continuam na ativa também, tipo Wry, Garagefuzz, daí do nordeste tem o Snooze, Dago Red  entre outras! You rock!

 

 

BJ: Pelo fato de ser mulher em um cenário onde ainda há pouca presença feminina,  você sente que a banda é uma influência para que mais garotas queiram formar bandas?

 

FB:Por ser mulher, pelo tempo que temos de história, pelo “feedback” que recebemos por ai, acredito que sim, como banda não temos esta missão, somos pessoas que gostam de música e que fazem música juntos, somos verdadeiros, temos nossas ideologias e posturas em relação à vida como um todo, e isso influencia as mulheres e homens com quem temos/tivemos contato em nossas vidas, de role por ai, assim como somos influenciados todos os dias através da relações sociais que estabelecemos no nosso dia a dia, transformando e absorvendo idéias.

 

BJ:Você já tocou em Maceió? Qual a expectativa para o show do dia 17?

 

Nunca tocamos! Estamos super ansiosos, espero que seja super massa, que a galera curta o show, que façamos novos amigos, que dê tudo certo, e que dê tempo da gente dar um role pra conhecer a cidade!

 

BJ:Qual a sua opinião sobre a cultura de coletivos que vem surgindo e tomando força no cenário da música independente?

 

FB:Acho ótimo! Quanto mais galera se articulando pra fazer as coisas acontecerem melhor! É bom pra todo mundo, a troca de idéias de informações, a partilha, a solidariedade, só faz fortalecer a todos, como grupo e como indivíduos!

 

FB: Você usa as redes sociais para divulgar o trabalho da banda?

BJ: Sim, usamos orkut, facebook e twitter, super necessário e fácil, vixiii antigamente mandávamos, cartas e fitas K7 pelo correio!

 

BJ:Qual momento você destacaria na história do The Biggs como sendo o mais importante?

FB:Durante quase 15 anos de banda, muitas coisas legais aconteceram, tanto de reconhecimento quanto de oportunidade. Acho que posso destacar a nossa tour pra Argentina, o reconhecimento no livro “O que é punk”, do Antonio Bivar, os amigos que fizemos nesta trajetória que nos presentearam com gravações em programas de TV, vídeo- clipes, fotos, coletâneas internacionais, que votaram muito na gente pro prêmio Dynamite de música independente, tanto que acabamos ficamos em terceiro lugar na categoria “melhor álbum de rock”, atrás de Nação Zumbi e Cachorro Grande, pode? (risos). Não ganhamos mas foi um grande feito, pra uma banda lado B, ficamos felizes, isso entre tantas outras coisas, todas que foram rolando, meio que sem a gente planejar.

 

 

BJ: Em Sorocaba quais os lugares aos quais você levaria alguém que quisesse conhecer a cidade?

 

FB: Bom depende de quem fosse a pessoa! se fosse uma roqueira locona levaria para tomar uma no Shogum de aquecimento depois colaria no Asteroid (bar dos caras do Wry), depois quando amanhecesse levaria no parque das águas ver o sol nascer esperando a poeira baixar! (risos) Se fosse minha tia levaria na Padaria Real comer uma coxinha e nos lindos museus da cidade, se fosse um colega bikeiro como eu, levaria dar uma volta pelas ciclovias da cidade, se não me engano temos a maior extensão de ciclovias do pais! Você curte dar role de byke também né Bruno? Ouvindo Biggs! Brigadão hein! ;)

 

  

BJ:Algumas bandas brasileiras, como o Wry e Diesel tiveram a experiência de morar um tempo fora do Brasil, isso chegou a passar pela cabeça de vocês da The Biggs?

FB:Como banda não, como indivíduos já passamos períodos fora do país, mas sempre com idéia de voltar. Turnês tão sempre nas nossas cabeças adoramos dar role por ai, conhecer lugares e pessoas, tocando ainda…não tem nada melhor!

 

BJ:Os integrantes da The Biggs possuem outros empregos além da banda?

 

FB:Sim temos, haha! que dera fosse só rock dia e noite! Bom a Mayra é designer gráfica, faz uns trampos de ilustração, muito bons por sinal ;), eu sou professora de Sociologia, fico colocando minhoca na cabeça da molecada! Haha! e o Brown atualmente é gerente administrativo, tipo braço direito do patrão, até treinou alguém pra ficar no lugar dele durante a Tour! Mas ta se formando professor de Educação Física! Ui! 

 

 

Quais foram os grandes momentos da turnê de 2007? Como foi tocar na Argentina? 

 

Foi ótimo fizemos o role todo de carro! Fomos descendo fazendo shows pelo sul, Curitiba, Porto Alegre, São Leopoldo, Bento Gonçalves, passando pelo Uruguai até a Argentina, lá ficamos hospedados na casa Zombie das minas da banda She Devils fizemos mais uns 6 shows por lá com as bandas She Devils, Il Diabolo, Del Fuego, Fuzzly (de Cuiabá que tava de turnê por la também) entre outras. Esperamos voltar  pra lá em breve, super recomendo!!

 

 

 

 Bruno Jaborandy

A VOZ DOS RENEGADOS!

