ESMIUÇANDO! Wild Beast – Two Dancers
ESMIUÇANDO!
Bem vindos, marinheiros, a esta humilde fragata sonora que vos toma de assalto. Es-mi-u-ça-da-men-te vamos discorrer sobre alguns dos discos que possuem intenso apreço (ou desprezo) do que vos fala. Os mesmos serão apresentados esquartejados, resenhados faixa a faixa e acompanhado de algumas abstrações líricas e pequenos impropérios. Tome seu remédio para enjôo e prepare-se para a torrente a proa.

Lançamento: 3 de agosto de 2009 no Reino Unido/ 8 de Setembro de 2009 nos EUA.
Gravadora: Domino Records.
Tag: Indie Rock/Pop
Quem diabos são os WILD BEASTS?
Os Wild Beasts são quatro jovens da cidade de Kendal, localizada no distrito dos lagos na Inglaterra, inicialmente formados por Hayden Thorpe e Ben Little (respectivamente guitarrista/baixista/vocalista e guitarrista/tecladista/vocalista) com o nome de Duo Fauve (Wild Beast em francês). Com dois álbuns lançados na praça (o primeiro se chama Limbo Panto, outro petardo musical) mostram um som que vai num direcionamento completamente diferente do que se ouve no indie rock/pop da década de 90 pra cá. Intercalando vocais em falseto (mezzo afetado do Hayden Thorpe) e um barítono poderoso (do Ben Little na escola de Anthony Hargarty do Antony and the Johnsons,) pode-se dizer que é uma das bandas mais inventivas e originais do presente século, com suas letras extremamente liricas e lascivas. Sagacidade e classe é a palavra de ordem. http://www.myspace.com/wildbeasts
Prazer em conhecer, Wild Beasts. Vamos acabar com a firula e cair dentro do que estamos esperando.
Two Dancers, faixa a faixa:
Faixa 01
THE FUN POWDER PLOT.
Cotação: **
Com um teclado dreamy, um baixo pulsante seguido por bateria bastante minimalista, dá-se inicio à faixa que tem como tema uma declaração lírica mezzo-política a respeito de um protesto realizado em maio de 2004, da associação de pais ingleses incorformados com a perda de igualdade de direitos (joguem no Google: Fathers 4 Justice + The Fun Powder Plot para maiores informações). Cantada completamente na voz do Hayden Thorpe a faixa é hipnotizante, com suas guitarras bem encaixadas, acaba sendo uma ótima entrada para o banquete que se segue.
Faixa 02
HOOTING & HOWLING.
Cotação: ****
Devo avisar-lhes: Essa é uma das minhas faixas favoritas da bolacha. Coisa fina. Mais uma faixa do Thorpe com seu vocal, derramando todo sua compaixão sobre “as meninas” que ele deve/quer proteger dos brutos calçados em suas botas, prontos para violência e terror (você sabe muito bem das quais ele fala: “And I’m not saying the girls are worth the fines I’m paying”). Mas no final das contas todos nós somos brutos. Faixa com pianos minimalistas, guitarras dedilhadas e um baixo marcante, junto com uma bateria muito envolvente.
Faixa 03
ALL THE KINGS MEN.
Cotação: ****
A faixa mais afetada do disco, logo se tornando uma das melhores também. Primeira aparição do Ben Little logo no início da musica, fazendo contraparte à entrada rasgante do Thorpe, que segue por toda musica cantando pequenas frases com seu falseto inconfundível. Com suas guitarras minimalistas e a bateria em tom marcial, a letra vai discorrendo sobre o comportamento do tal “rei do todos os homens” (quem mais poderia ser o rei de todos os homens, senão as mulheres). “Girls astride me/girls beneath me/girls before me/girls between me/you’re birthing machines and let me show my darling what that means.” Precisa falar mais?
Faixa 04
WHEN I’M SLEEPY
Cotação: ***
A menor faixa do disco. Dreamy do início ao fim, cantada apenas pelo Thorpe, começa bem contida e vai crescendo, crescendo, culminando em seus falsetos, dando início a fase mais dreampop do disco. Como se realmente estivéssemos sonolentos, prestes a entrar num sonho fantástico e aterrador.
