O declínio da civilização do centro-oeste (Emotional hardcore)
Qual é? Aqui estou eu mais uma vez neste site bolado da popfuzz para falar sobre um estilo do rock, mais especificamente do punk rock, mais especificamente do hardcore, mais especificamente do estilo mais cheio de preconceitos, picuinhas, complexos, pecados e contagiante também, por que não (ora bosta), o Emo (ai!).
Então antes de colocar pra fora o que este admirador leu e escutou sobre este flamigerado gênero do rock, vamos a nossa parte: o emo e eu (ui!)
Um ano depois, Blink 182 é emo (òòòòòò), MxPx é emo, No use for a name é emo. Oxe? Quer dizer que pop punk e hardcore melódico mudou de nome? Que frescura é essa? Porra!
Ai chegou uma tal de rufio que influenciava agora a galera toda. Aê, esse rufio é uma merda. Gosto não de emo. Pronto!
Com a chegada do maravilhoso mundo da internet na minha casa (atrasadíssimo) e com conversas com broders do hardcore que tavam por dentro já do estilo, eu resolvi ir atrás, porque afinal, se já havia visto o termo associado ao At The Drive-In, Trail of Dead e até o Fugazi. Porra, tô vacilando. Vale frisar que o mundo estava sendo dominado por franjas gigantes, maquiagens, um bolo de banda inspirada na parte mais pop do Cpm 22 e em Maceió era tipo a volta dos góticos do P7 com franja e roupa colorida. Mas ai eu descubro um mundo novo, várias bandas que tocam um hardcore cheio de quebradas, letras bonitas, vocal gritado e tudo underground pra caralho. Ai, eu um cara sensível, cheio de frustrações guardadas soltava a franga quando escutava essas bandas. Então vamo aê broderhood:
Novo amanhecer e “Proto–Emo”:
Os punks influentes de Minnesota, Husker du
Esssa é uma pequena introdução sobre o que em teoria influenciou o gênero musical digno de preconceito e tema desse artigo. Lá de Minnesota nos E.U.A vinham três caras que resolveram desacelerar e deixar menos político o seu hardcore, tratava-se do Husker Du. A banda possuía uma guitarra melódica, linhas de baixo bonitas e um vocal rasgado desesperado de seu vocalista e guitarrista, Bob Mould. Dois discos do grupo capturaram bem essa essência, Zen Arcade de 1984 e New Day rising de 1985. O grupo com músicas
Dança dos dias e o verão da revolução:
Capa do primeiro e único disco do Embrace
O gênero musical Emocore (Emotional Hardcore) surgiu no meio dos anos 80
Ainda há vida:
Still Life em ação
No final dos anos 80 e começo dos
Tudo é como círculos e o nascimento do Screamo
Swing kids em uma de suas caoticas apresentações nos anos 90
A Califórnia do começo dos anos 90 tinha mais uma fase ou onda para acrescentar ao estilo, agora bandas como: Honeywell, Heroin, Swing Kids, Antioch Arrow, Universal Order Of Armageddon. Além do hardcore de tempos quebrados, adicionaram a agressividade máxima as suas músicas, flertando com o noise, através de vocais exclusivamente gritados. A grande maioria dos grupos eram straight edge e vegetarianos. Era o nascimento do Screamo. O estilo desenvolvido na Califórnia venceu as barreiras e alcançou seguidores no Canadá como era o caso da obscura One Eyed God Prophecy, com todo o peso e agressividade mesclada ao metal e umas “parada” dark na real (rimou); e o Union of Uranus que possuía o mesmo estilo sem tanto a veia dark. Da metade pro final dos anos 90 o “screamo” continuou a agregar bandas como é o caso de: Saetia, Orchid, Circle Takes The Square, Hot Cross que mantiveram a chama acesa.
Nada parece bom
Os reinventores do Sunny day real estate
Foi na metade dos anos 90 que o estilo experimentou mutações, uma nova safra de bandas começaram a mesclar o emocore com o rock alternativo e até música mais pop da época, um grupo da já quase acabada cena de Seattle, foi uma das primeiras bandas a experimentarem a união do emo com estilos como o indie rock, tratava-se do Sunny day real estate. O primeiro disco da banda “Diary” lançado em 94 pegou *bigu com o que rolava da cena de sua cidade sendo lançado pelo selo Sub Pop e alcançando “popularidade”. Agora o gênero se tornava mais conhecido nos E.U.A e no resto do mundo.
