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Entrevista com Sandney Farias, Vocalista e Guitarrista da Misantropia!

 

Eu acredito que quem acompanhou a cena punk/hardcore do final dos anos 90, começo dos anos 00 viu alguns shows dessa banda. Era uma época em que se rendiam bons frutos e que contava com a presença engajada de pessoas que acreditavam ser possível realizar shows, muitas vezes colocando grana do próprio bolso para ver a coisa render. E com certeza muitas dessas pessoas que viram o show da banda sentiram sua força e sua presença. O nome dessa banda é Misantropia.

 

 

 

Misantropia é uma verdadeira instituição do hardcore alagoano, e por que não dizer? Do hardcore nacional, e o vocalista, guitarrista e compositor Sandney Farias e companheiros de banda continuam conseguindo fazer a coisa funcionar, há cerca de 18 anos.

 

Segue a entrevista com o indivíduo mais respeitado por quem acompanhou os shows da banda em Maceió, uma amostra de como ele pensa e de como suas idéias repercutem no som da banda. O tempo passou, os rostos ficaram diferentes, as barrigas cresceram mas a Misantropia não desacelerou, e continua dando uma verdadeira aula de hardcore para muita banda iniciante.

 

E você vai poder ver a banda voltar a ação no show de domingo, com um baterista novo, figura conhecida e admirada do hardcore alagoano, chamado Ives Toledo. O show de domingo conta ainda com as bandas The Biggs (SP), The Baggios (SE) e Baztian. Algumas palavras para você se instigar pra ir:

 

Bruno Jaborandy: Conta para a gente uma história resumida da Misantropia…

 

Sandney Farias: A Misantropia é uma banda que nasceu em junho de 1991 com o intuito de mudar o mundo. Não conseguimos mudá-lo, mas durante esse tempo de existência aprendemos muito, quebramos nossa cara várias vezes, fizemos várias amizades e descobrimos que fazer o que você gosta sem se preocupar com o retorno financeiro, com fama e/ou reconhecimento é algo que da um prazer imenso.Continuamos acreditando que a forma como nos relacionamos em sociedade e o sistema no qual vivemos precisar mudar, mas aprendemos que o esforço necessário para provocar essa mudança não virá apenas de acordes de guitarras e nem muito menos das palavras que pronunciamos. Um mundo livre, fraterno, baseado em princípios libertários e autogestionário exige uma evolução muito grande de cada ser que habita esse planeta, estamos nessa luta buscando evoluir enquanto indivíduos e a Misantropia é uma parte importante desse processo.

 

BJ:Vocês estão há quase 20 anos fazendo parte do underground alagoano. Qual a receita para continuar na atividade?

 

SF:Acredito que o segredo da longevidade da banda está associado à forma como a encaramos. A Misantropia é extremamente importante para nós, um meio pelo qual colocarmos para fora o que sentimos e nunca nos preocupamos demasiadamente com o dia de amanhã enquanto banda. Há um respeito muito grande entre os integrantes, independente dele estar na banda há 15 anos ou um dia, fazemos a coisa de coração e isso facilita a nossa caminhada. Dificuldades e problemas existem, mas preferimos focar naquilo que nos realiza.

 

BJ:A Misantropia é a banda mais importante para o hardcore alagoano, você sente que a banda influenciou o surgimento de novos grupos no estado?

 

SF:Com certeza somos a banda de hardcore alagoana que há mais tempo está na ativa, mas soa estranho para mim, e creio que para os outros integrantes, pensar que somos a mais importante dentro do cenário local. Tivemos e temos grandes bandas que fazem um som de qualidade na cena hardcore alagoana – não só nela, que foram e são importantes para que a coisa toda funcione e sobreviva.  Algumas pessoas que conhecemos e integrantes de bandas com as quais já tocamos nos falaram que a Misantropia era uma influência para elas. Ficamos felizes quando alguém nos fala isso, também ficamos um pouco sem jeito, mas entendo isso como um ciclo contínuo de retroalimentação. Fomos influenciados e motivados por outras bandas, por ideias e ideais, felizmente de alguma forma também participamos como um agente nesse ciclo.

