Cobertura Popfuzz Festival Maionese 2011 (parte 3)


Por: Rodolfo Lima

Coletivo Popfuzz

Sábado, dia 14, segundo dia de Maionese:

Foto de João Schwartz

Acordo às nove horas, ligo para o Lueba e pergunto: “E ai, 11h é pra deixar o Jair e a banda no aeroporto, né?”. Lueba – “Não, 13h! A gente se encontra no hotel, o vôo é mais tarde”. Notícia maravilhosa, eu poderia dormir mais umas horinhas, mas, quem disse? Não consigo, acordo e vou para o computador ver as pendências. Sei que o dia vai ser cheio de vai e vem de carro.

 

Descanso um pouco, como alguma coisa e vou em direção ao hotel. Chegando lá encontro Lueba e Caíque. Precisaríamos de três carros devido aos instrumentos e a quantidade de pessoas na banda, não queríamos arriscar cinco pessoas até o aeroporto dessa vez.

 

Instrumentos todos no carro do Caíque, ainda bem! Seguimos até o aeroporto, no caminho todo posso ir conversando com o batera Mark e o guitarrista Guedes, do Jair Naves, os caras falam muito bem da estadia, do show e da recepção, o que me deixa muito feliz e é uma daquelas coisas que mostram que você ta fazendo ou pelo menos se esforçando pra fazer as coisas da maneira certa. Chegando ao aeroporto, presenteio o baterista, Mark, com uma camisa minha antiga do mais belo time das Alagoas: o Centro Sportivo Alagoano. Havíamos conversado bastante com a banda sobre futebol no dia anterior, o presente é recebido com muito gosto e o cara tira a camisa que estava e veste logo a do CSA! Pura alegria!

 

Despedidas feitas, é hora de passar na sede e conferir as correrias. Chegando lá, mal tenho tempo para sentar e a primeira banda de fora chega para recepção, os potiguares da Monster Coyote. Rapazes animados e gente boa que são já perguntam onde vende cerveja, o que gentilmente informamos (haha). Só que eu não podia ficar, era hora de trabalhar e ir direto para o Armazém Uzina. Estava eu informado que o Caique tinha ido pegar os “bons rapazes” do Merda, que a sergipana Renegades of Punk iria de táxi para o hotel e que o Lueba se encarregaria de recebê-los, já o Desalma (PE) só chegaria à noite, então precisava cuidar das correrias do show no local do festival.

 

No Armazém Uzina é só, leva caixa pra cá, leva pra lá, coloca mão no freezer mais gelado de todos os tempos. Risco de hipotermia de leve! Completando, saio pra comprar gelo e molho o banco e a mala do carro inteira, aquele cheiro lindo de mofo, enfim, loucura.

 

Belt (por Lucas Lisboa)

Subo pra resolver alguma coisa na sede, encontro os caras da Monster Coyote já meio chumbados e penso: “Ta tudo certo, então” e volto logo em seguida para o Jaraguá. Chegando lá, já se encontra no palco, a banda ganhadora do Maionese Q.I, onde o público pôde votar em uma banda local para abrir a segunda noite do Festival. A banda escolhida foi a Belt, por sinal banda do baterista da minha banda, Felipe lonheiro, peça boa. A banda faz um pop punk puxado para bandas como “Fall Out Boy e Blink 182”. A casa ainda tinha poucas pessoas, mas uma galera já amontoava na frente vendo o show dos meninos. O vocalista e guitarrista pocou a corda da guitarra logo nas primeiras músicas e decidiu ficar por isso mesmo, continuou só no vocal. Eu até gosto de Pop punk, mas acho que eles ainda precisam amadurecer as músicas, eles conseguem.

Necronomicon (por Lucas Lisboa)

Terminando o show da Belt no palco 1, já esperava no palco 2, a Necronomicon. Já havia escutado por alta, o disco homônimo dos caras, mas confesso que estava bastante curioso para o show. A banda é realmente o que clama ser, Rock setentista com bastante Doom clássico. Riffs pesados, lentos são disparados por uma tímida guitarrista, bateria certeira casada mito bem com o baixo ritimado que completa o Power trio. Destaque para a voz do baixista e vocalista, Pedro, rockeira até a alma!

Clandestinos (por Lucas Lisboa)

Depois da Necronomicon, deixar todo mundo impressionado no palco 1, era hora de assistir a atração mais destoante do segundo dia do festival, no palco 2, o grupo de rap, Clandestinos. Pra mim um festival quanto mais louco melhor, muitas bandas de estilos diferentes? Ótimo! Por outro lado estava um pouco preocupado que o público fosse um pouco mais intolerante com isso, mas não foi bem o que aconteceu. Muitas pessoas curtiram o show do Clandestinos, mesmo com danças desajeitadas do público, ou algo assim (hahaha), os rappers agradaram uma parte dos presentes, isso me deixa bastante feliz que as pessoas estejam perdendo seus preconceitos musicais.

Autopse (Luiz Rios)

Bem, os que não queriam ouvir outro som que não de guitarras altas e vocais gritados, puderam se deleitar com quem subia no Palco 2, a banda de metal Autopse. O grupo alagoano faz um som calcado em bandas como Sepultura, da qua inclusive tocaram uns dois covers, e Dark Enemy. A semelhança com o grupo de death metal, Dark Enemy, deve ser o fato de uma mulher no vocal fazer gutural e deixar os marmanjos boqui abertos e pensando: “eu sou uma garotinha de voz fininha”. Mais presença feminina nas baquetas da banda, excelente e agressiva baterista. A Autopse conseguiu colocar o Armazém pra pogar.

Renegades of Punk (Luiz Rios)

A primeira banda de fora do Estado se apresentaria no palco principal, se tratava dos sergipanos da Renegades of Punk. Segunda vez deles em Maceió e talvez a quinta da vocalista e guitarrista, Daniela (Lily Junkie, Triste Fim de Rosilene), que mantinha a presença na sequência de mulheres tocando em bandas no dia. O Renegades despejou seu punk rock de grande pegada garageira em todos os presentes. Gosto da banda porque eles parecem um Dead Kennedys mais garageiro com uma mina gritando. Muito massa!

Misantropia (por João Schwartz)

O punk rock continuaria na apresentação da banda de hardcore em mais tempo de atividade em Alagoas, a Misantropia. Intercalando entre assistir o show da grande banda e resolver pepinos com a casa devido a pequenas confusões na roda, que acarretaram em um estranhamento e nervosismo na equipe de organização da casa, não acostumados a shows de rock mais pesado; e desnecessários escândalos de entra e sai, levando a proibição de poder entrar e sair no local, não por parte da Popfuzz e sim por parte da produção do Armazém Uzina, o festival continuava rolando bem. A Misantropia proporcionou grandes rodas de pogo com seu hardcore clássico e discurso politizado em suas letras.

Outro destaque legal dessa segunda noite foram as banquinhas, em maior quantidade do que a noite anterior e diversos produtos, Vinil, cd, livros, gibis, bolsas, camisas, bonés, tudo que tem direito, chamaram muita atenção dos presentes.

Monster Coyote (por Geanne Cardoso)

A Misantropia se despede do Público e chega à hora dos stoners vindos direto de Mossoró (RN) da, Monster Coyote tocar o caos no Festival. Riffs pesados, baixo pesado e bateria pesada. Tudo pesado na Monster, mas aquele pesado propício para a chapação, na velocidade certa. Stoner to the boner como o próprio nome do disco sugere, muito Kyuss, Fu Manchu e até muito de Metallica. Showzão, só ouvi bons comentários.

Desalma (por João Schwartz)

No palco 2 estava pra começar um dos shows mais esperados da segunda noite, direto de Recife (PE), Desalma. Eu já tinha ouvido falar muito bem do show dos caras, também já tinha ouvido o Ep que me deixou bastante impressionado. O Desalma é Metal! É Death, é thrash e ainda consegue ser math! Death metal quebrado, paradas súbitas, mudanças de andamento e porrada, muita porrada! Deixou todo mundo de cara! Tanto que nem vi os head bangers baterem cabeça, apenas prestarem atenção (hahaha).

Merda (por João Schwartz)

Último acorde dado pelo Desalma e já podia ouvir do palco 1 uma gravação vinda de um megafone que dizia: “Atenção galera do Merda, atenção galera do Merda”. Todo mundo pra frente do palco porque ia começar o show da “banda” mais esculachada do hardcore brasileiro, a com mais merchandising também, O Conjunto de Música Rock Merda. Confesso que fui um dos primeiros a correr pra lá, queria só ver o que Mozine e Cia iam fazer depois de terem bebido 20 Pitú colas, as quais haviam feito os rapazes enxerem os olhos quando vistas no isopor. O show foi um cacete atrás do outro, roda de pogo rolando solta e os caras tocando as suas canções lindas de forma tosca e instigante. Vários clássicos despejados: “Pára de chamar o merda pra tocar”; “Enfia seu próprio Piru no seu cu”, essa dedicada a aprovação da lei em prol da união Homoafetiva; Vida Fácil e até uma cover do Rei, também capixaba, Roberto Carlos. Só digo uma coisa: “Obrigado galera do Merda” (hahaha).

 

Quem tinha disposição e deveriam ter, ainda poderiam ver a instituição do Metal Alagoano, Morcegos, quebrar tudo no palco 2. A banda de metal mais antiga do Estado, fechava com chave de ouro, o Festival Maionese 2011. Infelizmente eu não pude ver o show dos caras por que fui levar bandas para o hotel e resolver as últimas broncas do Festival.

 

Volto ao Armazém Uzina, uma porrada de coisa pra desarrumar e arrumar mais espaço para colocar coisas no carro. Ainda sobrou forças pra tomar umas cervejas com os caras da Desalma e o incansável batera da Monster Coyote, Renan. Só figuras!

 

Quem acha que o Maionese acaba quando termina no último dia de show levanta a mão! Agora abaixe porque você errou! Domingo dia 15 de maio, o trabalho é bastante agradável no começo, ir pro francês com o Conjunto Merda e Desalma, ta beleza! Mesmo o meu cansaço sendo grande até pra praia. Tá tudo certo! Praia, mesmo que nublada, cervejinha, batata-frita e várias risadas. Destaque para a linda foto dos rapazes do Merda com o belo burro, Neymar.