Entrevista com Daniela, vocalista e guitarrista da The Renegades of Punk

ROP

Ela é a voz da banda The Renegades of Punk e começou a arranhar algum instrumento por volta dos 15 anos de idade, e, aos 17, já tinha banda de hardcore. Já esteve em Maceió algumas vezes com duas bandas diferentes e a expectativa para o show que vai rolar nessa sexta-feira, junto com as bandas alagoanas Dad Fucked and The Mad Skunks e Morra Tentando, é a melhor possível. Conheça mais um pouco de Daniela nessa entrevista que fiz com ela, por email.

BJ – Queria que você fizesse uma pequena biografia da banda. Em que ano ela surgiu e como os integrantes se conheceram.

D- Bom, a banda começou de fato mesmo no inicio de 2007. Nessa época éramos eu, Ivo e Mauricio. A gente se conhecia do rolê mesmo, das bandas, shows… já éramos amigos de Mauricio e estávamos todos sempre falando em fazer algo juntos. Aí um dia botamos os planos em prática.

BJ- Você já participou de outras bandas da cena hardcore do seu estado. Como foi ter passado por essas bandas?

D- É, na verdade eu sempre toquei em bandas de hardcore. Minha outra atual banda (The Jezebels) é a primeira coisa mais “light” que eu faço. Foi legal ter feito esses projetos acontecerem. Eles representaram muito pra mim, pra todos que estavam envolvidos na época e, ouso dizer, até pra própria cena sergipana. Foram experiências marcantes que servem como uma espécie de trilha sonora de nossa vida. Felizmente e inevitavelmente a gente vai somando mais música a essa trilha e apostando em projetos novos, que também são expressão do que a gente ta vivendo no momento.

BJ-Tem algum disco ou algum acontecimento que marcaram a sua vontade de fazer música?

D-Com certeza! Vários! Mas o que eu lembro mais lá atrás foi uma coisa bem boba, mas que ficou na minha memória: ver o L7 tocando no Hollywood Rock em 93.

BJ-Como foi a experiência de tocar em Maceió?

A experiência foi legal. Eu tinha contato estreito com amigos daí e me senti super em casa na época. Mas já fazem 5 anos que não pisamos em solo alagoano, estamos ansiosos.

BJ- Qual a expectativa para esse show?

D- Ah! A melhor possível! Tem tempo que não passamos por aí, estamos sem ter notícias de Maceió tem tempo e queremos rever essa terra e nos interar do que está acontecendo aí, conhecer gente, bandas, trocar idéias e fazer aquele barulho, claro.

BJ-Na sua opinião qual a importância dos coletivos no atual panorama cultural brasileiro?

D-Acho legal quando as pessoas se juntam pra encontrar meios de realizar o que idealizam, o que acham relevante, etc. A criação de coletivos é uma das formas de organizar eventos, se mobilizar cultural e politicamente, e criar uma rede de cooperação para fins em comum. O problema que às vezes ocorre é que a “forma” engole o “conteúdo”. Às vezes a preocupação excessiva com democracismos e consensos acaba por desmobilizar e atrapalhar ações que uma ou duas pessoas poderiam estar realizando de forma mais prática e dinâmica. Assim, acredito que os coletivos são uma forma de organização, mas não são a única e nem necessariamente a melhor. Estamos passando por um momento interessante nesse sentido, a quantidade de coletivos novos é enorme e espero que se estabeleçam de forma inteligente. Mas, independente da forma de organização, o importante é não parar de fazer acontecer.

BJ-Você é adepta do veganismo. Em que momento você tomou consciência do que isso representa e como isso aconteceu?

Sim, eu sou vegana. Foi coisa de informação mesmo. Comecei a ver umas coisas, ler uns textos, conversar com amigos que já eram vegetarianos, enfim comecei a ter um pouco mais de ciência de como se faz e o que se faz dentro das fábricas de carnes e leite e a partir daí foi algo progressivo. Fui mudando hábitos, me tornei ovo-lacto-vegetariana e, logo em seguida, vegana.

BJ- Por haver poucas mulheres no cenário hardcore e pela postura que a sua banda tem você sente que atrai a atenção de outras garotas para o hardcore?

Nossa! Sinceramente? Eu gostaria! Hehe… É fato que existem poucas meninas, mas não só no hardcore e sim participando de uma forma mais geral, seja em banda, em zine, em coletivos… qualquer coisa. Sinto muita falta de ter outras garotas comigo neste barco e de ver, consumir coisas feitas por elas também. Mas fazer o que? Eu já pensei em mil coisas, tentei enxergar mil caminhos pra isso mudar. Se eu acabar chamando a atenção delas, maravilha. Meninas, join me!

BJ-Quais são os planos da The Renegades of Punk para 2010?

Nós estamos esperando chegar um re-lançamento nosso em 7’’ nosso que está saindo pelo selo alemão Thrashbastard, além de um 5 way com Os Estudantes, Ornitorrincos, Velho de Cancer e Homem-Elefante. Pretendemos continuar tocando e viajando o máximo possivel, e começar a produzir nosso 1º álbum (full) para tentar lançar no segundo semestre.

BJ- Quais ferramentas você usa para entrar em contato com os fãs de sua banda e para divulgação de shows?

Divulgação em geral é feita via internet pelos sites de relacionamento mesmo: comunidade da banda no orkut, fotolog, myspace, twitter, blogs de amigos e relacionados à cultura. Mas quando o show é mais local mesmo, aqui em Aracaju, além destas possibilidades, a gente ainda apela para o velho cartaz de show, a gente – principalmente Ivo – curte muito essa parte, e divulgação no rádio.