Faixa 05
WE STILL GOT THE TASTE DANCING ON OUR TONGUES
Cotação: *****
Simplesmente sublime, considerada a melhor faixa do disco por este que vos fala, é uma daquelas musicas que realmente tocam e fazem um belo estrago. Sempre que ouço passo uns bons minutos repetindo-a, repetindo-a e repetindo-a. Começando com um piano e uma bateria percussiva, Thorpe começa cantando de forma contida, longe do seu falsete de costume, até que entram as guitarras completamente hipnotizantes e aos poucos ele vai se soltando. A música vai crescendo, crescendo e atinge um clímax lindo e irrepreensível. Com um clima bastante hedonista (nenhuma novidade ao que se espera do Wild Beasts), a letra discorre questionando porque de nos lamentarmos pelos nossos “guilty pleasures” se no final é o que nos proporcionam prazer (sejam eles quais forem: lícitos, ilícitos, morais, imorais ou amorais). “What’so wrong with just a little fun? We still got the taste dancin’ on our tongues. (…)Why should we feel bad for what we’ve done? We still got the taste dancin’ on our tongues.”
Faixas 06/07
TWO DANCERS/TWO DANCERS II
Cotação: ****/****
Faixas irmãs e indissociáveis. Lindas, sublimes e complementares. Com instrumental carregado, como sempre com guitarras minimalistas e bateria percussiva, a primeira faixa (Two Dancers), mais upbeat, narra os lamentos de uma mulher ao seu homem pelo meio a que recorreu, em desespero, para sobreviver aos tempos difíceis em que ele não esteve presente: A prostituição. “Our son was dying and we could hardly eat”, “I’ve seen my children turn away from me”, sem falar da narrativa do ato em si, de forma tão cruel e sublime. A segunda (Two Dancers II) é bem mais lenta, e de certa forma mais trágica. Após a primeira em que a personagem narra todos os sofrimentos passados pelo abandono, no segundo ela reflete sobre o acontecido, terminando por dizer: “Two hearts, no more”.
Faixa 08
THIS IS OUR LOT
Cotação: ***
O que são essas guitarras no inicio da música!? Essa é a faixa que mais remete ao clima burlesco do primeiro álbum, apesar de seguir a temática carregada e trágica que é mote do disco, mas rompendo com a parte mais dreamy. Começando com um vocal mais contido, a faixa vai crescendo e então aparecem os dotes vocais da banda em um clímax fantástico.
Faixa 09
UNDERBELLY
Cotação: ****
Continuando num clima mais etéreo, essa é a faixa mais bonita e pomposa do álbum. Devo confessar que passei um bom tempo negligenciando-a, mas ouvindo com carinho ela conquista fortemente. A letra trata da desventura de nascermos puros e inocentes e a vontade de morrermos da mesma forma, porém a vida não nos permite isso. Trata de como nos corrompemos ao passar do tempo, nos tornando cínicos, brutos e cruéis. Poética e tocante.
Faixa 10
THE EMPTY NEST
Cotação: ***
Como entrega o título da música, a letra trata da saída e o complexo do ninho vazio (num contexto mais abrangente, trata sobre abandono). Sublime, carregada de emoção, discorre sobre a incompreensão de quem possui tudo mas abandona o que possui em busca do novo. Fechando com chave de ouro, a sonoridade continua praticamente a mesma de todo o álbum. Instrumentação minimalista e um apuro vocal irrepreensível. Após esta ultima música a pessoa realmente nota que esse é um álbum conceitual, tratando sobre a perda. Seja da inocência, da companhia, da dignidade ou da moralidade.
That’s all folks, espero que tenham curtido essa viagem sonora sem enjoar com as arrebentações à frente desta humilde fragata. Aguardo indicações para posteriores análises de álbuns, só deixar ai nos comentários. See ya!