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Outro Lado #5: Músicas da Turquia

Por Francis Silvestre

Coletivo Popfuzz


Opa, Opa! Demoramos mas voltamos!

Então, já recuperados da nossa viagem pelos suburbios da Africa do Sul? Espero que sim, pois essa viagem será uma viagem dupla, e falo dupla porque falaremos de rock e música psicodélica no hemisfério oriental.

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Outro Lado #4 – Música do Africa do Sul

Por Francis Glauber

Coletivo Popfuzz

Levantar âncoras, içar velas, desfazer as amarras! É hora de navegar novamente, marujos!

Já fomos ao norte (Finlândia), ao leste (Camboja), ao oeste (Saara), e agora nos direcionaremos para o sul do hemisfério oriental terrestre. Todos prontos? Leia Mais

Outro Lado #3

Por Francis Glauber

Coletivo Popfuzz

Salve, Salve, marujos! Prontos para mais uma viagem musical por terras distantes?

Já visitamos a África, passeando pelas areias escaldantes do Saara, conhecemos um pouco da história do sudeste asiático, com o rock quente do Camboja, e agora vamos desembarcar num país do extremo norte do planeta. Ali pertinho dos países escandinavos, onde existe um pequeno gigante musical desconhecido por esses lados. Leia Mais

Outro Lado #2

Por Francis Glauber

Coletivo Popfuzz

E aí, galerosos, estamos de volta pra trazer um pouco de músicas inusitadas de lugares exóticos. Então, estão preparados para a próxima viagem?

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Outro Lado #1

por Francis Glauber

Coletivo Popfuzz

O Saara é um deserto imenso. Gigante. Na real é o maior deserto não congelado do planeta. O bicho é tão grande que tem praticamente o tamanho da Europa e dos Estados Unidos. Com temperaturas que vão de -10 a 50º C, é praticamente impossível viver em meio tão inóspito. Você estaria morto antes de completar a primeira semana andando nas areias escaldantes e dormindo no frio praticamente polar sem ajuda especializada.

Continua…

Contra tudo e contra todos ou Como o show do Versu2 e ASU me mostrou que adversidades estão aí para serem enfrentadas e vencidas

Por: Francis Silvestre

Foi suado, corrido e cheio de contratempos. Tinha tudo pra não dar certo, mas deu! Aliás, deu bastante certo. E definitivamentefoi o show mais raçudo e o mais alto show de Hip-Hop do ano.

Cheguei no Linda Mascarenhas as 19h horas e já estava rolando o debate entre os membros do Versu2, A.S.U e a galera presente no evento. Tinha muita gente, pra lá de 100 pessoas. Adentrei o recinto, conversei com uns conhecidos e me dirigi para a área do teatro. Chegando lá vi que apesar da acalorada conversa com o Rangel (Versu2) e Will Grind (A.S.U) a frente do debate, o papo rolava sem microfone. Falei com Gabriel Passos (Coletivo Popfuzz) e ele me falou que não tava rolando o debate com o microfone porque nessa semana roubaram o amplificador de PA do espaço via caixa do ar condicionado e que o Eduardo Callado (Coletivo Popfuzz) tinha ido lá na casa do Zazo providenciar o som.

Beleza, papo fluindo legal no debate e de repente BUM! Acabou a energia. “E agora ai comofas?”.

Os telefones celulares começam a acender lá dentro mesmo, improvisando uma iluminação e com pouco tempo todos acabam por sair da sala de teatro pra tomar um ar. Papo vai, papo vem, nada de luz e o Callado chega com o som. Mas agora que tinhamos som não tinhamos energia.

O público do hip-hop é muito fiel mesmo: geral ficou lá fora, esperando a energia voltar. O lance da fidelidade se torna mais aparente quando se nota que não tinha bar pra tomar cerva enquanto se espera a volta da energia e que até mesmo o posto em frente ao espaço estava fechado por causa do apagão. Curioso que além do apagão os celulares também ficaram loucos, ninguém conseguia fazer ligação. Eu já estava pensando que tinha ocorrido alguma catástrofe por aí e que ainda ninguém no local tinha sido informado (hahaha!)