 

15h da tarde, é hora de trazer os rapazes de volta para a sede para que pudessem relaxar até a hora do vôo. Na verdade eles queriam era beber e assistir a final do paulista (hahaha). O Desalma viaja assim que chega à sede. O Merda aliados ao nosso “ganhador” da promoção, Joãozinho Marcelo, bebem, assistem ao jogo, eu deito um pouco pra descansar, pois de noite ainda tem o aeroporto pra dar uma viajadinha. Deitado eu só escuto os rapazes chamando o nosso demoníaco (belo) mascote, Xis-Bacon, de lueba (hahahaha), não sei por que! Com direito até a musiquinha: “Luêbá-bá-bá-bá (cante com aquela melodia, capoeirá-rá-rá-rá”). Enfim, só sei que lá pras 18h e pouca os caras apagam nos colchões.

 

Acordam lá pras 22h e vamos eu e jorg deixar parte na rodoviária, parte no aeroporto. Missão cumprida, voltamos os dois relembrando já das histórias do Festival, do tanto de trabalho e lembrando que no outro dia ainda teríamos que passar no Armazém Uzina para pegarmos algumas tralhas que ficaram por lá.

 

O Festival Maionese foi um trabalho do caralho, me consumiu fisicamente, psicologicamente e de qualquer outro jeito possível. Foram meses de preparação e trabalho para a Popfuzz, mas no final das contas, tenho certeza e posso falar por todos, que valeu muito a pena. Poder ver que tudo deu certo, ter visto os shows memoráveis, a galera se divertindo e a pacata Maceió tendo uma porrada de shows e cultura independente desse jeito!

 

É isso, para o ano, é nóis de novo! Vai ser doidera, vai ser stress, vai ser maior e melhor, se tudo der certo! Breu, toda forma de arte tem que ter um pouco de atitude, um pouco de rock! Então, coloque rock na sua arte e tudo vai dar certo! Maionese 2011, foi rock!

 

FIM

 

Los 5 de la semana: Canções felizes de amor

Dando inicio a uma série de listas de assuntos dessa loucura do mundo pop (trocarei pra o mundo rock), toda semana você vai encontrar aqui a eleição de cinco coisinhas que talvez valem a pena enumerar. Decidi voltar a esse velho hábito “indiestico” por nostalgia e porque sempre achei uma boa maneira para falar sobre qualquer coisa em um formato pré-definido. Mas não se preocupem que prometo deixar meus textos ainda com escrita libertária e underground.

Sobre rock ou sobre amor, ou mesmo raios de sol

A nossa primeira listinha traz as cinco melhores músicas felizes de amor, ou seja, sobre relacionamentos que estão dando certo, que transmitem otimismo, apaixonadas e apaixonantes. Uma dica é para ler essa quando acordar, definitivamente essa é uma boa hora pra ler.

5 – Off my mind – Smoking Popes

Dando inicio à contagem, os ainda pouco conhecidos Smoking Popes fizeram nos anos 90 a declaração de amor em formato de música chamada “Off my Mind”. A canção trata daquela fixação de pensamento em alguém, assim como da importância do mundo criado pelo casal, aquele que só eles entendem. O personagem sugere, romanticamente, atos exagerados para ficar mais tempo com a sua querida. “Baby, I just can’t get you off my mind I’d hang out with you all the time if i didn’t have to work. Maybe i should think about giving that up too”. A voz do vocalista Josh Caterer se assemelha um pouco a do sentimental amargurado Morrissey, com uma grande dramaticidade, mas a música é uma declaração de amor onde tudo está bem. Já o instrumental passeia entre o powerpop e um pouco de punk rock. A letra ainda apresenta mais declarações românticas, como ”Baby, you’re all that I need to live and I got so much to give Let’s throw the world away”. Em seus versos finais, ela entra ainda mais no exagero e com pedidos de “nunca me deixe”: “Baby, now you are the only thing that every morning brings, so don’t let me down”. Brega? pode até ser, mas você sabe que essas breguices existem, todos os exageros também e isso serve de inspiração para músicas pop.

07 off my mind by Rodolfo Lima

http://letras.terra.com.br/smoking-popes/215584/

4 – Wouldn’t it be Nice – Beach Boys

Sei que é a música mais conhecida dessa lista, mas acho que não teria como ficar de fora de uma lista de canções felizes de amores. Os Beach Boys fizeram, no seu lendário Pet Sounds de 1967, essa obra prima do amor inocente e otimista. Logo nos primeiros versos Brian Wilson canta: “Wouldn’t it be nice if we were older/ then we wouldn’t have to wait so long/ and wouldn’t it be nice to live together/ in the kind of world where we belong”. Os vocais característicos da banda estão todos lá, assim como toda sonoridade pop sessentista. A letra continua dissertando sobre um casal mais novo que só sonha em se casar logo e viver junto, podendo passar cada vez mais tempo juntos. “Maybe if we think and wish and hope and pray/ it might come true baby./ Then there wouldn’t be a single thing we couldn’t do/ We could be married and then we’d be happy and wouldn’t it be nice”. Esse casal jovem sonhando e fazendo planos para o futuro é um dos pontos mais altos de doçura da música pop de todos os tempos. A música não por coincidência é trilha de vários filmes de comédia romântica e também não por coincidência entra em qualquer lista das grandes canções de amor. ponto.

Beach Boys – Wouldn’t It Be Nice by junnamatsuda
http://letras.terra.com.br/beach-boys/3426/

3 - Nothing with you – Descendents

Diferindo um pouco das canções e letras acima e trazendo para coisas pequenas do cotidiano, os punks do Descendents, conhecidos por abordarem bastante o assunto relacionamento em suas letras, colocaram em seu último disco (Cool to be you) uma obra prima do amor simples. “Nothing with you”, trata apenas da vontade do personagem de não fazer “nada” com a namorada, mostrando o conceito de “nada” como ficar em casa sentado na sala, assistindo TV. Versos como: “Doing nothing having fun, off to bed to get things done. I’m not lazy, I’m in love”. E a indentificação chega a ser imediata  para um entusiasta de séries na parte: “Mad About You at dinnertime, Seinfeld, Simpsons, So-Called Life. Seen the reruns 20 million times”. Musicalmente ela é um típico clássico dos Descendents, com guitarra pulsante e arranjos rápidos; baixo corrido; bateria com pegada dos Ramones e o vocal inconfundível de Milo Auckerman. Na letra ainda cabe espaço para declarações como “Nothing is really fun when you’re not there” e a reclamação contra aqueles que querem impedir que ele passe o dia inteiro em casa com o seu amor, seja o trabalho ou qualquer outra coisa: “People knock on my door, ringing my phone telling me the things i gotta get done today, to satisfy them, but what about me? Lately I’ve been wishing i was brain dead, no responsibilities in my head today. Baby let’s see what’s on the TV”.

Músicas assim que nos lembra daqueles dias bons que apenas ficamos de bobeira em casa sendo um casal, vivendo no mundo da porta pra dentro e que às vezes contam tanto quanto uma grande aventura apaixonada.

Descendents, The – Nothing With You by Rodolfo Lima

http://letras.terra.com.br/descendents/323645/

2 – I don’t want control f you – Teenage Fanclub

Sei que o Teenage Fanclub poderia entrar nesse texto facilmente com as cinco músicas da lista, os escoceses têm a boa mania de escrever suas canções pops de temática amorosa de forma bonita e esperançosa. Sendo assim foi dificil escolher uma, mas optei por “I don’t want control of you”, do disco Songs from Northen Britain, como o segundo lugar na lista. Além da melodia impecável “teenageana” que já valeria  a lembrança, a canção fala sobre um personagem que tenta ao longo de toda a história convencer sua metade que não possui o mínimo interesse em tomá-la como posse ou de forma mesquinha. não tem como não se derreter com os primeiros versos: “I don’t want control of you, doesn’t matter to me. The very heart and soul of you are places I wanna see”. Ali já se encontra a essência da canção, onde mais essas palavras poderiam ser ditas que não em uma canção pop? Seguimos para um refrão de pura fofura: “Everyday I look in a different face. Feelings getting stronger with every embrace”. Só quem está apaixonado para ver vários rostos na mesma pessoa, sempre sendo uma novidade para que nunca perca a graça. Vemos a não aceitação de estagnar o sentimento nos versos “Don’t want this love to stay the same. Growing with every year”. e no último verso “I want this love to stay the same. Growing with every year”, a conotação muda, só para ele afirmar que quer tudo do jeito que está, crescendo cada vez mais. Muito auto-explicativa, não precisava nem comentar nada, mas não poderia escolher outra.

04 I Don’t Want Control Of You by Rodolfo Lima

http://letras.terra.com.br/teenage-fanclub/76278/

1 – Sweet Avenue – Jets To Brazil

A grande vencedora é realmente aquela canção, por mais brega que seja, sobre o poder do amor. A letra descreve perfeitamente o enredo de um filme romântico: o cara isolado e introvertido que encontra a garota que vai fazer ele olhar pro mundo de forma diferente, fazê-lo viver de fato. “Now all these tastes improve through the view that comes with you like they handed me my life for the first time it felt right thank you for making me see there’s a life in me it was dying to get out”. Nada mais estilo “filme da sessão da tarde” que isso. Blake Swaszenbach, compositor e vocalista da banda (assim como de outra banda chamada Jawbreaker), é conhecido por escrever belas letras, mas sendo essa uma das raras exceções de otimismo na temática. Musicalmente falando ela apresenta todas as características de sua escrita musical. Sem um refrão ou um formato especifico, a música apenas se desenvolve junto a uma melodia que cria pequenas formas conforme vai fluindo com suas letras. Como não se apaixonar por uma música que contém singelas frases como “This Day could someday be our anniversary”, ou mesmo “Living by the hour I stopped for every flower”, ou então “Touching you I start to bloom. Alive with trains and passing ships soft and sweet upon your lips now I go oh wow”. Melhor parar por aqui, vai lá conferir a beleza dessa música de amor tão transformador.

11 – Sweet Avenue by Rodolfo Lima

http://letras.terra.com.br/jets-to-brazil/19900/

Então é isso, essa foi a minha primeira lista, gostaria de terminar esse texto com uma citação do grande, único, Jonathan Richman “ Só porque eu me sentia triste, não quer dizer que eu queria que os outros se sentissem como eu”.

 

Rodolfo Lima
Expulso do exército Espartano em VI a.c, floricultor desde então.

 

Entrevista com a Nothing is Impossible, Charlie!