 

BJ:Como era ser punk no começo da década de 90?

 

SF:Não era algo fácil, como creio que ainda não é hoje em dia. Uma coisa é você rasgar uma calça, colocar um moicano e sair dizendo que é punk, outra coisa é você "ser" punk – mas vou evitar analisar a questão pelo lado filosófico.

O que percebo hoje em dia é que usar um moicano ou ter uma banda já é algo que os pais acham bonitinho, aceitam e apóiam – não tenho nada contra isso e adoraria ter contado com o apoio de todos lá em casa. Na nossa época não era assim. Fora o Júnior, cuja mãe ajudava na hora de levantar o moicano, a maioria da galera já encontrava resistência dentro de casa. Passei muitos anos trocando poucas palavras com meu pai, sempre que ia cortar o cabelo ele fechava a cara para o meu lado. No colégio algumas pessoas me evitavam, como eu andava de coturno e com vários bottons alguns professores também me marcavam. A mãe de um amigo meu o proibiu de andar comigo, pois eu era má influencia, apesar de sermos amigos de infância e ela conhecer a minha família. Mas algumas pessoas também se aproximavam, porque de alguma forma o visual chamava a atenção. Havia um certo preconceito como ainda hoje há, só que acredito que o visual já se tornou lugar comum. Moicano, piercing e tatuagem já não assustam tanto quanto assustavam antigamente.

 

BJ:Que outras bandas que fizeram parte do hardcore alagoano você citaria como importantes para o movimento ?

 

SF:Vou responder a questão considerando a cena hardcore e não o movimento punk/anarquista. Não posso deixar de citar o Leprosário, creio que uma das primeiras bandas punks aqui de Alagoas – que teve o Nino do Discarga em uma de suas formações. Eles são contemporâneos da Karne Krua e fizeram parte de um grupo de pessoas que movimentaram muito a cena local na década de 80. Ainda tive a oportunidade de assistir a um show deles, também conheci e troquei ideais com o vocalista da banda. Sei que na época deles tivemos bandas como Ejaculação Precoce e Acracia. A Living in the Shit, praticamente começamos na mesma época, que tocava um hc bastante furioso e original é outra banda que deve ser citada. Não há como esquecer a clássica música deles Vivendo em Maceió. Temos também a Mental Problems de onde saíram o Marcelo e o Alvinho Cabral. Tem a Sinsinhor que foi/é uma banda que sempre batalhou muito também para se manter na ativa, que se não me engano gravou dois CDs e durante muito tempo organizou vários eventos na cidade. Mais recentemente, já do século atual, temos a Sleep Out, General Zorg, Full Line, Mutação e a Contra. O que acho interessante no caso da Contra é que além do som ela trouxe um lado ideológico, de organização e de movimentação muito forte que rendeu bons frutos, além de ter influenciado várias iniciativas que surgiram depois.

 

BJ:Você tem acompanhado os documentários mais recentes sobre o punk/hardcore, como os brasileiros Botinada e Guidable, e os gringos, American Hardcore e Punk Attitude?

 

SF:Já assisti ao Botinada e ao American Hardcore, mas ainda não vi o Guidable e o Punk Attitude. É muito bom ver pessoas que estão na luta há tempos contando um pouco do que viveram e vivem. Outro dia até viajei na ideia de produzirmos algo que levantasse um pouco da história da cena local. Gostaria de saber por onde anda o pessoal do Leprosário e de outras tantas bandas que tocaram os primeiros acordes distorcidos aqui em Alagoas.

 

BJ:Você acompanha as notícias sobre política no Brasil e no mundo?

