
GRITO ROCK ALAGOAS 2012: ARAPIRACA
Na terra dos marechais um evento de rock se destaca…
por Rodolfo Lima
Coletivo Popfuzz
Depois da loucura que havia sido o dia anterior no Grito Rock Maceió, eu e meu coleguinhas da Popfuzz partimos para a cidade do fumo, a cidade do ASA, a cidade da My Midi ou simplesmente Arapiraca. Cheguei na cidade por volta das 16 horas morrendo de fome e corri para matá-la no restaurante chinês do único chinês residente em Arapiraca (fora o Nando). Um pequeno descanso na casa da família do segundo chinês residente na cidade (Nando) e estava pronto para partir para o Lago da Perucaba, local onde ocorre pela terceira vez o Grito Rock de lá.
A polícia já fechava as entradas do local (em Arapiraca, o Grito também acontece nas prévia carnavalescas), e por sorte eu portava pela primeira vez um adesivo no carro que me dava passe livre para o evento.
Às 19h20, já era mais do que hora da primeira banda, a Tick, começar o show. O grupo grunge de Arapiraca apresentava dificuldades com o som, mas a situação conseguiu ser contornada às 19h40. Nos primeiros minutos de show, já pude ver que a banda precisava de ensaio. Ainda enfrentando problemas técnicos ao longo da apresentação, o show foi fraco. Já falei pros caras que eles precisam ensaiar bastante e estudar mais. O ponto positivo pra mim é raiva adolescente no som deles, algo que não pode se perder.
O grupo de rap maceioense A.S.U já se posicionava no palco. Enquanto o lago enchia de foliões dos blocos da prévia, Will Grind começa a improvisar rimas e o DJ ASB já solta as primeiras batidas, Alan se junta aos dois e o som começa de verdade. Com um guitarrista convidado, o A.S.U coloca o público para dançar ao som do rap 100% alagoano. “E ai muito doido? Every night sunshine?”. Will tira muita onda e o show é uma beleza!
Saio da minha agradável cadeira e vou trabalhar no bar, hora de cortar os dedos e ter calafrios com o gelo. Enquanto isso, quem se posiciona no palco são os pernambucanos da Foxy Trio, power trio nervoso de rock. Virtuosos na medida certa, melódicos e eficientes, eles começam o show sem avisar. Muito delay, sólos de guitarra, cozinha pulsante e a galera pulando muito ao som dos caras. O ápice do show foi a cover de Purple Haze do Jimi Hendrix, galera literalmente enlouqueceu! Grande show!
O clima de carnaval era indiscutível, mas também era indiscutível uma certa tensão no ar. Uma galera nada a ver que saia dos blocos e trios elétricos vinham para o palco do rock sem entender como se poga numa roda e metiam a porrada. Algumas brigas aqui e ali, só pra enfeiar a parada.
No palco era a vez dos baianos dos Nelsons. A banda mistura dancehall, ragga muffin, reggaeton e muita fumaça no som. Colocaram todo mundo pra dançar: roqueiros, regueiros, playboys etc. Inclusive um bêbado que subiu no palco e começou a rebolar exaustivamente e não queria mais descer, obrigando a organização e a banda a tirar o cara lá de cima, o que parece que não foi muito bem aceito por ele, que começou a resmungar e já embaixo do palco querer discutir com as pessoas. Não deu em nada porque ele estava bêbado e nem sabia o que estava fazendo. O que importa é que Os Nelsons detonaram em cima do palco.
As confusões em baixo do palco continuavam e a prata da casa My Midi Valentine se organizava em cima para começar a apresentação. Os caras começaram o show com “Dreams of butterfly wings”, música presente no EP de 2009. Logo depois mandaram a versão de “Katie Homes Song”, do grande Bruno Jaborandy (Brunão), que está presente numa coletânea do Blog Hominis Canidaee. Enquanto o show estava ótimo no palco, um trio se aproxima do local do Grito Rock e começa uma briga quase generalizada que esvazia um pouco o show da My Midi Valentine. Aos poucos o público retorna e o show prossegue. Outro cara chato em cima do palco implora para tocar algum instrumento a Marcos e Tales, inclusive batendo na bateria durante o meio da apresentação, o que foi logo resolvido pelos membros e organizadores. O show foi muito bom, apesar de todos os imprevistos.
A última banda da noite era a maceioense Alma Bélica. As meninas começaram o show já mandando ver em cima do palco e batendo cabeça, instiga total e o público se batia (finalmente na paz) em baixo. À medida que o show crescia em cima do palco, a galera em baixo começava a se bater menos pacificamente. Mais algumas brigas e acontece o que eu já tinha certeza que ia acontecer: chega o Bope e acaba com a festa.
Pelo terceiro ano consecutivo o Grito Rock Arapiraca acaba interrompido pela polícia. Nos outros dois anos foi devido ao desentendimento da policia em relação a uma roda de pogo. Achando que era uma briga apartaram, bateram e acabaram o show. Este ano, aconteceu o mesmo, mas a roda já não era tanto uma roda, não estava tanto na paz, era briga mesmo.
Enfim, o Grito Rock teve shows ótimos e memoravéis, mas com um clima um tanto pesado. Isso não tirou a beleza do evento, mas teria sido bem melhor sem essa violência toda. Fim, mantenham a fé e a PAZ!