Eles surgiram a pouco tempo mas já causaram uma ótima impressão na cena, em 2010. Com um nome que chama atenção, a ‘Nothing Is Impossible, Charlie’ segue com otimismo e muitos planos para esse ano. Nesta entrevista, o vocalista Ivã Soares e o guitarrista Woulthamberg Rodrigues falam sobre o tocar em teatro, Dashboard Confessional, Maionese 6, gravação e sobre a cena de Maceió.

www.myspace.com/nadaeimpossivelcarlos

www.twitter.com/NIICharlie

k diz:

Eu sei que é meio paia perguntar isso, mas qual é a ideia por trás do nome da banda? Tem algo a ver com a proposta de vocês?

Ivã diz:

Na verdade, não. Nothing Is Impossible Charlie é uma frase de um filme que caracteriza a conquista de algo impossível de modo doce e infantil e simples. O que caracteriza a banda, nada mais é do que a simplicidade e a vontade de fazer um som agradável com o toque suave de um vocal feminino que até agora é algo em desenvolvimento.

[c=2]w[/c]oulthamberg. diz:

Não diria uma idéia por trás do nome! Talvez até sobre a proposta por ser uma passagem de um filme que a banda gosta, “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, e a forma que a gente cria as músicas e tal! É meio Nothing is impossible, Charlie! Sempre acontece quando eu digo pro Ivã: Esse tempo é estranho! E ele me responde: É, mas eu quero ele assim! E continua e no final de tudo fica ótimo!

Ivã diz:

Mas que vai dar um resultado legal. É como eu digo ao Berg, A NiiC  me deixa tranquilo no meio de tanto estresse de faculdade do dia-a-dia, porque ali, com meus amigos, eu crio e relaxo! Aí que vem a parte boa, é que é a diversão e a amizade que alimentam o negócio.

[c=2]w[/c]oulthamberg. diz:

Também tem as misturas de gênero nas músicas.

k diz:

Que lindo =) Próxima pergunta: Como surgiu a ideia de formar a banda?

Ivã diz:

aushiuahushaiuhsuias

Eu tinha feito a música Smell of Your Breath no começo, sozinho em casa e gravei no PC no clima de férias. Fui criando e criando e criando. Deu que eu falei com o Thiago para marcar no estúdio com dois amigos nossos para ver se a música tinha uma sonoridade quando tocada em conjunto de bom grado e ficou boa, aí eu fiz Never Go Away.

[c=2]w[/c]oulthamberg. diz:

Sempre chamava o  Ivã pra tocar cover de Dashboard Cofessional e esse tipo de música! Ai um dia  (03/01/2010), o Ivã veio almoçar na minha casa e me mostrou Smell of Your Breath e Never Go Away! Músicas que ele já tinha tocado com o Thiago, Matheus e o Lusca em estúdio! Ai eu fiquei super empolgado e acabamos compondo Maybe I’ll Change!

Ivã diz:

Inspirado em uma relação amorosa complicada de um amigo. E foi aí que entrou o Berg. Na mesma semana fui na casa dele mostrar minhas produções e daí saiu a empolgação de formar algo mais consistente.

k diz:

Maybe I’ll Change é minha preferida =)

Ivã diz:

Maybe I´ll Change foi uma música feita aleatoriamente em 30 min. de fim de tarde.

[c=2]w[/c]oulthamberg. diz:

Aí conversamos e entramos em um acordo de colocarmos essas músicas em produções mais elaboradas e em um ambiente de amizade mesmo! Foi quando entrou o Pablo e já a idéia de por a Beatriz no vocal.

Ivã diz:

É desse poder de criatividade que eu falo, que nos faz sentir bem em contato

[c=2]w[/c]oulthamberg. diz:

Engraçado que foi a época que mais produzimos. Foram coisa de, sei lá, doze músicas em dois meses no máximo.

Ivã diz:

Foi. Hoje estamos com quase 20 músicas que se “coçam” por uma gravação e produção.

[c=2]w[/c]oulthamberg. diz:

Eu acho que já passaram das vinte, na verdade, só que tem muita música que ficou engavetada.

Ivã diz:

Um projeto na gaveta!

k diz:

Como funciona o método de composição? Assim, de modo geral.

[c=2]w[/c]oulthamberg. diz:

Ivã é uma máquina de melodias, sério! Estilo máquina de refrigerante que a gente coloca moeda e pega a bebida. Nele a gente coloca a ideia e ele entrega a melodia, mais ou menos assim. Ai faz: Vamos fazer uma música tipo a banda “X”. Ai o Ivã já pega qualquer instrumento e faz.

Ivã diz:

uhsuhaiuhsa

A gente escolhe uma banda que já exista e conseguimos fazer músicas no mesmo estilo só que com nossa cara sem nenhuma semelhança de “clonagem”. E o legal que falamos: “Vamos colar o estilo da banda X com o estilo da banda Y.” e sai algo mais original para a gente.

[c=2]w[/c]oulthamberg. diz:

Normalmente Ivã vem com o grosso. Ai é que entra a coletividade da banda. Thiago já chega junto pra colocar “purpurinas” na música.

Ivã diz:

A gente pensa em um assunto, que em 98% é mulher =X e sai algo

[c=2]w[/c]oulthamberg. diz:

Essa questão do assunto noventa e oito por cento ser mulher está começando a mudar, pelo menos a forma de ser elaborada, com a presença da Beatriz agora.

Ivã diz:

É, a presença da bia modificou muito. A banda ainda vai se apresentar. O que nós mostramos até agora foi 30% do potencial que existe, acredito eu! Precisamos trabalhar mais nas músicas, no vocal, em detalhes. Por isso falo que temos um grande projeto na gaveta esperando para ser trabalhado, o que demanda tempo de todos, inclusive de mim, que é um problemão shuahsasuia

[c=2]w[/c]oulthamberg. diz:

O processo de composição, criação e produção da banda é grande e muito forte. Só que existem mil contratempos. Meu trabalho e faculdade. Trabalho do Pablo. Horários do Thiago e Beatriz. E principalmente Ivã. Que faz medicina e consome muito dele. É algo que a gente entende e tal. E o período que é mais produtivo para todos da banda acaba sendo as férias.

k diz:

Massa! Próxima pergunta: Quais são suas influências musicais? Eu vi anunciarem um show da banda como ‘alt-country’, existe mesmo isso no som de vocês?

[c=2]w[/c]oulthamberg. diz:

Não acho que exista um estilo para definir a banda. Creio que fio dado esse “alt-country” por conta de duas músicas: Smell of the breath e Country song, mesmo que o folk e country sejam estilos muito fortes nas nossas influências. Mas influências mais tendenciosas e descaradas que eu vejo na proposta da banda vem de: John Mayer, Albert Hammond Jr, Little Joy, Magic Numbers, Beatles, Dashboard, Death Cab for Cutie, entre milhares de bandas.

Ivã diz:

auhsiahishausasa

Eu sempre quero colocar algo Folk no meio. Bright Eyes, para mim é algo que possa ter semelhança, mas com a presença da bia pode ser Magic Numbers. Gosto muito de John Mayer, Dashboard Confessional. Tenho meu gosto por Blink-182 reprimido pelo Berg =X

[c=2]w[/c]oulthamberg. diz:

Claro!

Como o meu Beatles e Pink Floyd também são reprimidos pelo Ivã. =)

k diz:

Massa. Próxima pergunta: E sobre cantar em inglês? Vocês pretendem manter isso ou não?

[c=2]w[/c]oulthamberg. diz:

Engraçado que tipo, em matérias que já saíram sobre a Nothing, sempre falaram que nós cantamos em inglês, espanhol e português. Só que tipo, nós só cantamos em inglês. Existe uma passagem em uma música que o Pablo cria um tipo de rap em espanhol que ninguém entende, mas nunca tínhamos feito nada em português.

Ivã diz:

Então… Eu, Ivã, quero fazer muitas músicas em português nessas férias mas, quanto mais tento, mais difícil fica, acho que acostumou. Mas o inglês me limita às vezes. É uma idéia, algo em português, mas tenho medo de perder originalidade. Quem tem mais esse dom é o Thiago, com o português.

[c=2]w[/c]oulthamberg. diz:

Até que com a volta da Beatriz, e algumas certas mudanças no estilo da banda foram feitas, em uma das músicas novas, um trecho em português que é cantado por ela.

k diz:

Entendi. Próxima pergunta: Qual foi o melhor show de vocês até hoje? Por quê?

Ivã diz:

MAIONESEEEEEEEEEE

100%

[c=2]w[/c]oulthamberg. diz:

Fizemos só três shows, mas quem foi para os três, provavelmente vai dividir da mesma opinião, junto com a banda, que o do Maionese foi o melhor, devido ao equipamento fornecido pelo evento. Não que os outros shows tenham sido péssimos, mas o que nos mais deu suporte foi o Maionese. Pode até parecer uma puxada de saco, mas é aquele lance de trabalhar com as pessoas certas.

Ivã diz:

O som estava perfeito! Tava seguro em tocar e cantar. Para mim, tocar em teatro é um SACO e só fizemos 3 shows: 2 em teatro e 1 no Maionese. Tipo, eu prefiro entrar mais em contato com o público! Me sinto menos observado. No teatro estão todos te olhando, julgando cada detalhe, isso me deixa realmente nervoso. E o essencial é o equipamento!

[c=2]w[/c]oulthamberg. diz:

Tocar em teatro tira de certa forma a animação que o público poderia estar passando, principalmente pra banda nova, onde ninguém conhece as músicas que são em inglês. É um certo desafio pra NiiC, show em teatro, mas algo que a gente espera superar e tal.

Ivã diz:

Maionese foi 10

k diz:

Tô ligado. Próxima pergunta: vocês acham que o público corresponde a proposta da banda?

Ivã diz:

Mais ou menos! Talvez por causa do inglês, o que não me importa muito!  Vejo a banda como uma diversão absurda e uma terapia incontestável! Adequar ao público é ruim, prefiro manter a originalidade e expressão e quem gostar, ótimo!

[c=2]w[/c]oulthamberg. diz:

Muita gente fala que a banda é ótima, mas que seria melhor se fosse em português, mas tiveram várias pessoas que pensei nunca se agradar com o som da gente, que já veio falar que se tornou fã da gente. É legal e tal. A banda se formou com um único propósito: um grupo de grandes amigos fazendo música boa (no conceito da própria banda) pra se divertir.

Ivã diz:

Quem não gostar, paciência!

k diz:

Tipo o Marcelo Cabral, né? Ele pirou no show do Linda Mascarenhas.