 

SF:Eu procuro me manter informado. Como trabalho com internet passo boa parte do tempo navegando e sempre estou atento as notícias. No entanto confesso que a política nacional e/ou mundial não são os meus assuntos prediletos, mas presto muita atenção ao que acontece ao meu redor.

Há muito tempo que eu não acredito nesse sistema, não acredito nos políticos e na sua preocupação com o nosso bem estar. Na realidade somos todos parte de uma grande engrenagem – como diria a banda Restos de Nada- somos todos escravos de uma balde de lixo – que sustenta tudo isso e que infelizmente ainda vai demorar muito para mudar.  Nós nos acostumamos com isso tudo, a enganarmos e sermos enganados. Infelizmente para boa parte da humanidade não é possível vivermos de uma forma diferente. Acomodamo-nos com a forma como vivemos há muito séculos e com a caixinha que já vem preparada para vivermos dentro dela.

 

BJ:O que você acha dos novos movimentos musicais e de estilo que surgiram se dizendo inspirados pelo punk, como o emo?

 

SF:Tenho uma fita de um show do Cólera na qual o Redson fala mais ou menos o seguinte: O nosso maior inimigo não são as pessoas que escutam um som diferente do nosso, eu concordo com ele. Há vários estilos musicais dos quais eu não gosto, várias bandas que eu acho uma porcaria mesmo elas se dizendo inspiradas pelo punk. O que faço é não escutar bandas cujo som eu não curto. Não gostar de um determinado estilo musical não significa que provavelmente não irei gostar das pessoas que curtem aquele estilo.

 

BJ:Qual a expectativa para o show do dia 17?

 

SF:Cara são as melhores possíveis. Será praticamente o nosso primeiro show com o Ives, ele tocou na despedida do Wagner no estúdio do Pedrinho, mas será realmente o primeiro show com ele.  Estamos ensaiando muito. Ontem, 07/01, ensaiamos quase duas horas para passar todos os sons e na semana que vem teremos mais uma maratona dessas. Vamos aproveitar também para divulgar nosso CD, afinal desde que o lançamos fizemos poucos shows. Além disso, estou muito feliz por ver novas iniciativas surgindo (Coletivo PopFuzz e FVM Produções), pessoas se organizando e fazendo as correrias. Sempre senti saudades dos tempos de Verde HC e ultimamente elas ficaram ainda maiores.

 

BJ:O que você acha da cultura de coletivos, que vem crescendo no Brasil?

 

SF:Quando fomos tocar em Recife no ano passado estava trocando ideias com um amigo nosso e falava a ele que deveríamos procurar fortalecer as nossas relações com base nas afinidades que temos, deixando de lado nossos pontos de divergência – afinal nem sempre vamos concordar em tudo. Acredito que os coletivos surgem a partir da afinidade existente entre os seus integrantes que procuram se agrupar visando uma maior capacidade de mobilização e organização. Sendo assim, quando as propostas desses grupos são positivas e construtivas, a disseminação e proliferação dessa cultura é algo que tende, na pior das hipóteses,  a gerar benefícios para os indivíduos que fazem parte do coletivo. Tenho percebido também que os diversos coletivos estão se integrando, unindo forças e aumentando ainda mais a capacidade de articulação. Raul Seixas já dizia: sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só, mas um sonho que se sonha junto é realidade.

 

BJ:Para terminar: que conselho você daria para um garoto que começou a ouvir hardcore e que conseguiu ganhar uma guitarra?

 

SF:Se eu estivesse no lugar desse garoto a primeira coisa que faria seria tentar tirar os sons das bandas que curto, aproveitaria também para ter umas aulas e aprender a tocar guitarra para não chegar aos 35 me achando um péssimo guitarrista. Mas o principal, o que está acima de tudo, é você procurar conhecer o que está por trás da ideia do som que você curte. Não sou um xiita do tipo que acha que todo som tem que passar uma mensagem séria, mas acredito que quando você se envolve com algo, quando você vai levantar uma bandeira ou falar que se insere em determinado contexto deve saber o que defende. É muito fácil falar frases feitas, ser um papagaio, reproduzir idéias, mas provocar mudanças é extremamente complicado. Para mudar o mundo ao seu redor é necessário viver uma revolução diária dentro de você. Como diz uma música nossa tocada poucas vezes: a revolução não é um show de hardcore.