Passados mais uns 40 minutos (com quase toda a galera que estava lá desde o inicio) a luz volta e todos se deslocam para sala esperar os shows. Montagem do equipamento sendo feita (com umas caixas gigantes), fãs tirando foto com o Versu2 e tudo parecia esta entrando no eixos. Mas novamente começou a rolar uma demora. “Porraé? Que que houve?”.

Fui lá falar com o Diogo Braz (vocalista e guitarrista da banda Eek e que estava dando um suporte pro evento) e fui informado a linha de energia do palco do Linda não suportava o equipamento de som que ia ser usado e que precisava providenciar outro cabo de força pra ligar em outra linha de energia lá do teatro.

E lá vai o Callado novamente na casa do Zazo, pegar o cabo de energia pra ligar o som. Mais uns 20 minutos e ele chega. “Massa! Agora rola!”.

Terminam de montar o equipo lá (som monstro, muito alto mesmo!! Não duvido nada conseguir chegar ao nível de altura do show do Dinosaur Jr.) e então o DjGug (Versu2) começa a soltar uns sons iradíssimos, o cara soltava pedra após pedra, só som nacional. Coisa Linda!

Som vai, som vem e nada de show. Treta novamente. A mesa de som do Versu2 não era compatível com os microfones lá do Linda Mascarenhas. “E aí?”. Corre daqui, corre dali, e então descubro que não tinha mais estabilizador disponível no espaço porque os dois que tinham foram queimados quando se estava tentando ligar o equipamento. A salvação era conseguir usar a mesa do teatro mesmo.

Problema sanado, começa o som.

O Show do Versu2 é de cima demais, muito massa mesmo! Presença de palco instigante, batidas fantásticas, o que empolgou bastante o público. Legal ver que a produção do Hip Hop nacional tá crescendo cada dia mais, e conseguindo variar o tema, saindo da linha política-social (o que também é muito bacana) partindo também para temas mais individuais, explorando assim a criatividade e mostrando a vivência de cada um, afinal a política somos nós.

Rola uma, duas e na terceira música: “Cade o som? Tudo para. De novo!”

Corre daqui, corre de lá e então os caras do Versu2 fazem uma coisa muito genial: como não tinha som então DECLAMARAM a letra da música que eles iam tocar na hora. Coisa linda, letra inteligentíssima, emocionante! (descobri que como sou aficionado mais pelas batidas do que pela letra, deixo passar muito fácil as letras de Hip-Hop).

Logo depois das duas letras declamadas de forma emocionante (com direito a salva de palmas e tudo mais) se descobre qual o problema: a tomada do cabo de energia havia sido desligada.

Liga a tomada e som na caixa.

ASU entra no palco e manda aquele show cheio de energia, como sempre. A música nova dos caras é muito boa! Letra politizada sobre o Beverly Bills City, batidinha venenosa com um sampler foda de música de faroeste! (Enio Morricone em show de Hip Hop!). Participação do Raboo da Clandestinos tocando “Escombros” (pra mim a música de hip hop mais legal já produzida na cidade) fechou a noite em grande estilo. Após isso vamos embora, rumo ao Kascão pra bater um ranguinho com a galera do Versu2 e, depois, casa.

Pois é, foi corrido, suado e estressante. Com tudo conspirando pra dar errado, enfrentando falta de som, de energia, de telefone, de cabo de som, de microfone em meio de show e tudo mais. Por isso que foi o show mais raçudo do ano por enquanto! E foi assim como o show do Versu2 e A.S.U me mostraram que adversidades estão ai pra serem enfrentadas e vencidas, em qualquer aspecto. É nóis!

ESMIUÇANDO! Wild Beast – Two Dancers


ESMIUÇANDO!  