[c=2]w[/c]oulthamberg. diz:

Foi! Marcelo Cabral do Coisa Linda Sound System é um forte exemplo. Ele viu o primeiro show da gente, escutou a banda no PureVolume e adorou muito.Teve algum evento que ele fez, que eu não lembro exatamente qual o nome agora, mas que quando eu cheguei, estava rolando a demo de Never Go Away, e no evento que a Popfuzz fez da noite folk, tive a sorte de ser convidado por ele pra tocar algumas músicas dele no show.

k diz:

Legal. Vamos pra próxima: Vocês estão gravando um EP, certo? Podem adiantar algo sobre ele?

Ivã diz:

Sim. A gravação do EP será nessas férias, pois teremos tempo para deixar tudo lindo com o iMac do Pablo e minha M-Audio Fastrack Pro. Vai dar para produzir algo bonito, mas demanda tempo e agora temos isso, tempo!

[c=2]w[/c]oulthamberg. diz:

Ainda não existe algo realmente concreto sobre o EP. A ideia é tentar gravar o máximo de música que pudermos com uma boa qualidade durante as férias, e no final das férias tentar lançar um EP. Já começamos uma “pré-produção” de duas músicas novas.

Ivã diz:

Isso, mas bemmmm experimental

haushuaihsiua

[c=2]w[/c]oulthamberg. diz:

Ficou mesmo pra ver o que poderíamos e conseguiríamos fazer, e o resultado foi super satisfatório, e agora que o Ivã comprou equipamento novo, vamos nos aprimorar e tentar gravar algo produtivo e de boa qualidade.

Ivã diz:

O problema até agora é gravação de bateria, mas vamos dar um jeito! Ou então gravar sem bateria por enquanto, algo acústico, acho válido! É algo que irá ser discutido com a banda ainda. A casa do Pablo será ninho da NiiC nessas férias. Vai sair coisa boa!

k diz:

Vai sim =) Próxima: Vocês, além da NIIC, tocam ou já tocaram em várias outras bandas. Ivã tocava baixo na Deslucro, Pablo tocava na Adrenaline, toca na Cross the Breeze, Thiago tocava na infelizmente finada Dom Pedriota e na longínqua Meikidicharque, Berg no Príncipe do Brega e no RC Club. O que vocês acham do momento atual da cena musical independente de Maceió?

[c=2]w[/c]oulthamberg. diz:

Bem! Não sou muito apto pra responder essa pergunta por ser muito chato com gosto musical, mas acho que tem muita coisa boa que não é valorizada. Da mesma forma que existe muita porcaria igual a outra que o povo faz muito alarde. Questão de amizade. Quanto mais amigos você tiver, mais famosa sua banda ruim em Maceió fica, mas isso não é algo generalizado! Existe sim muita banda boa! Eek está ai pra mostrar o que eu quero dizer.

Ivã diz:

A grande lembrança que eu vou ter da minha juventude em Maceió será: Estúdio Poker shausuihahdhaiuhsiuasa. Vamos falar um pouco do Saulinho, que é o pai das bandas independentes de Maceió.

k diz:

Pode crer, pra mim também, vei.

[c=2]w[/c]oulthamberg. diz:

Eek é pra mim uma das melhores bandas de Maceió e é pouco valorizada. Antes de dois mil e dez, a Eek não era ninguém pra Maceió. Não que hoje em dia seja muita coisa, mas porque não dão o devido valor.

Ivã diz:

Isso. Acho que, no momento atual, a Eek é o melhor que temos.

[c=2]w[/c]oulthamberg. diz:

Vejo bandas hoje que em menos de cinco meses já tem fã clube com camisa, adesivo, tocando em rádio e não passam de cópias baratas. É melhor o Ivã falar um pouco mais, porque senão vou acabar citando nomes e sendo mais odiado que o normal.

Ivã diz:

Uashiausauidhuiahushaoidahusihas

k diz:

huahuahuahua

Ivã diz:

O quadro da música independente tem seus ramos em Maceió que estão indo bem, tirando o gosto pessoal pelo estilo. Vejo o Never Say Die Juliet fazendo sucesso no seu ramo musical, por exemplo, com gravação de clipes e etc. de qualidade.

Ivã diz:

A Deslucro, que eu participei, está em ascensão. Bandas como a N4J têm qualidade no seu ramo musical. Acho que todos nós precisamos de gravações, de tempo para trabalhar as músicas, diminuir os ensaios e investir em gravação, de algum modo. Esse é o modo de por a música no mundo, a marca registrada! Problema de Maceió é muito ensaio e pouca gravação!

k diz:

Muito bem colocado. Berg, mais alguma coisa?

[c=2]w[/c]oulthamberg. diz:

O cara pode puxar o saco também? Mas é puxando o saco e falando a verdade. Porque assim… Antigamente a cena alagoana era bastante hardcore devido a falecida Fábrica 86, mas hoje quem movimenta digamos de oitenta à noventa por cento da cena alagoana é a Popfuzz.

Ivã diz:

É verdade.

[c=2]w[/c]oulthamberg. diz:

Mesmo já sendo ativa na época da Fábrica 86. Mas hoje em dia com um pulso mais firme. E a Popfuzz hoje em dia, que trouxe a cena independente à tona. Que por mais que hoje em dia seja como na Fábrica, ir pra um show onde sempre tocam as mesmas bandas, que tocam as mesmas músicas usando praticamente as mesmas roupas, a Popfuzz trouxe o diferencial, o inusitado (lembrando daquela banda com aquele cara tosco e irado! Joey Hooker (Johnny Hooker), algo assim. que foi FODA) o diferencial. Fazendo o Maionese com diversos tipos de “tribos”.

Ivã diz:

Acho interessante o trabalho da Popfuzz!  Poderiam investir em um bar, em uma nova loja, sei lá, na Bovespa, mas não, tiram tempo para desenvolver projetos interessantes que destacam os invisíveis: bandas independentes! Continuem assim! Nosso apoio vocês têm =)

k diz:

Aproveitando o embalo, recomendem alguma(s) banda(s) de Alagoas que vocês acham que vale a pena a galere conhecer.

[c=2]w[/c]oulthamberg. diz:

Eek! Sem duvida alguma. Nothing is impossible, Charlie também. Ótima banda para a galera poder conehcer. ;P

Ivã diz:

Eek ajushauisuasasaus. Tem algo pronto para mostrar. NiiC tem que chegar no seu CD, como a Eek para poder ganhar asas .

[c=2]w[/c]oulthamberg. diz:

Projeto Sonho também é uma banda bem interessante de se conhecer. E pra quem gosta de distorções, tem a Cross the Breeze que provavelmente estará lançando seu EP em janeiro.

Ivã diz:

Sim, muito mesmo. Projeto Sonho é ótimo. DAD FUCKEDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDD and the MAD SKUNKSSSSSSSSS é mtooooooooooooooooooooooo IRADO.

[c=2]w[/c]oulthamberg. diz:

Baztian!

Ivã diz:

Gosto muito mesmo, já falei para o Berg da qualidade internacional que tem a banda Neon Night Riders.É muito bem gravado e trabalhado, perfeito para publicação. Adoro o som dos caras, e saber que é daqui dá uma satisfação enorme.

k diz:

Por fim, o que vocês planejam pra 2011?

Ivã diz:

Gravar! Investir em gravação de qualidade =)

[c=2]w[/c]oulthamberg. diz:

Gravar, produzir, shows e diversão.

Nós só precisamos do primeiro rock do ano pra rachar sua cabeça

No dia 14 de janeiro, você leitor e fã de rock do Estado de Alagoas terá a oportunidade de ver uma das bandas mais energéticas e barulhentas do chamado rock independente brasileiro. Trazido pelo coletivo Popfuzz, diretamente de João Pessoa (PB) vem a zuada maravilhosa do Zefirina Bomba. Juntam-se a eles para o evento os alagoanos da Sticky Garden e da Baztian. O show acontece no Teatro Linda Mascarenhas, na Av.Fernandes Lima (ao lado do CEPA), a partir das 20h.

É segunda da banda vez na cidade de Maceió. A aconteceu na turnê Bandas Novas MTV no Nordeste, na qual se apresentaram juntos de Vanguart, Ecos Falsos, Daniel Beleza e Rock Rocket na casa de show Maikai (ahn?!? mentira!?!? é sério pow!). O Zefirina Bomba volta dessa vez com dois CDs lançados, Noisecoregroovecocoenvenenado, de 2005, e o recente “Nós só precisamos de 20 minutos pra rachar sua cabeça”, de 2010. Como a própria descrição do Myspace dos caras os descrevem: “Zefirina é uma banda da Paraíba que usa um violão todo fudido e faz um barulho desgraçado”. Na minha tentativa de defini-los, com muito menos criatividade do que os próprios, diria que eles tocam Garage Punk com pitadas de grunge, emulando Mudhoney, Nirvana, Stooges, Mc5, Sonics etc. tudo isso com um sotaque nordestino lindo e um grande barulho que sai de uma viola literalmente “fudida”, como descrito acima, distorcida a todo vapor, comandada por Ilsom, aliada ao baixo de Martim e a bateria de Guga.

Completando o show temos a velha conhecida dos eventos da Popfuzz, a Baztian, caracterizada pelo seu som influenciado pelo Indie Rock americano dos anos 90 e muito do Post Hardcore de Washington. Fechando o line-up, temos a novata Sticky Garden, ainda desconhecida no cenário alagoano, que é um power trio que soma influências do Garage Rock sessentista juntamente ao Punk Rock clássico dos Ramones e Sex pistols. O evento ainda contará com a discotecagem do DJ Belushi, tocando clássicos do Grunge, Garage e Punk Rock, fora a banquinha de CDs da Popfuzz e do rango vegan para matar a fome da geral. Tudo isso por R$ 5,00! Tu não xampras?

Pra conhecer o som: www.myspace.com/zefirinabomba
www.myspace.com/baztianbaztian
www.myspace.com/stickygarden

O quê? Zefirina Bomba (PB), Baztian e Sticky Garden
Quando? Dia 14 de janeiro (Sexta), ás 20h.
Aonde? Teatro Linda Mascarenhas (IZP), Avenida Fernandes Lima.
Quanto? R$ 5,00.

Por quê? Porque, é Rock!

Retrospectiva Popfuzz 2010

Ae galera que lê o site da popfuzz, final de ano/começo de ano sempre rola aquelas paradas de retrospectiva, melhores do ano, listas etc. A gente resolveu escrever os melhores eventos organizados pela galere aqui do Coletivo Popfuzz nesse ano de 2010, pra começar com o pé direito 2011 e com a chinfra sempre a frente.