 

AUMENTA O VOLUME QUE É ROCK DO BOM: ENTREVISTA COM FLÁVIA BIGGS, DO THE BIGGS!

 

 

Ela está na correria do rock há um bom tempo e atualmente concilia as atividades de líder de banda, socióloga, professora, feminista, entre outras, como se descreve em sua página pessoal na internet. Seu nome é Flávia Biggs e ela é quem manda muito bem no vocal e guitarra da banda The Biggs, natural de Sorocaba, cidade natal do Wry, outra banda importante da cena underground nacional. Quando entrei em contato com ela falei o quanto admirava a banda, que era trilha sonora das minhas aventuras de bike por essa Maceió, o que ela achou massa!

 

Leia agora a entrevista que fiz com ela por email e conheça mais um pouco mais da Flávia, por meio de suas respostas muito bem humoradas. Se instigue também para ver o show da banda dela, que toca aqui em Maceió no dia 17, no The Jungle, ás 18:00, acompanhada das bandas The Baggios, de Sergipe, Baztian e Misantropia. Enjoy!

BJ: Desculpa se a pergunta for um pouco óbvia, mas o nome da banda tem algo a ver com Ronald Biggs?

 

FB: (Risos)Tem a ver sim, quando estávamos montando a banda, queríamos um nome que fosse tipo sobrenome de família, sabe? como "Ramones", "Smiths", isso foi bem na época em que os Sex Pistols vieram tocar no Brasil, tipo 96, eu tava lendo o jornal e tinha uma matéria falando do Ronald Biggs, do assalto ao “trem pagador”, sua relação com o punk rock, com os Sex Pistols, sua fuga para o Brasil, sua vida loca hahaha! Achamos que tinha tudo a ver, que soava legal, então adotamos pra banda, rolou!!

 

BJ: Você vem há cerca de dez anos fazendo um ótimo trabalho na cena underground brasileira, quais conselhos você daria a uma banda iniciante para se manter ativa ?

 

FB: Pra mim o mais importante é fazer porque gosta, porque não vive sem, tenho banda desde que me entendo por gente. Gosto de rock, de galera, do rolê do rock, conheço a Brown e a Mayra praticamente metade da minha vida, eles são como irmãos meus, amo tocar com eles, somos amigos, tomamos cerveja juntos, brigamos, fazemos a pazes e fazemos um som juntos, e isto é uma grande felicidade. Acredito que enquanto tivermos prazer em fazer musica juntos, e ficarmos contentes com o resultado, vamos continuar fazendo, pra mim banda é família. O lance de ficar buscando fórmulas de sucesso, tentando se encaixar em modismos é que frusta as bandas. Se você quer montar uma banda porque curte tocar com seus amigos, criar, fazer arte com eles, então manda brasa, o que vier, além disso, é lucro.

 

BJ: As outras formas de arte (cinema, literatura, artes plásticas) também tem influência na sua música?

 

FB: Com certeza! O som q fazemos é um reflexo das coisas que a gente vive, sente, vê, respira, absorve, tem influência na nossa vida, portanto na nossa música, gostamos de muita coisa, mas especialmente, arte/cultura marginal e suas expressões é com a gente mesmo! rsrsrs

 

BJ:Essa é uma pergunta que eu sempre gosto de fazer: teve algum momento, ou algum disco/filme/livro que teve uma influência maior no seu desejo de fazer música?

