O Coletivo Popfuzz e a FVM Produções apresentam no dia 17 de janeiro, domingo, o Primeiro Show do Ano, com as bandas The Biggs (SP), The Baggios (SE) e as alagoanas Misantropia e Baztian. O show vai rolar no The Jungle, às 18:00, e os ingressos ficam a R$ 5,00.
The Biggs é uma banda com cerca de dez anos de estrada e que tem uma ótima reputação no cenário underground brasileiro, tendo seu nome citado até na obra de Antônio Bivar, “O que é Punk”, primeiro livro a detalhar o movimento no Brasil. Flávia Biggs e Mayra Biggs, que se conheciam da banda Dominatrix, se juntaram a Brown Biggs e fazem um som hard rock com uma pegada punk garageira. É um power trio que soa muito poderoso.
The Baggios é um duo da cidade de São Cristóvão, em Sergipe, e faz um som inspirado no blues e no rock ‘n roll de Jimi Hendrix e de bandas mais contemporâneas como The Black Keys e Jon Spencer Blues Explosion. A formação da banda, guitarra e bateria, não é tão comum mas os músicos dão conta do recado.
Lenda do hardcore alagoano a banda Misantropia volta com um novo integrante na sua formação, após a saída do baterista Wagner. Quem assume as baquetas agora é Ives Toledo, que já fez parte das bandas General Zorg e Contra. O vocalista e guitarrista Sandney e o baixista Júnior já tocam juntos há quase 20 anos e para o show vão levar as letras políticas e o som rápido que o público alagoano conhece e admira.
Baztian é a nova empreitada de Caíque Guimarães, Rodolfo Lima e Alcyr Vergetti. Após a pausa nas atividades da Jorg and The Cowboy Killers, Caíque juntou-se aos dois músicos já conhecidos na cena indie alagoana e adicionou uma forte pegada grunge no som. Baztian soa melódico e agressivo, com guitarras trabalhadas, um vocal que canta e grita com igual habilidade, baixo distorcido e a bateria concisa de Rodolfo.
Vai rolar ainda lanche vegan, banquinha da Popfuzz, distribuição de fanzines e banca da loja da Flávia Biggs com camisetas e merch da banda. Para maior informações, acesse o www.popfuzz.com.br e o myspace das bandas: www.myspace.com/thebiggsrock e www.myspace.com/baggios.
Serviço:
O que: Popfuzz e FVM Produções apresentam o Primeiro Show do Ano, com as bandas:
The Biggs (SP), The Baggios (SE), Misantropia e Baztian.
Onde: The Jungle, Avenida Comendador Leão, 485
Quando: Domingo, dia 17 de janeiro
Contato: Caíque Guimarães, 9925.9684
Por Daniel Bento e José Luiz
Fotos por Vanessa Mota
É sempre bom poder ver que com a simples vontade de se organizar e agir, as coisas caminham. Essa ação organizada é o que constitui a base conceitual do Circuito Fora do Eixo, uma rede de coletivos espalhados pelo país, focada na cooperação mútua e que busca romper os limites de uma cena independente dispersa e sem grande interatividade.
A partir dessa idéia, o grupo realiza turnês com bandas que fazem parte do casting da agência, visando um trabalho em conjunto com o intuito de ampliar contatos e dar vazão ao que vem sendo produzido fora do esquema Rio – São Paulo, além de atrelar ao seu contexto diversas ações, como a idéia de economia solidária, na vontade de fortalecer os propósitos de uma transformação sócio-cultural com um direcionamento mais relacionado ao campo da arte.
Em Maceió, o coletivo Popfuzz, foi recentemente associado a esse circuito, e hoje é o representante alagoano nessa rede cooperativa. Realizadores do Festival Maionese, o coletivo busca nesse contato, uma boa oportunidade de movimentar o cenário local, que ainda é muito carente de eventos alternativos, e expandir as fronteiras a partir do conceito explorado pelo Fora do Eixo.
A turnê, organizada por um aglomerado de coletivos nordestinos, trouxe em seu line up uma mistura muito boa, mostrando música produzida em diferentes partes do país, e contando ainda com o apoio direto de coletivos de outras regiões que também fazem parte do Circuito, criando uma interação que se mostra muito necessária e fomenta uma difusão de cultura no meio independente.
No roteiro, oito cidades a serem percorridas em oito dias pelas bandas Burro Morto (PB), Macaco Bong (MT) e Porcas Borboletas (MG). Maceió não ficou de fora e foi contemplada, na noite de ontem, com uma apresentação animada e de grande qualidade.
A encarregada de abrir o show foi a alagoana Cross The Breeze. O público e a banda ainda estavam meio tímidos, o que não trouxe tanta empolgação para a apresentação dos caras. O som é algo na linha de Sonic Youth, muito ruído e microfonia, mas sem a intensidade dos americanos. Tocaram ainda um pouco de Jesus and Mary Chain e deixaram a impressão de que ainda podem amadurecer bastante e talvez despontar como uma expoente local no estilo. A banda não fez feio, mas um pouco de presença de palco não faria mal a eles.
Os paraibanos da Burro Morto vieram logo depois, e apresentaram um som instrumental muito bem ensaiado e fortemente influenciado por ritmos brasileiros e africanos, misturados ao bom rock’n roll.
O resultado é algo bem dançante, que faz todo mundo começar a se mexer. O público chegou mais junto do palco e as coisas foram melhorando e esquentando, as luzes davam um clima meio psicodélico, completando o ambiente. A banda fez jus ao nome que já conseguiu conquistar no cenário nacional e demonstrou com competência que, ainda hoje, é possível criar e tocar um som com uma forte carga de elementos regionais, sem soar chata e repetitiva. Engraçado que depois de já rodar boa parte do Brasil só agora o Burro Morto veio tocar por aqui em Maceió, estado quase vizinho.