Bem vindos, marinheiros, a esta humilde fragata sonora que vos toma de assalto. Es-mi-u-ça-da-men-te vamos discorrer sobre alguns dos discos que possuem intenso apreço (ou desprezo) do que vos fala. Os mesmos serão apresentados esquartejados, resenhados faixa a faixa e acompanhado de algumas abstrações líricas e pequenos impropérios. Tome seu remédio para enjôo e prepare-se para a torrente a proa.


Lançamento: 3 de agosto de 2009 no Reino Unido/ 8 de Setembro de 2009 nos EUA.

Gravadora: Domino Records.

Tag: Indie Rock/Pop

Quem diabos são os WILD BEASTS?

Os Wild Beasts são quatro jovens da cidade de Kendal, localizada no distrito dos lagos na Inglaterra, inicialmente formados por Hayden Thorpe e Ben Little (respectivamente guitarrista/baixista/vocalista e guitarrista/tecladista/vocalista) com o nome de Duo Fauve (Wild Beast em francês). Com dois álbuns lançados na praça (o primeiro se chama Limbo Panto, outro petardo musical) mostram um som que vai num direcionamento completamente diferente do que se ouve no indie rock/pop da década de 90 pra cá. Intercalando vocais em falseto (mezzo afetado do Hayden Thorpe) e um barítono poderoso (do Ben Little na escola de Anthony Hargarty do Antony and the Johnsons,) pode-se dizer que é uma das bandas mais inventivas e originais do presente século, com suas letras extremamente liricas e lascivas. Sagacidade e classe é a palavra de ordem. http://www.myspace.com/wildbeasts

Prazer em conhecer, Wild Beasts. Vamos acabar com a firula e cair dentro do que estamos esperando.

Two Dancers, faixa a faixa:

Faixa 01

THE FUN POWDER PLOT.

Cotação: **

Com um teclado dreamy, um baixo pulsante seguido por bateria bastante minimalista, dá-se inicio à faixa que tem como tema uma declaração lírica mezzo-política a respeito de um protesto realizado em maio de 2004, da associação de pais ingleses incorformados com a perda de igualdade de direitos (joguem no Google: Fathers 4 Justice + The Fun Powder Plot para maiores informações). Cantada completamente na voz do Hayden Thorpe a faixa é hipnotizante, com suas guitarras bem encaixadas, acaba sendo uma ótima entrada para o banquete que se segue.

Faixa 02

HOOTING & HOWLING.


Cotação: ****

Devo avisar-lhes: Essa é uma das minhas faixas favoritas da bolacha. Coisa fina. Mais uma faixa do Thorpe com seu vocal, derramando todo sua compaixão sobre “as meninas” que ele deve/quer proteger dos brutos calçados em suas botas, prontos para violência e terror (você sabe muito bem das quais ele fala: “And I’m not saying the girls are worth the fines I’m paying”). Mas no final das contas todos nós somos brutos. Faixa com pianos minimalistas, guitarras dedilhadas e um baixo marcante, junto com uma bateria muito envolvente.

Faixa 03

ALL THE KINGS MEN.


Cotação: ****

A faixa mais afetada do disco, logo se tornando uma das melhores também. Primeira aparição do Ben Little logo no início da musica, fazendo contraparte à entrada rasgante do Thorpe, que segue por toda musica cantando pequenas frases com seu falseto inconfundível. Com suas guitarras minimalistas e a bateria em tom marcial, a letra vai discorrendo sobre o comportamento do tal “rei do todos os homens” (quem mais poderia ser o rei de todos os homens, senão as mulheres). “Girls astride me/girls beneath me/girls before me/girls between me/youre birthing machines and let me show my darling what that means.” Precisa falar mais?

Faixa 04

WHEN I’M SLEEPY

Cotação: ***

A menor faixa do disco. Dreamy do início ao fim, cantada apenas pelo Thorpe, começa bem contida e vai crescendo, crescendo, culminando em seus falsetos, dando início a fase mais dreampop do disco. Como se realmente estivéssemos sonolentos, prestes a entrar num sonho fantástico e aterrador.