De San Francisco o Jawbreaker trazia uma mistura com o pop punk e a banda foi responsável por influenciar grande parte das bandas que viriam no final dos anos 90’s começo dos 2000’s. Seu vocalista Blake Swarzenbach se tornou uma especie de herói do estilo. Na época existiam bandas como Texas is the reason, Sense Field, Samiam que também compartilhavam do pequeno sucesso alcançado pelo emo. Duas queridas e seminares para o estilo faziam história no underground vindo a se tornar icones do movimento. Em Chicago o Cap and Jazz com seus integrantes com faixa etária de no máximo 20 anos destruaiam tudo com sua mistura de emo, indie rock, pop punk e ritmos inusitados como bluegrass. Gravação Lo-fi, vocal engrolado e vamos dizer “desleixado” além do nome de seu único disco um tanto dificil “ Burritos, Inspiration Point, Fork Balloon Sports, Cards in the Spokes, Automatic Biographies, Kites, Kung Fu, Trophies, Banana Peels We've Slipped on and Egg Shells We've Tippy Toed Over”. O Cap and Jazz era uma banda atipica e possuia três heróis do movimento, Mike Kinsella, Tim Kinsella e Davey Von Bohlen. Os irmãos Kinsellas enveredaram pelo caminho mais experimental mas com muitos resquicios emo com as bandas: Joan of Arc e American football. Já Davey von Bohlen formou o Promisse Ring cujo o sub-título desse paragrafo foi batizado em homenagem ao primeiro disco da banda “nothing feels good” (como ficaria uma tradução dessa frase?).
No Texas outra banda fazia história no estilo, o Mineral. A banda trazia como front man o então ainda não icone Cris Simpson. O quarteto usava guitarras gritantes e se assemelhavam com o emo do sunny day real estate. A voz melancolica de Simpson junto as suas letras poeticas e espirituais influenciaram inúmeras bandas que viriam depois. Com término da banda, Simpson montou o Gloria Record que seguiu passoas parecidos ao do Mineral mas um pouco mais pop.
Garotos desajeitados do The Promise ring
No final dos anos 90 o emo estava em todos os lugares da terra da liberdade e da obesidade, o meio-oeste americano tinha inúmeras bandas, nessa mesma época o estilo foi criando seus esteriotipos (esteriotipos diferentes do que vocês pensaram) óculos de grau aro grosso, extremamente sensivel e literario e, querendo ou não, letras um tanto degradativa às mulheres, no sentido que devido a grande maioria de bandas masculinas e a maior quantidade das músicas sendo sobre algum garoto maltratado por uma garota (saca?). O estilo só crescia com bandas
A influência mais hardcore continuava em bandas como Hot water music, Small Brown Bike, Dillinger Four. O lançamento de uma série de compilações denominada emo diaries pelo selo Deep Elm Records espalhava o som produzido pelas bandas e anualmente passavam pelas coletâneas: Samiam, The Movielife, Jimmy eat world, Apleseed Cast, Further Seems Forever. E cada vez mais o estilo ia ganhando fãs até que o inevitavel aconteceu. O selo vagrant records, um dos responsáveis pela popularização do estilo lançando inúmeros grupos como: Alkaline Trio, Hey Mercedes, Reggie and The Full Effect, Saves The Day e etc.
Minhas esperanças são tão altas que seu beijo pode me matar
Finch
No começo dos anos 2000 o bastante emergente gênero conseguiu estourar graças a alguns personagens: Jimmy eat World com seu disco Bleeding America; Dashboard Confessional com o albúm The Places you have come to fear the most e a febre que se deu em torno da banda, que chegou a gravar um acústico na Mtv americana e a possuir uma penca de fãs histéricas. Bandas como Saves the day, Finch e até mais antigas como o Thursday iam bem. Os grandes personagens desse estouro e a adoção da viadagem com Fall Out Boy, My Chemical Romance, The Used (eu gosto de the used hahahaha). Calças apertadas, maquiagem, androginia pura (hahahahaha), franjas gigantes e sei lá, ridicularidade mesmo.
Uma tesoura armada e o folk encontra o emo
O imbativel At the drive-in
Ao mesmo tempo bandas com influencia do chamado real emo atingiam também o grande público. De El Paso, Texas, o avassalador At The Drive-In deixava seu legado por onde passava, criando sua futura lenda misturando Post hardcore, indie rock, soul. Também do Texas os locões do And You Will Know Us By The Trail Of Dead atingiam o mercado com seus resquicios do emo. De Omaha, Nebraska as influências do estilo encontravam o folk, o indie rock com a maturidade da dor das letras do Cursive. E o encontro perfeito entre a folk music, o country, com a tristeza das poesias e confissões, dos gritos do Bright Eyes. Liderado por um rapaz chamado Conor Oberst, os seus primeiros três discos se encaixam nessa loucura. Chegando até a formar uma banda em honra ao estilo denominada Desaparecidos.