Dentro do show, ainda pudemos conferir de perto alguns temas que estarão no próximo disco deles. Com patrocínio do Projeto Pixinguinha, e com pinta de superprodução, o disco deve sair agora em fevereiro. É esperar para crer, mas que a parada tem tudo para firmar a banda no cenário da música contemporânea brasileira, com certeza tem!
Em seguida a apresentação mais performática da noite, que ficou por conta dos mineiros da Porcas Borboletas. Não pararam quietos enquanto tocavam. Os caras têm uma presença de palco altamente lisérgica, dançando, requebrando e se batendo, enfim, muito foda.
O destaque ficou por conta do percussionista, que lembrou de longe as performances dos caras do Slipknot, revirava o olho, fazendo “cara de doido” e se alternando entre o fundo e a frente do palco. Alguns ficaram se perguntando se ele sabia o que estava fazendo, e por incrível que pareça até quando ele raspava uma latinha de cerveja, ou batia um pedaço de metal arrancado sabe-se lá de onde, nos pratos e na bateria, a música fazia sentido e tudo se encaixava. Com letras que traduzem um pouco da ironia e do humor ácido dos integrantes, eles provocaram reações diversas no pessoal que estava presente. Gostando ou não do som, todos têm que admitir, os caras são bons e sabem fazer um show.
Pra encerrar a noite de maneira forte, chegou a vez da Macaco Bong, a banda que fez boa parte do pessoal que tava ali sair de casa. Logo na primeira música os caras já impressionaram. Alguns olhavam para o lado e percebiam que quem não estava dançando, estava olhando com cara de “abobado” para o palco, de boca aberta ou com um sorriso besta de orelha a orelha.
É difícil de acreditar que só três pessoas consigam fazer um som tão denso e palpável como eles. Em alguns momentos, lembram as guitarradas de Jimi Hendrix sem vocal e de uma maneira muito mais visceral e intensa.
O trio parecia sentir a música e fazer com que todo mundo ali a sentisse da mesma forma, tudo muito honesto. As músicas do disco Artista Igual Pedreiro são exploradas ao máximo durante o show, com inserções de temas improvisados e mudança de pequenos detalhes. Algumas, como a última “Vamos dar mais uma” originalmente gravada em pouco mais de sete minutos, ao vivo passou dos dez.
Ainda apresentaram uma releitura do bom e velho Nirvana, ao passo que parecia que tinham “enfiado” o Kurt Cobain dentro da guitarra do sujeito, o instrumento cantava sem emitir palavras. O show foi bem extenso, mas o tempo passou sem se fazer notar.
Ao fim, ficou a sensação de que há tempos não acontecia um show bom como esse em Maceió e o pessoal da PopFuzz, que também estava lançando sua página na web ontem, ainda prometeu mais coisa pro ano que vem. Tomara que a parceria entre eles e o Fora do Eixo continue trazendo coisa boa pra cá.
Enfim, um evento bem organizado e com qualidade. Fica aqui o reconhecimento da Sirva-se ao esforço e a iniciativa do coletivo que viabilizou esse show. E que venham mais coisas do tipo, Maceió está precisando.
Para conferir os vídeos que fizemos no show, acesso nosso canal no youtube.
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Continuar movimentando a cena independente em Maceió. Esse é o objetivo do show que será realizado nessa sexta-feira (18) com a banda sergipana The Renegades of Punk e as bandas alagoanas Morra Tentando e Dad Fucked and The Mad Skunks. O evento é resultado de uma parceria dos coletivos Popfuzz e da FVM Produções e vai rolar no Café Kancum (Antigo Beagá Café), ás 18h e ao valor de R$ 5,00.
A FVM Produções, da qual alguns membros do Coletivo Revide participam ativamente, teve a iniciativa de trazer a banda sergipana para Maceió e fechou a parceria com o Coletivo Popfuzz para a realização do show. Ambos os coletivos vem atuando de forma pontual na realização de eventos e se uniram para fortalecer a cultura de coletivos em Maceió.
A banda The Renegades of Punk é formada por integrantes que fizeram parte de bandas importantes da cena hardcore de Sergipe, como Triste Fim de Rosilene, e faz um punk rock/hardcore com influência de bandas de garagem dos anos 60 e 70, o grupo bebe na fonte de bandas como Ramones, Dead Kennedys, Mercenárias e Karne Krua. A formação conta com Daniela (vocal e guitarra), Ivo (bateria e voz) e João Mário (baixo e vocal).
Os integrantes da Morra Tentando se definem como: “rockisistas por natureza, skateiros por instinto, amantes da vida, artistas por falta de opção e músicos por erudição”. Fazem um hardcore com letras em português e influência de bandas como Noção de Nada, A Sangue Frio, Boom Boom Kid, Garage Fuzz e Polara.
Dad Fucked and The Mad Skunks é uma banda querida pelo publico do hardcore alagoano e que já tem cerca de 5 anos de estrada. Após um hiato de quase um ano a banda volta, com dois integrantes novos, Bruno Jaborandy (baixo) e Felipe Gomes (bateria). Para o vocalista da banda, Rodolfo Lima, a banda é “hardcore, mas com uns trompetes”, e tem influências que vão do ska jamaicano ao hardcore de bandas como Nofx e Sublime.
O evento vai contar ainda com a banquinha Popfuzz, vendendo CDs das bandas locais e da Compacto Rec, ligada ao Circuito Fora do Eixo, além de distribuição gratuitas de fanzines.