Vamos começar pelo 5º evento eleito, porque começar pelo 1º tira toda a graça e o suspense, se bem que você pode usar a barra de rolagem e ver logo o primeiro, seu estraga vibe.


5º Lugar – Prévia Maionese Arapiraca

A segunda experiência do coletivo Popfuzz na cidade de Arapiraca (Grito Rock 2010 foi o primeiro) ganhou o quinto lugar por ter sido o primeiro evento fechado em Arapiraca, feito pelo coletivo. O show fez parte das Prévias do festival Maionese 2010, que aconteceram durante todo o mês de maio e com uma edição em Arapiraca. O evento aconteceu no anexo do Clube dos Fumicultores e o line-up contou com a maceioense Coisa Linda Sound System e as arapiraquenses My Midi Valentine, Bianca is not a girl e Sub Produto do Rock. Segundo relato dos comparsas de coletivo, o show ocorreu tudo bem e conseguiu passar do estranhamento do público no começo do a baile de dança ao decorrer do evento. Ponto para o público, para as bandas de Arapiraca e 5º lugar aqui.

4º Lugar – II Fora-do-Eixo Nordeste

No dia 18 de abril foi realizado o II Fora-do-eixo Nordeste Tour com as bandas Nevilton (PR) e Minibox Lunar (AP). Esse show foi bem importante porque conseguimos encaixar as bandas no projeto Maceió Viva Cultura, organizado pela Fundação Municipal de Ação Cultural. As bandas se apresentaram pela tarde, começo da noite. Eu e mais outros membros do Coletivo chegamos atrasados para o show e não vimos nenhuma das bandas, já que estávamos voltando do recife, onde ocorreu o Abril Pro rock e reuniões fora-do-eixo nordeste. Relatos dos amigos que participaram da organização de forma efetiva mostrou que o evento fluiu maravilhosamente bem. O público aleatório que só shows abertos proporcionam foram um dos pontos altos, fora a a grande apresentação das bandas. Mesmo tendo perdido o case de pedais um dia antes em Recife, o Nevilton fez um show super empolgante. O pôr-do-sol, boas bandas, o público curioso e a nossa bela praia deu o 4º lugar a II Fora-do-Eixo Nordeste Tour.

P.s: Esperamos que o projeto Maceió Viva Cultura retorne logo. O evento é muito importante para difundir a música na cidade.

3º Lugar – The Biggs no Jungle

O dia 17 de janeiro de 2010 ficou marcado como o último show realizado pela Popfuzz no antigo Jungle Music Bar, que ficava na Av. Comenador Leão, no Jaraguá. A Popfuzz trouxe junto da Fvm produções a banda paulista The Biggs, os sergipanos da The Baggios e mais os alagoanos da Misantropia e Baztian, para um domingo rockeiro. O evento também é lembrando por nós por conta de vários imprevistos, como um quase cancelamento do show devido a política sem sentido de não permitir apresentação de bandas Punks no recinto (caso da Misantropia), até o susto da falta de público que logo virou alegria ao vermos a casa cheia “de repente”. Tudo isso serviu para que a realização se tornasse uma verdadeira conquista. Depois de muito desenrolo, no final da noite levamos a “garota” pra casa e nos demos bem. Terceiro lugar pro Biggs na antiga Jungle.

P.s: Destaque para a primeira roda de pogo já feita no antigo Jungle!

2º lugar – Maionese.

Como talvez muitos já saibam, a “menina dos olhos” do coletivo Popfuzz sempre foi o Festival Maionese. Organizado a seis anos no mês de maio, todas as edições foram inesquecíveis, mas esse ano com certeza foi a mais ambiciosa e trabalhosa de todas. O Festival aconteceu pela primeira vez em dois dias, 28 e 29 de maio, com 20 bandas, sendo seis de fora do Estado, fora ainda o ciclo de palestras e pocket shows realizados entre os dias 24 a 28, e a prévia em Arapiraca. Então é claro que  maior show já organizado pelo Coletivo Popfuzz não poderia faltar na lista, mas ele não foi importante para nós só por sua grandeza. O festival foi responsável por nos proporcionar shows de bandas que dificilmente iríamos ver se apresentando em Maceió e que praticamente eram quase uma unanimidade para membros do coletivo, como é o caso dos paulistas da Pale Sunday, que nunca tinham tocado no Nordeste e se emocionaram ao ver várias pessoas cantando suas músicas (e a gente da Popfuzz se emocionou também, na hora do show todo mundo largou o trabalho e ficou grudado no palco). A realização pessoal também aconteceu por ter sido a primeira vez que o festival integrou vários estilos diferentes como o Rap, hardcore e o metal. E ainda a experiência de termos alugado um galpão para realizar shows que só foi feita por culpa do festival.

Tanto trabalho para organizar o festival não foi recompensado monetariamente e sim rockisticamente/culturalmente, que vale mais que barras de ouro e que valem mais que dinheiro. É segundo lugar pra eles Lombardi.

1º lugar – Grito Rock Maceió

O vencedor da nossa lista dos melhores shows de 2010 foi …..tchananan…….. o Grito Rock Maceió (eita, já tava lá em cima escrito, que suspense merda). O evento, que é realizado em todo o Brasil na época do carnaval, teve sua primeira edição em Alagoas no ano de 2010.

Feito na praça Macilio Diaz e inserido na programação do Jaraguá Folia, a prévia de carnaval super animada de Maceió, o Grito Rock fez possível escutar rock em meio a marchinhas, frevos e sambas dos blocos de carnaval. Sete bandas se apresentaram: Caldo de Piaba (AC), Pumping Engines (RN), Sex on the Beach (PB), Gato Negro, My Midi Valentine, Coisa Linda Sound System e Dad Fucked and the Mad Skunks. Nem a chuva durante o show do Caldo de Piaba espantou o público, nem os problemas técnicos com o som impediu banda alguma de se apresentar e nem o cansaço (no meu caso e de alguns) de ter chegado de viajem e ir diretamente tocar novamente tirou o ânimo de participar do evento. A praça Marcilio Diaz virou um baile de dança em certos momentos e a uma roda punk gigante em outros. A música alternativa se apresentou gratuitamente ao povo de Maceió e em plena festa carnavalesca. Sonho realizado. Claro que é primeiro, claro que ganhou, o rock venceu.

Essa foi a nossa listinha de retrospectiva, minha gente, espero que em 2011 o número de shows duplique e que o Rock, sinônimo para rap, reggae, jazz, samba, literatura, cinema, teatro, artes plásticas, chinfra e xampra, só cresça no nosso estado de Alagoas e no Brasil!

Rodolfo Lima

Vice campeão norte-nordeste peixinho dourado, 1995, no nado peito (esse é verdade, sério mesmo!)

Eek – Fantasia de Equilibrista

A Eek chama atenção por mostrar que música essencialmente pop não precisa ter medo de guitarra. Sem exagero algum, Fantasia de Equilibrista é um CD com um nível de produção que em muito excede o que se tem feito em Alagoas, mas a produção impecável torna-se um mero detalhe quando inserida no todo que é o álbum em si. As músicas extremamente bem compostas revelam a maturidade de Diogo Braz enquanto letrista e vocalista: os refrães são marcantes sem que haja sacrifício ao conteúdo das letras, o que é extremamente raro em música pop, e, ainda que existam ecos do fenômeno que é a influencia do Los Hermanos na estrutura da banda, a Eek não para aí e faz música com identidade própria, transitando com facilidade entre o Reggae, o Rock, o Pop e a MPB num sincretismo de estilos próprio da cena emergente de Alagoas.

As músicas do álbum caminham entre diversos estilos sem causar estranhamento, ao mesmo tempo, a solidão, a noção de temporalidade atrelada à vida urbana, relacionamentos e rotina amarram o conceito de Fantasia de Equilibrista, que com bons solos de guitarra (o de “Tempo”, por exemplo) revelam a qualidade e a versatilidade de Wagner Sampaio como guitarrista. Os músicos da Eek, aliás, são alguns dos melhores de Alagoas por si só (Christophe Lima e Leo Tarja-Preta são uma dupla tão afiada ao vivo quanto em estúdio), executando linhas melódicas e rítmicas pouco usuais que não deixam o álbum cair na mesmice.

Músicas pra se destacar: Paranóica, Tempo, Onde Quer Que Faça Sentido, Fantasia de Equilibrista, Calendários e Chegando ao Fim, que é uma das músicas mais tristes jamais produzidos no estado ensolarado das Alagoas.

Em poucas palavras, Fantasia de Equilibrista é um álbum original, surpreendente e autêntico, que tem tudo para ser um marco na história da música alternativa alagoana.

Araguari, My Dear

Texto por: @lueba

 

Dois dos CDs que eu mais ouvi este ano de 2010 foram, na verdade, dois EPs: Araguari, do Jair Naves, e o trabalho de estréia da Black Jeans My Dear. Araguari já é sucesso da música independente nacional, e o segundo é um sucesso interno para nós do selo com o melhor gosto musical de todos os tempos, a Popfuzz Records.

 

Vou pular a introdução do EP do Jair Naves porque tem um monte de crítica legal espalhadas por sites e blogs, como aqui e aqui. No caso da Black Jeans My Dear, trata-se do projeto folk do nosso amigo @brunojaborandy, e esse primeiro EP traz cinco músicas gravadas no microfone do computador. Ele e um violão, de forma simples. Ah, no final de uma das músicas tem uma gaita esganiçada.

 

Se você já conhecia os dois ou for do tipo que já baixou antes mesmo de terminar de ler isto aqui, deve estar se perguntando o que tem a ver eu falar deles no mesmo texto. Mas relaxa que eu te respondo, é que os dois são os trabalhos mais sinceros do ano, do tipo que você ouve, se emociona e pensa “era disso que eu estava falando o tempo todo”.

 

Apesar da grande diferença da parte técnica entre os EPs (Um bem profissional e o outro bem caseiro), a temática das letras de ambos são muito parecidas. Amores perdidos e encontrados, nostalgia de uma adolescência distante(?), incerteza com o futuro, arrependimentos e hora de tomar uma decisão. No meu caso em particular, tudo isso se aplica um pouco ao meu ano de 2010, o que explica porque eu me identifiquei tanto com os CDs.