Emo no Brasil e a história que não tem fim
Paulistas do Dance of days
Gosto de pensar em apenas algumas bandas quando falamos emo no Brasil. Primeiro porque nunca me aprofundei e deve ter muita coisa espalhada por ai que exigiria um trabalho de pesquisa mais bem elaborado e por sinal divertido de fazer.
De São Paulo no final dos anos 90 surge uma banda chamada Dance Of Days que trazia já em seu nome o título de uma música de um dos percussores, o Embrace. Dividiam a mesma ideologia com uma banda de país vizinho, o singular, impecável, os argentinos do Fun People (Um artiguinho sobre Fun People, Boom Boom Kid e Nekro vem por ai). Mas que trazia em suas músicas todo o lirismo e poesia que caracterizou o estilo. Partindo para o lado pesado do emo, ou o screamo, temos de Minas Gerais uma banda que lançou seu único registro ainda no final dos anos 1990, e pra mim o primeiro disco do gênero no Brasil, o fantástico Saddest Day, apesar dos caras serem totalmente contra serem chamados de emo. Venho aqui desde já pedir desculpas pelas nomenclaturas, mas neste artigo tenho minha liberdade de expressão e tudo isso escrito se baseia em impressões minhas como mero fã e admirador das bandas (então relaxe ae broders desde já). No Rio de Janeiro surgia a banda que influenciaria todos os mainstreams que vieram depois, o grande Noção de Nada, seminal banda do hardcore brasileiro. E pra fechar, a minha queridinha, a banda que pegou o Cap and Jazz, o Jawbreaker e misturou samba, indie rock, skate punk e tudo a parada para formar o sublime: Polara. Banda paulista de caracteristas emo e muito mais que isso (claro que será elaborado um artigo só sobre eles, mas no futuro com, se der tudo certo, vários depoimentos dos mesmos).
Dedico esse espaço do artigo para colocar que tudo vem de algum lugar.
Porque a pederastia se instalou no emo, Rodolfo?
Segunda idéia de girico: Precisamos de um corte de cabelo, afinal todo movimento precisa de um. Que tal franjas, é legal não agride o cabelo e é esteticamente bonito e descolado – Claro e quem tiver cabelo *pichau usa as maravilhas da escovinha, todo mundo de cabelo liso (mais artificial impossivel)
Sem querer querendo os meninos do Cap And Jazz lá em Chicago em 95 resolveram fazer uma música chamada Boys Kissing Boys (que nome perigoso não?) Talvez esse nome tenha ficado no subconsciente de alguém e ai eles pensaram: olha só nós devemos fazer isso, vamos seguir a cartilha dos mais velhos”. Agora vamos a minha teoria final do que é o emo dos anos 2000.
- Precisamos de algo que façam as mulheres enlouquecer, temos franjas, maquiagens, “somos sensiveis”, o que é que vamos fazer para chamar atenção de mais mulheres (no caso meninas de 15 anos. Eu espero). O que é que chama atenção, calça apertada e roupas coloridas ! Então … (leia abaixo)
O “emo” é o Glam metal. Renasceu. Maquiagem, calças apertadas, androginia (hahahaha muito gay essa palavra), só que ao invés de permamanente, alisamento. Não adianta disfarçar que a influência do metal dessas bandas novas é o Thrash metal ou o Death. É tudo Hair Metal, parem de querer enganar !!!
Honeywell – Abuse (achaí)
Sunny Day Real Estate – song for an angel
Mineral – Take the picture now
The Get Up Kids – Action and action
Dance Of Days – Se essas paredes falassem
Polara – Que eu não deixo pra depois
Não faça nada, por favor. Escute as bosta das músicas e pronto.
Mas ser fã de Smiths, gostar mais de literatura e ser um pouco mais sensível, não faz mal a ninguém.
Dischord Records
Jade Tree Records
Gravity Records
Vagrant Records
2* – Alguém que tiver algo do Torches to rome se manifestar, por favor.
3* – Carona.
4* – Tuin, ruim.
Rodolfo Lima