 

FB: Teve sim. Ramones!! A primeira vez que ouvi Ramones foi incrível, um mundo novo se abriu pra mim, o disco era "Rocket to Russia" um amigo me emprestou, eu já ouvia as bandas que meu irmão rolava em casa tipo Iron Maiden, mas sempre achei aquilo super “over” complicadão, fora da realidade, mas os Ramones não, eles pareciam dizer "olha como é fácil, faça você também"e foi ai, que aprendi os primeiros “power chords”, q a propósito uso até hoje hahaha!

 

BJ: Na cena atual brasileira, que bandas você admira?

 

FB: Bom, gostar gosto de várias!! Mas admirar eu admiro HellSakura (sonzera da Cherry (okoto), Human Trash ( outra banda da Mayra Biggs, um garage rock lindão), Leptospirose (jazzgrind mais style do mundo), Muzzarelas (guerreiros do rock underground), Pugna (rockdrão da minha quebrada aqui!! rs), Walverdes (puta sonzera, lá de Poa)! Admiro também as bandas contemporâneas do Biggs, guerreiras, que continuam na ativa também, tipo Wry, Garagefuzz, daí do nordeste tem o Snooze, Dago Red  entre outras! You rock!

 

 

BJ: Pelo fato de ser mulher em um cenário onde ainda há pouca presença feminina,  você sente que a banda é uma influência para que mais garotas queiram formar bandas?

 

FB:Por ser mulher, pelo tempo que temos de história, pelo “feedback” que recebemos por ai, acredito que sim, como banda não temos esta missão, somos pessoas que gostam de música e que fazem música juntos, somos verdadeiros, temos nossas ideologias e posturas em relação à vida como um todo, e isso influencia as mulheres e homens com quem temos/tivemos contato em nossas vidas, de role por ai, assim como somos influenciados todos os dias através da relações sociais que estabelecemos no nosso dia a dia, transformando e absorvendo idéias.

 

BJ:Você já tocou em Maceió? Qual a expectativa para o show do dia 17?

 

Nunca tocamos! Estamos super ansiosos, espero que seja super massa, que a galera curta o show, que façamos novos amigos, que dê tudo certo, e que dê tempo da gente dar um role pra conhecer a cidade!

 

BJ:Qual a sua opinião sobre a cultura de coletivos que vem surgindo e tomando força no cenário da música independente?

 

FB:Acho ótimo! Quanto mais galera se articulando pra fazer as coisas acontecerem melhor! É bom pra todo mundo, a troca de idéias de informações, a partilha, a solidariedade, só faz fortalecer a todos, como grupo e como indivíduos!

 

FB: Você usa as redes sociais para divulgar o trabalho da banda?

BJ: Sim, usamos orkut, facebook e twitter, super necessário e fácil, vixiii antigamente mandávamos, cartas e fitas K7 pelo correio!

 

BJ:Qual momento você destacaria na história do The Biggs como sendo o mais importante?

FB:Durante quase 15 anos de banda, muitas coisas legais aconteceram, tanto de reconhecimento quanto de oportunidade. Acho que posso destacar a nossa tour pra Argentina, o reconhecimento no livro “O que é punk”, do Antonio Bivar, os amigos que fizemos nesta trajetória que nos presentearam com gravações em programas de TV, vídeo- clipes, fotos, coletâneas internacionais, que votaram muito na gente pro prêmio Dynamite de música independente, tanto que acabamos ficamos em terceiro lugar na categoria “melhor álbum de rock”, atrás de Nação Zumbi e Cachorro Grande, pode? (risos). Não ganhamos mas foi um grande feito, pra uma banda lado B, ficamos felizes, isso entre tantas outras coisas, todas que foram rolando, meio que sem a gente planejar.

 

 

BJ: Em Sorocaba quais os lugares aos quais você levaria alguém que quisesse conhecer a cidade?