 

Toda vez que eu escuto Jair Naves cantar, em Araguari I,  “hoje sou eu quem cuido dos meus pais, e as crianças da nossa rua já não somos nós”, dá vontade de passar na rua em que eu morei dos 5 aos 23 anos de idade. E às vezes é o que eu faço, mudo o caminho e passo lá (é perto de onde eu moro hoje, então não é nenhum esforço tão heróico assim). E essa mesma nostalgia eu sinto quando escuto o Brunão falar, em Trocados, “é estranho e engraçado o que a juventude em cinco anos fez com meu sonhos, é no mínimo inusitado que eu me veja me afastando de todos que eu amava”. Dá vontade de ligar pra certas pessoas que não vejo há um tempão, mas eu não ligo (eu não consigo fazer um esforço tão heróico assim).

 

E depois, em Silenciosa, o Jair Naves vem com aquela de “Se não deu certo com a gente acho que nunca vai dar” e “Deve haver em tudo isso alguma lição, algo a ser aprendido, uma compensação para o quanto nós nos ferimos”. E o Brunão completa com “so i’ll spend the whole month locked in my room, and then i’ll spend the whole month looking for some girl who could spend the whole month with me in my bedroom”, em Hard Process. Mas se nunca mais vai dar certo, por que continuar procurando? escuta Garota do Molotov que dá pra entender, pode não aparecer mais o amor da sua vida, mas ainda dá pra acordar de madrugada e encontrar uma garota bonita fazendo brigadeiro e pedindo pra continuar. Pensando bem, ainda pode aparecer o amor da sua vida sim.

 

Então, depois de te mostrar esse vídeo aí em cima e falar sobre esses CDs pra você (aqui é você leitor, mas isso realmente aconteceu), aí você quer me falar de Otto? Nao dá. E se você estava se perguntando o que tinha a ver eu falar dos dois EPs no mesmo texto, agora você deve estar se perguntando porque além dos dois EPs eu estou falando de mim e falando mal do Otto, “porra, eu não quero saber de você, e não fala mal do Otto, hein, é o melhor cd do ano, vc tá de brincadeira?” Não estou, o pior é que não estou. Sinceridade, my dear. nem Recife nem Haiti, Araguari é aqui, Araguari não é aqui. Alagoas é o poder.

 

Então de novo, se você é do tipo que curte uma cerveja com os amigos no boteco terça à noite, que adora Elliott Smith, Bonnie Prince Billy e Smog, não vive sem telecine cult, ama futebol mesmo com seu time na Série D do Brasileirão, e não sabe se está muito novo ou muito velho pra arriscar tudo, acho que você está me imitando. Brincadeira (foi ruim essa, né?), se você é desse tipo aí que eu falei, ouve os EPs, você vai gostar. E se você não é, ouve também, nem que seja uma vez, depois você volta pro Otto.

 

E eu poderia escrever páginas e páginas sobre as outras músicas dos dois EPs, quantidade inversamente proporcional ao que tenho escrito na monografia da minha pós graduação, mas eu não estou com paciência pra nenhuma das duas coisas. É isso, União e Força. Como diria o Rodo (@rodolfollima) no release do EP da Black Jeans, “eu estou conversando com você, meu amigo, só que por alguma razão tem uma melodia nos acompanhando”.

 

 

Baixe aqui "Araguari – Jair Naves"

Baixe aqui "Primeiro – Black Jeans My Dear"

COBERTURA DO SHOW DO DEBATE (SP)

 

No dia 12 de setembro de 2010, a banda paulistana Debate se apresentou em terras maceioenses pela primeira vez. Se você era uma das 30 pessoas que foram ao evento, realizado no The Jungle, na Cruz das almas, parabéns. Se você não foi, eu só lamento. Eu sou uma das 30 pessoas que foram! Nada mais óbvio, já que eu fui um dos loucos que teve a idéia de trazer a banda. Além da banda de São Paulo, também tocaram no show os punks alagoanos da Morra Tentando e a minha banda, Baztian. Então, vou-lhes falar como foi que sucedeu esse evento organizado por nós aqui da Popfuzz.

 

 

Estava eu em casa de bobeira na frente do computador quando minha janelinha do msn pisca, era um amigo da Bahia que me oferecia um show de uma banda chamada Debate, de São Paulo. O Debate era (ainda é) uma banda com fortes tendências Math, post hardcoreanas, da qual eu gostava (gosto) bastante. Fiquei bem interessado e joguei a  idéia para os meus parceiros de coletivo, que ficaram de estudar o caso. Eu e Caíque (vulgo Jorg) ficamos no “pé” da galera porque, como bons garotos, rockeiros e esquisitos, éramos e ainda somos entusiastas de marca maior do rock feito no meio-oeste americano. Pra aumentar mais o interesse descolei o contato com uma amiga que reside atualmente em São Paulo, que veio me falar que o Debate estava cheio de vontade de tocar na nossa bela cidade. Vontade vinda do guitarrista e vocalista Sérgio Ugeda, que ela encontrou por coincidência na terra da garoa dias antes da tour ser fechada.

 

 

Contato feito através de emails, e descobrimos que os caras iam trazer o som completo pra turnê. Ao dizer completo quero dizer tudo mesmo: bateria, amplificadores de baixo e de guitarra, microfone e até Pa’s. Sabendo disso e sabendo da situação do caixa do coletivo (rock é pra se arrombar), propusemos uma possibilidade das bandas de abertura utilizarem o som deles, possibilidade aceita tranquilamente por eles (essas coisas só acontecem no rock). Assim sendo, aconteceram as velhas adversidades que dessa vez foram lei de Murphy na cabeça. Confusão de datas, impressão de panfletos erradas, dificuldade para achar uma casa de show, viagens, vacilos. No fim, sobrevivemos.

 

 

Chegamos no domingo do evento, estava eu no nervosismo maior, dia chuvoso, as coisas já não tinham ido tão bem até ali, resolvi tomar uma cerveja (uma? hahaha) pra rebater o nervosismo, as horas passavam, estávamos esperando os caras da banda chegarem, pois só poderíamos montar um som quando tivéssemos um som, que era o deles. Isso tava tranquilo, o pior é que as horas passavam e ninguém queria que o show começasse tarde, mas o público também não chegava, ó céus! Os caras chegam e na maior raça montam o som geral. O público chega acanhadamente, alguns amigos e … mais alguns amigos. Sobe ao palco a Morra Tentando, banda de hardcore de responsa alagoana. Nervosos e melódicos, influenciados por Noção de Nada, Street Bulldogs, até os gringos, Hot Water Music e Dag Nasty. Joãozinho Marcelo, companheiro lost de noites ébrias da cidade, sempre botando pra fuder, mostrando que quem canta rock honesto é doido de verdade. Fora uma banda com instrumentistas que sabem tocar hardcore de verdade, sem frescura.

 

Nesta hora o nervosismo havia passado e eu estava apenas levemente embriagado e ansioso. Vou ficar um pouco na banquinha de discos, o som ambiente rolando por enquanto que os paulistas se ajeitam e regulam tudo no palco era da maior moral. Colocado por eles mesmo foram de Seaweed a dEUS, finesse. O público não aumenta, eu não to mais nem ai, me levanto e agora eu só quero ver o show do Debate. A banda surgiu em 2004 logo após a dissolução do seminal Diagonal, que no começo compunha 2/3 do Debate. Depois de excursionar Por vários lugares do Brasil e pelos E.U.A, inclusive tocando no festival South by southwest no Texas, tiveram um pequeno hiato e a banda voltou reformulada contando apenas como membro original, o vocalista e guitarrista já mencionado, Sergio Ugeda. Acompanhando ele, uma galera que pra mim é sensacional: Fernão Spadotto no baixo, Wagner Passos  no teclado e já conhecido de outros carnavais de alguns por ali, o sergipano residente em SP, Thiago Andrade, ou Babalu, que já passou por aqui no passado com bandas como Triste Fim de Rosilene, Perdeu a Língua e outras mais que me escapam no momento.

 

 

 

Então, começa o show e os caras simplesmente mandam uma hora de rock torto, desconstruído, depois construído, bonito, bem tocado e intenso. Velho, foi tipo: “Se Maomé não vai até Washington, Washington vai até Maomé”, e ainda com um jeitinho brasileiro. (desculpem-me os amigos muçulmanos sem senso de humor). Terminando com uma porrada digna e fugaziana.

 

Depois disso subiu pra tocar minha banda, a Baztian, tocamos seis músicas por causa da hora avançada pra um domingo. Os amigos agüentaram na frente do palco ainda, tiraram uma onda, falaram pra gente que foi legal, sei que eu é que não vou ficar falando muito do show da banda que eu toco porque é ridículo. Saca ai um dia que a gente for tocar.

 

Satisfeito estava, não importa se não tinha ninguém, não importa se deu dor de cabeça. Valeu à pena realizar essa gig. Vi um show de uma banda massa e além do mais os caras são muito gente fina. Ainda houve tempo de ir a um posto de conveniência tomar algumas cervas, com o figura gente boa, Sérgio e conversar várias coisas como: qual o melhor disco do Afgham Whigs?; Falar que o Built to Spill é muito foda; Ele se gaba sobre ter conhecido Ian Mackaye; O Shudder to think é sensacional e existem fãs brasileiros; promessas de trocas de figurinha futuras, nerdismo de quem ama música, sabe qual é? Pois é! Além de assuntos gerais, polêmicos e outros nem tanto.

 

Enfim, quem foi, foi. Quem não foi, não foi! E ainda é vacilão!

 

Paz, união e força, falou!

 

 

Rodolfo Lima

(Colega de crisma do Chico Anysio

Igreja de Santa Graça, turma de 1950.)

ESMIUÇANDO! Wild Beast – Two Dancers


ESMIUÇANDO!  

Bem vindos, marinheiros, a esta humilde fragata sonora que vos toma de assalto. Es-mi-u-ça-da-men-te vamos discorrer sobre alguns dos discos que possuem intenso apreço (ou desprezo) do que vos fala. Os mesmos serão apresentados esquartejados, resenhados faixa a faixa e acompanhado de algumas abstrações líricas e pequenos impropérios. Tome seu remédio para enjôo e prepare-se para a torrente a proa.


Lançamento: 3 de agosto de 2009 no Reino Unido/ 8 de Setembro de 2009 nos EUA.

Gravadora: Domino Records.

Tag: Indie Rock/Pop

Quem diabos são os WILD BEASTS?