Faixa 05

WE STILL GOT THE TASTE DANCING ON OUR TONGUES


Cotação: *****

Simplesmente sublime, considerada a melhor faixa do disco por este que vos fala, é uma daquelas musicas que realmente tocam e fazem um belo estrago. Sempre que ouço passo uns bons minutos repetindo-a, repetindo-a e repetindo-a. Começando com um piano e uma bateria percussiva, Thorpe começa cantando de forma contida, longe do seu falsete de costume, até que entram as guitarras completamente hipnotizantes e aos poucos ele vai se soltando. A música vai crescendo, crescendo e atinge um clímax lindo e irrepreensível. Com um clima bastante hedonista (nenhuma novidade ao que se espera do Wild Beasts), a letra discorre questionando porque de nos lamentarmos pelos nossos “guilty pleasures” se no final é o que nos proporcionam prazer (sejam eles quais forem: lícitos, ilícitos, morais, imorais ou amorais). “Whatso wrong with just a little fun? We still got the taste dancin’ on our tongues. (…)Why should we feel bad for what weve done? We still got the taste dancin on our tongues.”

Faixas 06/07

TWO DANCERS/TWO DANCERS II

Cotação: ****/****

Faixas irmãs e indissociáveis. Lindas, sublimes e complementares. Com instrumental carregado, como sempre com guitarras minimalistas e bateria percussiva, a primeira faixa (Two Dancers), mais upbeat, narra os lamentos de uma mulher ao seu homem pelo meio a que recorreu, em desespero, para sobreviver aos tempos difíceis em que ele não esteve presente: A prostituição. Our son was dying and we could hardly eat”, “I’ve seen my children turn away from me”, sem falar da narrativa do ato em si, de forma tão cruel e sublime. A segunda (Two Dancers II) é bem mais lenta, e de certa forma mais trágica. Após a primeira em que a personagem narra todos os sofrimentos passados pelo abandono, no segundo ela reflete sobre o acontecido, terminando por dizer: “Two hearts, no more”.

Faixa 08

THIS IS OUR LOT

Cotação: ***

O que são essas guitarras no inicio da música!? Essa é a faixa que mais remete ao clima burlesco do primeiro álbum, apesar de seguir a temática carregada e trágica que é mote do disco, mas rompendo com a parte mais dreamy. Começando com um vocal mais contido, a faixa vai crescendo e então aparecem os dotes vocais da banda em um clímax fantástico.

Faixa 09

UNDERBELLY

Cotação: ****

Continuando num clima mais etéreo, essa é a faixa mais bonita e pomposa do álbum. Devo confessar que passei um bom tempo negligenciando-a, mas ouvindo com carinho ela conquista fortemente. A letra trata da desventura de nascermos puros e inocentes e a vontade de morrermos da mesma forma, porém a vida não nos permite isso. Trata de como nos corrompemos ao passar do tempo, nos tornando cínicos, brutos e cruéis. Poética e tocante.

Faixa 10

THE EMPTY NEST

Cotação: ***

Como entrega o título da música, a letra trata da saída e o complexo do ninho vazio (num contexto mais abrangente, trata sobre abandono). Sublime, carregada de emoção, discorre sobre a incompreensão de quem possui tudo mas abandona o que possui em busca do novo. Fechando com chave de ouro, a sonoridade continua praticamente a mesma de todo o álbum. Instrumentação minimalista e um apuro vocal irrepreensível. Após esta ultima música a pessoa realmente nota que esse é um álbum conceitual, tratando sobre a perda. Seja da inocência, da companhia, da dignidade ou da moralidade.

That’s all folks, espero que tenham curtido essa viagem sonora sem enjoar com as arrebentações à frente desta humilde fragata. Aguardo indicações para posteriores análises de álbuns, só deixar ai nos comentários. See ya!

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