 

FB: Bom depende de quem fosse a pessoa! se fosse uma roqueira locona levaria para tomar uma no Shogum de aquecimento depois colaria no Asteroid (bar dos caras do Wry), depois quando amanhecesse levaria no parque das águas ver o sol nascer esperando a poeira baixar! (risos) Se fosse minha tia levaria na Padaria Real comer uma coxinha e nos lindos museus da cidade, se fosse um colega bikeiro como eu, levaria dar uma volta pelas ciclovias da cidade, se não me engano temos a maior extensão de ciclovias do pais! Você curte dar role de byke também né Bruno? Ouvindo Biggs! Brigadão hein! ;)

 

  

BJ:Algumas bandas brasileiras, como o Wry e Diesel tiveram a experiência de morar um tempo fora do Brasil, isso chegou a passar pela cabeça de vocês da The Biggs?

FB:Como banda não, como indivíduos já passamos períodos fora do país, mas sempre com idéia de voltar. Turnês tão sempre nas nossas cabeças adoramos dar role por ai, conhecer lugares e pessoas, tocando ainda…não tem nada melhor!

 

BJ:Os integrantes da The Biggs possuem outros empregos além da banda?

 

FB:Sim temos, haha! que dera fosse só rock dia e noite! Bom a Mayra é designer gráfica, faz uns trampos de ilustração, muito bons por sinal ;), eu sou professora de Sociologia, fico colocando minhoca na cabeça da molecada! Haha! e o Brown atualmente é gerente administrativo, tipo braço direito do patrão, até treinou alguém pra ficar no lugar dele durante a Tour! Mas ta se formando professor de Educação Física! Ui! 

 

 

Quais foram os grandes momentos da turnê de 2007? Como foi tocar na Argentina? 

 

Foi ótimo fizemos o role todo de carro! Fomos descendo fazendo shows pelo sul, Curitiba, Porto Alegre, São Leopoldo, Bento Gonçalves, passando pelo Uruguai até a Argentina, lá ficamos hospedados na casa Zombie das minas da banda She Devils fizemos mais uns 6 shows por lá com as bandas She Devils, Il Diabolo, Del Fuego, Fuzzly (de Cuiabá que tava de turnê por la também) entre outras. Esperamos voltar  pra lá em breve, super recomendo!!

 

 

 

 Bruno Jaborandy

Primeiro Congresso Popfuzz

Ou, simplesmente Lastdays.

Chegamos a Arapiraca no começo da tarde de sábado sob uma chuva muito pesada e fomos logo para a residência do nosso querido Esteverson Tales. saboreamos o almoço providenciado pelo nosso amigo Emílio Lima, que ficou responsável pela nossa alimentação com a ajuda vegana da nossa amiga Nanda Lúcio, carnívoros, vegetarianos e veganos ficaram muito felizes com o almoço.

Depois do almoço, alimentados e descansados, nos reunimos na sala para começar as primeiras discussões. No planejamento do Congresso nós tínhamos decidido dividir as reuniões em Grupos de Trabalho que ficariam responsáveis pelos temas a serem debatidos, porém, por consenso, decidimos redefinir as comissões, cargos e responsabilidades de cada um. Depois dividimos os grupos que ficariam responsáveis pelos eventos que vem por aí: Grito Rock, Maionese 2010 e Turnês Fora do Eixo.

Definidas as novas comissões criou-se um quadro com as atividades para o dia seguinte, que foi logo afixado na parede. A noite de sexta seguiu com o pessoal confraternizando no Botequim Nabaxa e na Área Verde de Arapiraca, tudo com um friozinho show de bola, resultado de um dia inteiro de chuva.

Domingo começou com nosso membro Lueba gravando seu projeto solo no quarto do nosso anfitrião. Guias gravadas, tudo indica que logo vai ficar pronto. Depois do almoço as comissões começaram a se reunir: Planejamento e Coordenação, no quarto do anfitrião, Sonorização na sala, Mídia e Comunicação na outra sala e Produção na varanda. Atas feitas, discussões rolando, todo mundo realizou seu trabalho. Aproveito aqui para parabenizar a participação mais do que efetiva dos nossos mais novos membros: Felipe, Rosy, Hugo, Kayê e Smhir.