Os Wild Beasts são quatro jovens da cidade de Kendal, localizada no distrito dos lagos na Inglaterra, inicialmente formados por Hayden Thorpe e Ben Little (respectivamente guitarrista/baixista/vocalista e guitarrista/tecladista/vocalista) com o nome de Duo Fauve (Wild Beast em francês). Com dois álbuns lançados na praça (o primeiro se chama Limbo Panto, outro petardo musical) mostram um som que vai num direcionamento completamente diferente do que se ouve no indie rock/pop da década de 90 pra cá. Intercalando vocais em falseto (mezzo afetado do Hayden Thorpe) e um barítono poderoso (do Ben Little na escola de Anthony Hargarty do Antony and the Johnsons,) pode-se dizer que é uma das bandas mais inventivas e originais do presente século, com suas letras extremamente liricas e lascivas. Sagacidade e classe é a palavra de ordem. http://www.myspace.com/wildbeasts

Prazer em conhecer, Wild Beasts. Vamos acabar com a firula e cair dentro do que estamos esperando.

Two Dancers, faixa a faixa:

Faixa 01

THE FUN POWDER PLOT.

Cotação: **

Com um teclado dreamy, um baixo pulsante seguido por bateria bastante minimalista, dá-se inicio à faixa que tem como tema uma declaração lírica mezzo-política a respeito de um protesto realizado em maio de 2004, da associação de pais ingleses incorformados com a perda de igualdade de direitos (joguem no Google: Fathers 4 Justice + The Fun Powder Plot para maiores informações). Cantada completamente na voz do Hayden Thorpe a faixa é hipnotizante, com suas guitarras bem encaixadas, acaba sendo uma ótima entrada para o banquete que se segue.

Faixa 02

HOOTING & HOWLING.


Cotação: ****

Devo avisar-lhes: Essa é uma das minhas faixas favoritas da bolacha. Coisa fina. Mais uma faixa do Thorpe com seu vocal, derramando todo sua compaixão sobre “as meninas” que ele deve/quer proteger dos brutos calçados em suas botas, prontos para violência e terror (você sabe muito bem das quais ele fala: “And I’m not saying the girls are worth the fines I’m paying”). Mas no final das contas todos nós somos brutos. Faixa com pianos minimalistas, guitarras dedilhadas e um baixo marcante, junto com uma bateria muito envolvente.

Faixa 03

ALL THE KINGS MEN.


Cotação: ****

A faixa mais afetada do disco, logo se tornando uma das melhores também. Primeira aparição do Ben Little logo no início da musica, fazendo contraparte à entrada rasgante do Thorpe, que segue por toda musica cantando pequenas frases com seu falseto inconfundível. Com suas guitarras minimalistas e a bateria em tom marcial, a letra vai discorrendo sobre o comportamento do tal “rei do todos os homens” (quem mais poderia ser o rei de todos os homens, senão as mulheres). “Girls astride me/girls beneath me/girls before me/girls between me/youre birthing machines and let me show my darling what that means.” Precisa falar mais?

Faixa 04

WHEN I’M SLEEPY

Cotação: ***

A menor faixa do disco. Dreamy do início ao fim, cantada apenas pelo Thorpe, começa bem contida e vai crescendo, crescendo, culminando em seus falsetos, dando início a fase mais dreampop do disco. Como se realmente estivéssemos sonolentos, prestes a entrar num sonho fantástico e aterrador.

Faixa 05

WE STILL GOT THE TASTE DANCING ON OUR TONGUES


Cotação: *****

Simplesmente sublime, considerada a melhor faixa do disco por este que vos fala, é uma daquelas musicas que realmente tocam e fazem um belo estrago. Sempre que ouço passo uns bons minutos repetindo-a, repetindo-a e repetindo-a. Começando com um piano e uma bateria percussiva, Thorpe começa cantando de forma contida, longe do seu falsete de costume, até que entram as guitarras completamente hipnotizantes e aos poucos ele vai se soltando. A música vai crescendo, crescendo e atinge um clímax lindo e irrepreensível. Com um clima bastante hedonista (nenhuma novidade ao que se espera do Wild Beasts), a letra discorre questionando porque de nos lamentarmos pelos nossos “guilty pleasures” se no final é o que nos proporcionam prazer (sejam eles quais forem: lícitos, ilícitos, morais, imorais ou amorais). “Whatso wrong with just a little fun? We still got the taste dancin’ on our tongues. (…)Why should we feel bad for what weve done? We still got the taste dancin on our tongues.”

Faixas 06/07

TWO DANCERS/TWO DANCERS II

Cotação: ****/****

Faixas irmãs e indissociáveis. Lindas, sublimes e complementares. Com instrumental carregado, como sempre com guitarras minimalistas e bateria percussiva, a primeira faixa (Two Dancers), mais upbeat, narra os lamentos de uma mulher ao seu homem pelo meio a que recorreu, em desespero, para sobreviver aos tempos difíceis em que ele não esteve presente: A prostituição. Our son was dying and we could hardly eat”, “I’ve seen my children turn away from me”, sem falar da narrativa do ato em si, de forma tão cruel e sublime. A segunda (Two Dancers II) é bem mais lenta, e de certa forma mais trágica. Após a primeira em que a personagem narra todos os sofrimentos passados pelo abandono, no segundo ela reflete sobre o acontecido, terminando por dizer: “Two hearts, no more”.

Faixa 08

THIS IS OUR LOT

Cotação: ***

O que são essas guitarras no inicio da música!? Essa é a faixa que mais remete ao clima burlesco do primeiro álbum, apesar de seguir a temática carregada e trágica que é mote do disco, mas rompendo com a parte mais dreamy. Começando com um vocal mais contido, a faixa vai crescendo e então aparecem os dotes vocais da banda em um clímax fantástico.

Faixa 09

UNDERBELLY

Cotação: ****

Continuando num clima mais etéreo, essa é a faixa mais bonita e pomposa do álbum. Devo confessar que passei um bom tempo negligenciando-a, mas ouvindo com carinho ela conquista fortemente. A letra trata da desventura de nascermos puros e inocentes e a vontade de morrermos da mesma forma, porém a vida não nos permite isso. Trata de como nos corrompemos ao passar do tempo, nos tornando cínicos, brutos e cruéis. Poética e tocante.

Faixa 10

THE EMPTY NEST

Cotação: ***

Como entrega o título da música, a letra trata da saída e o complexo do ninho vazio (num contexto mais abrangente, trata sobre abandono). Sublime, carregada de emoção, discorre sobre a incompreensão de quem possui tudo mas abandona o que possui em busca do novo. Fechando com chave de ouro, a sonoridade continua praticamente a mesma de todo o álbum. Instrumentação minimalista e um apuro vocal irrepreensível. Após esta ultima música a pessoa realmente nota que esse é um álbum conceitual, tratando sobre a perda. Seja da inocência, da companhia, da dignidade ou da moralidade.

That’s all folks, espero que tenham curtido essa viagem sonora sem enjoar com as arrebentações à frente desta humilde fragata. Aguardo indicações para posteriores análises de álbuns, só deixar ai nos comentários. See ya!

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II Tour NE – Episódio 5: Maceió

Por marconalesso

Video por Marco Nalesso | Amerê Coletivo
Texto por Alexandre Avelar | Coletivo Palafita e Minibox Lunar


 

Viagem surreal II, a vingança!

Parece que nossas previsões de duração das viagens são sempre frustradas. Na verdade, além da legislação não permitir, a van tá muito pesada pra andar rápido, ainda mais puxando a carrocinha com a bagagem/equipamento.

As expectativas são as melhores: sempre quisemos tocar à beira-mar. E ao pôr-do-sol. Hoje vamos realizar os dois desejos de uma vez!

Chegamos em Maceió e fomos recebidos pelo Coletivo Popfuzz. Imediatamente nos levaram pra almoçar. Normal, o curioso é que ao lado do restaurante tinha um cara ouvindo Roberto Villar no ultimo volume! Pra quem não sabe, Villar é um dos caras mais conhecidos (especialmente na região Norte) do brega, e é influência nossa. Mais que isso, tem uma citação, hehe. Shhhh, num conta pra ninguém!

Depois de amendoim cozido e bastante comida, seguimos pro local do show, um palco montado na beira da praia, um projeto da prefeitura. Passamos som e tocamos em seguida, de tardinha! Espero que o microfone não tenha ficado com cheiro de frango assado. Mais tarde soubemos que Wado, o grande cantor e compositor Alagoano, contribuiu pro sucesso do empreendimento e pro casamento dele (evento) com a turnê Fora do Eixo Nordeste. Fica registrado aqui o abraço pro Wado!

Maninho, esse foi um forte candidato a melhor show da turnê. Bem, mas ainda não estamos nem na metade. Já os Neviltons tiveram mais público que nós, mas não tiveram o pôr-do-sol. Troca justa. Show deles não fugiu à regra, contagiante. Um mergulho no mar de Maceió depois de guardar as tralhas, pra comemorar!

Enxarcados, seguimos pra um albergue simpatissíssimo, o Plano B. Denominação sugestiva, mas até injusta. Nível de plano A, pra mim.

Aproveitamos que o evento foi cedo, pra reunir com o Popfuzz. Iniciamos na (chiquérrima) Creperia que patrocinou nossa janta, mas seguimos pra terminar na calçada, do lado do supermercado 24h da cidade, sem barulho! Fiquei muito contente de conhecer os Popfuzzes. São super gente boa, comprometidos e na pilha de fazer as coisas acontecerem. Parabéns pra eles! Nos sentimos em casa.

Originalmente Postado em: http://foradoeixotour.wordpress.com/2010/04/22/ii-tour-ne-episodio-5-maceio/

Mistura fina (Cobertura da Sirva-se)

Depois da primeira e bem sucedida turnê Fora do Eixo pelo Nordeste com as bandas Burro Morto, Macaco Bong e Porcas Borboletas, foi a vez das revelações Mini Box Lunar e Nevilton fazerem as malas e darem um giro pela região. O projeto que conta com a produção local do coletivo PopFuzz, recebeu o apoio importante da Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC), que trouxe para a programação do Maceió Viva Cultura as duas bandas e mais uma alagoana de Blues e, de quebra, com a participação de um norte-americano. Uma mistura e tanto.

Pouco depois da 16h30, uma das bandas mais comentadas do atual cenário musical brasileiro subiu ao palco. A Mini Box Lunar chegou a Maceió com a pompa de ser considerada pela revista Rolling Stone brasileira, como “a grande revelação do pop amazônico” e ser sempre comentada pelo jornalista e figurão dos festivais independentes, Alex Antunes, como uma das bandas novas mais interessantes.