Terminadas as reuniões alguns integrantes saíram para comprar cachorro quente para alimentar a todos. Sabores exóticos, como siri e bacalhau mostram como anda avançada a culinária arapiraquese. De banho tomado voltamos a área verde, para algumas cervejas, vinhos e outros.

Manhã de segunda e às 11 horas começamos a Reunião Geral, com os Grupos de Trabalho relatando o que discutiram, e rediscutindo com todo o grupo. Pontos importantes como o Grito Rock 2010 e o Caindo pra Dentro (projeto de interiorização das ações do coletivo) foram os mais discutidos. Metas definidas, deadlines estabelecidos, terminamos a discussão por volta de duas da tarde, almoçamos e fomos registrar a foto oficial do Primeiro Congresso Popfuzz no monumento conhecido como “Folhinha”, na entrada de Arapiraca. Lá diz: Bem Vindo a Arapiraca. Foi assim que todos nós nos sentimos. Alguns membros voltaram para Maceió e outros ficaram em Arapiraca, onde trabalharam até as 18h, fazendo o Cronograma 2010 e o Planejamento 2010.

Queria destacar aqui a importância da participação de nosso colega Diogo Pafa, guitarrista da Sex on The Beach e integrante do Natora Coletivo, que participou da reunião, colocando sempre pontos e sugestões importantes, a partir da vivência e do modus operandi do Natora. Foi massa também ter pela primeira vez um evento de reuniões do Coletivo registrado enquanto acontecia no Twitter, uma importante ferramenta de divulgação das nossas ações e de troca de informação com outros coletivos. Queríamos também agradecer aos pais do nosso amigo Tales, que fortaleceram a casa para a gente!

O Last Days veio para marcar nossa trajetória, e pra crer que vem aí um 2010 muito rico de ações do Coletivo Popfuzz. Vida longa a inteligência coletiva.

Por Bruno Jaborandy

A VOZ DOS RENEGADOS!

Entrevista com Daniela, vocalista e guitarrista da The Renegades of Punk

ROP

Ela é a voz da banda The Renegades of Punk e começou a arranhar algum instrumento por volta dos 15 anos de idade, e, aos 17, já tinha banda de hardcore. Já esteve em Maceió algumas vezes com duas bandas diferentes e a expectativa para o show que vai rolar nessa sexta-feira, junto com as bandas alagoanas Dad Fucked and The Mad Skunks e Morra Tentando, é a melhor possível. Conheça mais um pouco de Daniela nessa entrevista que fiz com ela, por email.

BJ – Queria que você fizesse uma pequena biografia da banda. Em que ano ela surgiu e como os integrantes se conheceram.

D- Bom, a banda começou de fato mesmo no inicio de 2007. Nessa época éramos eu, Ivo e Mauricio. A gente se conhecia do rolê mesmo, das bandas, shows… já éramos amigos de Mauricio e estávamos todos sempre falando em fazer algo juntos. Aí um dia botamos os planos em prática.

BJ- Você já participou de outras bandas da cena hardcore do seu estado. Como foi ter passado por essas bandas?

D- É, na verdade eu sempre toquei em bandas de hardcore. Minha outra atual banda (The Jezebels) é a primeira coisa mais “light” que eu faço. Foi legal ter feito esses projetos acontecerem. Eles representaram muito pra mim, pra todos que estavam envolvidos na época e, ouso dizer, até pra própria cena sergipana. Foram experiências marcantes que servem como uma espécie de trilha sonora de nossa vida. Felizmente e inevitavelmente a gente vai somando mais música a essa trilha e apostando em projetos novos, que também são expressão do que a gente ta vivendo no momento.

BJ-Tem algum disco ou algum acontecimento que marcaram a sua vontade de fazer música?

D-Com certeza! Vários! Mas o que eu lembro mais lá atrás foi uma coisa bem boba, mas que ficou na minha memória: ver o L7 tocando no Hollywood Rock em 93.

BJ-Como foi a experiência de tocar em Maceió?

A experiência foi legal. Eu tinha contato estreito com amigos daí e me senti super em casa na época. Mas já fazem 5 anos que não pisamos em solo alagoano, estamos ansiosos.

BJ- Qual a expectativa para esse show?

D- Ah! A melhor possível! Tem tempo que não passamos por aí, estamos sem ter notícias de Maceió tem tempo e queremos rever essa terra e nos interar do que está acontecendo aí, conhecer gente, bandas, trocar idéias e fazer aquele barulho, claro.

BJ-Na sua opinião qual a importância dos coletivos no atual panorama cultural brasileiro?

D-Acho legal quando as pessoas se juntam pra encontrar meios de realizar o que idealizam, o que acham relevante, etc. A criação de coletivos é uma das formas de organizar eventos, se mobilizar cultural e politicamente, e criar uma rede de cooperação para fins em comum. O problema que às vezes ocorre é que a “forma” engole o “conteúdo”. Às vezes a preocupação excessiva com democracismos e consensos acaba por desmobilizar e atrapalhar ações que uma ou duas pessoas poderiam estar realizando de forma mais prática e dinâmica. Assim, acredito que os coletivos são uma forma de organização, mas não são a única e nem necessariamente a melhor. Estamos passando por um momento interessante nesse sentido, a quantidade de coletivos novos é enorme e espero que se estabeleçam de forma inteligente. Mas, independente da forma de organização, o importante é não parar de fazer acontecer.

BJ-Você é adepta do veganismo. Em que momento você tomou consciência do que isso representa e como isso aconteceu?

Sim, eu sou vegana. Foi coisa de informação mesmo. Comecei a ver umas coisas, ler uns textos, conversar com amigos que já eram vegetarianos, enfim comecei a ter um pouco mais de ciência de como se faz e o que se faz dentro das fábricas de carnes e leite e a partir daí foi algo progressivo. Fui mudando hábitos, me tornei ovo-lacto-vegetariana e, logo em seguida, vegana.

BJ- Por haver poucas mulheres no cenário hardcore e pela postura que a sua banda tem você sente que atrai a atenção de outras garotas para o hardcore?

Nossa! Sinceramente? Eu gostaria! Hehe… É fato que existem poucas meninas, mas não só no hardcore e sim participando de uma forma mais geral, seja em banda, em zine, em coletivos… qualquer coisa. Sinto muita falta de ter outras garotas comigo neste barco e de ver, consumir coisas feitas por elas também. Mas fazer o que? Eu já pensei em mil coisas, tentei enxergar mil caminhos pra isso mudar. Se eu acabar chamando a atenção delas, maravilha. Meninas, join me!

BJ-Quais são os planos da The Renegades of Punk para 2010?

Nós estamos esperando chegar um re-lançamento nosso em 7’’ nosso que está saindo pelo selo alemão Thrashbastard, além de um 5 way com Os Estudantes, Ornitorrincos, Velho de Cancer e Homem-Elefante. Pretendemos continuar tocando e viajando o máximo possivel, e começar a produzir nosso 1º álbum (full) para tentar lançar no segundo semestre.

BJ- Quais ferramentas você usa para entrar em contato com os fãs de sua banda e para divulgação de shows?

Divulgação em geral é feita via internet pelos sites de relacionamento mesmo: comunidade da banda no orkut, fotolog, myspace, twitter, blogs de amigos e relacionados à cultura. Mas quando o show é mais local mesmo, aqui em Aracaju, além destas possibilidades, a gente ainda apela para o velho cartaz de show, a gente – principalmente Ivo – curte muito essa parte, e divulgação no rádio.