Como o próprio Nevilton diria mais tarde, a Mini Box Lunar é uma “coisa linda de Deus”. A banda que vem do Amapá trouxe para a praia de Jatiúca toda a psicodelia da floresta Amazônica misturada com os ritmos nortistas do Brasil. A proximidade com o Pará, também está presente no caldeirão sonoro da turma. É brega, folk, tropicália, rock progressivo, bossa nova e country music. Pode procurar, tudo está lá!

Não sou muito bom de fazer analogias, mas a impressão que eu tive depois do show da Mini Box Lunar é que a banda seria uma espécie de Patu Fu do Norte. Sendo que ao contrário do grupo mineiro, eles teriam não uma, mas duas Fernandas Takais…

 

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HominisCanidaee – Entrevista Carlos Dias (Carlinhos)

Seguindo a série de entrevistas que estamos fazendo sobre figuras do mundo da música que influenciaram ou influenciam boa parte das bandas e pessoas que acompanham o Hominis. Se alguem quiser sugerir entrevista, chega la no blog e manda na caixa de mensagem.
 
O Paulo Marcondes fez uma entrevista com o Carlinhos Dias, da Polara, Againe, Caxabaxa e diversos outros projetos que você encontra la no blog pra download…


Provavelmente você já ouviu alguma música de Carlos Dias (Carlinhos). Não? Againe, Polara, Albertinho dos Reys, Caxabaxa, Diluentes, Tube Screamers? Te
m certeza? Em uma entrevista feita por e-mail, ele falou sobre as bandas, o que curte da cena atual, projetos futuros, se againe e polara irão voltar um dia e etc. Saca só:

 

1) Quantas bandas você já teve? Eu consigo lembrar do: tube screamers, againe, polara, albertinho dos reys, caxabaxa, walter e reys…

Olha, a contar do primeiro show, ou desde que mudei pra sao paulo em 88? Se for desde criança já forma muitas… Spektro, que era de heavy metal,isso tipo 85, o Esquem em Poa essa época era bem precário, só festival de escola, festa de dia das mães essas coisas…Depois cortei o cabelo em 87 pra poder tocar numa banda de hardcore , isso em Poa ainda….Mudei pra São Paulo em 88, andando de skate na rua conheci uns caras que tinham uma banda que tirava uns covers de anthrax, metallica etc… Toquei com eles por um tempo também. A banda não tinha nome, chegamos a tocar em um dos festivais do colégio equipe e mais alguma coisa. Eles seguiram mais tocando um deth extremo e eu sai, pq minha pegada era mais crossover, metal punk, etc… E também outras coisas da época que curtia tipo alien sex fiend, as coisas da sub por que tocava no programa do Kid Vinil… Esqueci uma parada. Em 90, toquei em uma banda chamada megaforce,de thrash… E a banda em Poa se chamava ridiculamente os sexomaniacos, e era tipo punk nacional, tipo influenciado pela coletânea ataque frontal,vikings are comig e punk finlandes. Conheci uns outros caras e montamos o Tube Screamers,gostavam só de Dag Nasty, Descendents, Melvins,e aquela parada todo que rolava la por 91,92…

 

O Tube Screamers foi a primeira banda de fato, gravar fitinha com capa, viajar pra outros estados etc. Trilhando por um caminho difícil porque a única banda que tinha no começo mas parecida com a gente era o Pinheads de curitiba.. Éramos banda Irmã do Muzzarelas de campinas, que nos proporcionaram bons shows, boas amizades. Em 95, montamos ao Againe, com a saída do Rubens,seguimos abanda colocando o Cesinha lost e o Fernando na outra guitarra…Com o Againe ainda existindo precariamente montei o Polara junto com o Rafael Crespo e o Sato. No começo porque tinha bastante musica o Againe meio parado, por causa de compromissos dos outros…. Ai o Polara seguiu um tempo, mas sempre naquelas de que cada um morava num pico né? O rafa no rio eu aqui o sato em osasco, e o marinho aqui também, mas agente conseguia levar ate. Depois comecei agravar minhas coisas sozinho,o Caxabaxa foi um projeto com o Adriano e com o Bruno Galan… Tem também o Matheus Walter, com que eu toco quando vou pra porto alegre. Não tenho muita pretensão de montar banda,pelo menos com objetivos de cds, merchans, etc… Como me mudei pra floripa, sigo gravando minhas coisas, afinal musica faz parte de mim, ela acontece, e seguindo os conselhos do meu pai que era musico de não virar musico (risos).

2) De onde surgiu o nome Albertinho dos Reys?

Eh o meu nome. Mas naquela pegada de cantor que inventava um nome artístico e etc… Meu nome é Carlos Alberto dos Reis Dias.


3) Da cena independente atual, você acha que da para tirar algo? Não só do hardcore, do rock em geral

Olha, não querendo citar nada, mas em geral o que eh feito com o coração, com vontade de verdade eu curto mais do que o bem feito ou o bem tocado. Acontece que a intenção hoje é bem diferente… Uma galera já pegou o caminho aberto e chega querendo sucesso de um dia pro outro.. normal, as vezes ate acontece, mas é uma coisa fugaz,talvez mais a ver com os tempos de hoje… O resolve “ah sou artista!” ou ate como ouvi de um cara uma vez… “po ta mais fácil viajar com arte do que montando banda”. Mesmo se da na arte, uma pá de “dizainerzinho” só porque tem uma mínima noção de preencher um espaço com algo meio legal se acha artista. O buraco eh mais embaixo… Na nossa época todo mundo tocava porque gostava sabe, sem quere desmerecer que vir ali e etc… Mas aquilo de fazer por amor que dava o toque que eu gostava se juntar fazer a parada, etc… Hoje em dia vem um Rick Bonadio e compra todas as bandas que ameaçam o sucesso da bola de vez. Deixando na mão os que estavam dando grana pra ele há pouco tempo… A banda nacional que eu acho mais legal é o ELMA.


4) Quem acompanha seus trabalhos há um certo tempo, pode notar que você se distanciou um pouco da música. Essa é a intenção mesmo? Focar nos seus outros trabalhos, como a arte?

O processo criativo é o mesmo, isso pra mim é uma necessidade, externar as o paradas que absorvo, seja em forma de musica, de arte, ou ate cozinhando se fosse o caso. A questão é conseguir sobreviver fazendo o que se gosta. Na a arte eu posso fazer o meu trabalho sem depender de ninguém, se eu tiver sozinho eu pego uma bic e saio desenhando, ou uma tela, o processo é mais solitário… Mas o mundinho próprio mesmo…A menos que seja um mural com varias pessoas… Talvez através da arte, através do aoseualcance, teve uma aceitação maior entre diferenciados tipo de pessoas, velhos, crianças, ricos pobres etc. Tem mais alcance, e também melhor retorno financeiro,afinal preciso pagar minhas contas.


Mudei pra Florianópolis tem dois anos e não toquei com ninguém lá, só sozinho hibernando no quarto. Ia lançar um disco no fim do ano passado, dois aliás, mas o cara que ia lançar deu pra trás pondo tudo a perder… Um disco de Albertinho dos Reys e um do Walter e Reys. Esse tipo de coisa da desanimo sabe? É coisa atrás de cosia a vida toda. Então optei por fazer eu minhas coisas, no tempo que der e pronto. Ou seja,estamos num momento de vários neo empresários, celulares e etc,existe essa facilidade hoje em dia nas comunicações que é inegável… É muito difícil voce se dedicar a algo tipo um disco, é um filho sabe,as musicas, a ordem e etc… Ai fica capengando o porquê nego que lança sei la o que, ou pra a fabrica musical…. Fica aquela coisa, o cara gosta, quer fazer pra quem gosta, mas na hora mesmo isso não é suficiente, e prefere dar preferência pra sub sei la o que! Então decidi por mim o que eu sempre fiz, tocar as coisas por mim mesmo, trampar, ganha grana, quando der com as minhas coisas, porque depende dos outros é complicado. O cara que eu mais confio nesse meio e acho firmeza é o Fred da submarine, e as coisas que ele lança, complementando sua pergunta de cima… Hurtmold, bodes e elefantes, as bandas dos meus amigos (risos).

 

5) O que você acha dessa coisa de download na cena independente do rock nacional?

Não entendi direito ,mas sou adepto, e também tudo que eu faço eu ponho pra download,em algum momento.

6) Uma coisa que sempre intrigou bastante os ouvintes do againe (principalmente no sem açúcar) e no Polara são as letras. Como elas eram escritas? Todo mundo que eu conheço e gosta das bandas, diz que elas são bem urbanas.

Olha, sou de porto alegre, sou praticamente um caipira na cidade grande. Essas letras a maioria, foram escritas em momentos refletindo isso, a minha visão da cidade. No caso do againe ja vinha desde antes essa temática. Nunca soube escrever letra de protesto, então queria uma coisa da cidade, dos relacionamentos, das amizades, etc. Hoje em dia que mudei pra praia, que começo a analisar isso tudo… Talvez daqui um tempo tenha mais a dizer, porque isso ai foi como se fosse uns vômitos, uns throw ups. Tipo escrevendo no ônibus, na casa dos outros, nos banheiros, sempre que lembrava algo,nem que fosse duas palavras, um expressão,ainda bem que tenho esses registros que dizem muito sobre mim….


7) Todos os fãs do againe e do Polara se sentem "órfãos". Há alguma possibilidade dessas bandas voltarem?

Sei la. Voltar não, um show ou outro talvez de tempos em tempos todo mundo fala…Mas se for isso é só uma reunião.

 

8) O que você anda escutando de música?

Depois do torrent e dos blogs e da net tudo mudou né? Antigamente pra você gostar de algo, tinha que compra o disco. Hoje em dia ta ali no itunes ou aonde for, e muita gente com vergonha do shuffle… Eu realmente tento ouvir de tudo, vivo por épocas, o de sempre, e o que nunca tive acesso… É isso.

9) Eu queria agradecer pela entrevista e pelo tempo cedido, de coração. Aquela hora clássica: shows, contato, divulgação…

Fiz um soundcloud do Albertinho, show não tem nada, ta saindo meu site www.aoseualcance.com, aonde pretendo por uma parte da musica juntando minhas coisas todas. Estou trabalhando num documentario da vida do meu pai que era musico tambem… A coisa mais massa que apareceu foi uma fita k7 de 68, que ta postada aqui.