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ENTREVISTA COM LÊ ALMEIDA

24 May 2010 383 views One Comment

Direto da baixada fluminense, Lê Almeida mostra pela primeira vez em Alagoas toda a força do seu rock lo-fi. Acompanhado dos alagoanos da Baztian, o público poderá conferir músicas de todos seus eps, inclusive do mais recente Revi, além de uma palestra sobre gravações caseiras na quinta-feira (27). Confira abaixo a entrevista que fiz com esse inquieto rockeiro lo-fi:  

RL – Primeiramente gostaria que você se apresentasse para os que não o conhecem e listasse todas as suas bandas e projetos, só pra dar uma idéia!

LÊ  – Então, comecei tocando bateria no começo dos anos 00 em várias bandas aqui da região como Siameses, Tratamento Experimental, Rosemary Skin e Purpose. Montei a Transfusão Noise Records pra lançar as bandas nossas e dos amigos, também passei a tocar guitarra e cantar e montei a Tape Rec, Coloração Desbotada, Uma Nova Orquídea e The Fashion Our Club. Hoje toco bateria na Carpete Florido e também tenho um coletivo chamado Babe Florida e ainda produzo e ajudo a produzir vários discos de amigos além de ter essa carreria minha  carreira solo  

RL– Quando e por que surgiu a vontade de fazer um projeto solo? Onde você costuma gravar tudo e praticar todos os instrumentos?

LÊ  – Desde que eu me interessei em tocar algum instrumento que eu tive uma certa onda em gravar sozinho, de começo era com a Coloração Desbotada e depois eu fiz um EP sozinho também com a Uma Nova Orquídea. Em 2006 eu quis gravar um EP com 4 músicas e assinar como solo porém a coisa acabou fluindo de uma forma mais abrangente, hoje ainda continuo me divertindo gravando sozinho, é tudo em casa sem pressão e o clima de descompromisso sempre esta por aqui comigo  

RL – Como acontecem os shows? Tem uma banda fixa que o acompanha?

Tenho os meus amigos que tocam em outras bandas da Transfusão que me acompanham, o João Casaes do Fujimo e da Coloração, o Evandro Fernandez do Carpete Florido e da Tape Rec e o Joab Régis da Coloração e do Silvo. A gente tem feito muitos bons shows tanto no Rio como fora dele

RL – Fala um pouco sobre a relação Guided by voices/Lê Almeida. inclusive o seu selo, Transfusão Noise records, lançou um tributo à banda no ano passado, com bandas de todo Brasil e etc.

LÊ  – Pois é, o GBV é uma grande fonte de inspiração tanto musicalmente quanto no quesito faça você mesmo assim como a K Records. O nosso tributo ao GBV rendeu bons frutos para a Transfusão, conseguimos um certo respeito por tributar uma banda não lá tão famosa mais de muito coração. O Robert Pollard chegou a ouvir o disco, o Manager dele que me disse por e-mail. A gente tem umas sobras que talvez um dia podem gerar um segundo volume do disco  
 

RL – Falando na transfusão noise records, quando começou e como funciona?

LÊ  - Começou em janeiro de 2004 como a idéia de ter uma logo marca por trás das bandas nossas aqui da região. Hoje os lançamentos dos discos são bem programados e a gente divide os custos com as bandas e devolvemos a grana toda em discos além de fazermos todo nosso esquema de divulgação, a coisa gira muito na questão da amizade, ninguém aqui quem enriquecer com isso. Ainda somos um selo bem pequeno mas muito melhor organizado hoje

RL – O seu último álbum, Revi, saiu em Vinil por um selo Inglês. Como apareceu a oportunidade desse lançamento?

LÊ  - Tudo rolou por causa do pessoal do blog Last Splash (http://lastsplash.wordpress.com/) ele fizeram um vídeo sobre vinis com uma entrevista com o Luiz Valente da Vinyl Land e colocaram uns trechos de umas músicas minhas como trilha do vídeo. A partir daí o Luiz ouviu o som e curtiu e rolou todo um desenrolo que culminou no lançamento do vinil e gerou umas boas amizades. O Luiz é brasileiro e sempre passa uma temporada em Londres onde manda fazer os discos e também faz sua distribuição

RL – O Estado do Rio de Janeiro sempre foi um grande formentador do Indie Rock nos anos 90, principalmente com a Midsummer Madness. Nesse cenário sempre tiveram destaques as gravações Lo-fis, como é o caso do primeiro trabalho do Pelv’s e todos do Cigarretes e Second Come. Você recebeu muita influência dessa galera?

LÊ  - Recebi sim, muito mais do Second Come que sempre foi uma banda que eu curti muito e descobri na escola com amigo de sala. Hoje tenho tudo do Second. Sempre fui muito fã do Pin Ups e dos anos 2000 pra cá minhas 2 bandas preferidas tem sido o Superguidis e o Firefriend

RL – Um membro do nosso coletivo, Caíque Guimarães, lançou um disco com apoio o Transfusão. Como se deu o contato entre vocês? Podemos esperar futuras parcerias entre os dois?

LÊ  – Foi através do tributo ao GBV, a gente tem boas afinidades entre gravações, bandas e idéias. O disquinho de estréia do Bad Rec Project é coisa fina e tem tudo a haver com a excência da Transfusão     

RL – O indie rock dos anos 90 é uma influência forte no seu trabalho. De onde vem essa paixão?

LÊ  – Identificação com o som mesmo, lembro de conhecer o Pavement no K7 no começo dos anos 00 e foi marcante pra mim. Hoje Dinosaur Jr, GBV, Breeders, Built To Spill, Apples In Stereo, Beulah e outros, fundem a minha cuca  

RL – Deixando o rock de lado apenas por um pequeno instante, fala um pouco sobre a sua paixão declarada nas músicas e no seu blog (bikeneverdie.blogspot.com) por bicicletas!

LÊ  – Pois é, eu sou bem ligado nas bikes, é minha válvula de escape depois do roque, hoje acho até que musicalmente sempre falar de bicicleta pra mim vai ficar quase sendo como se fosse algo como relacionamento porém com a bike. Todo final de semana eu dou minhas voltas ao som de vários mix tapes nos meus fones sempre altíssimos, fico até de mau humor quando não dou minhas voltas, é terapêutico. 

RL – Além de tocar, você vai participar do ciclo de debates e oficinas do Festival Maionese, com uma oficina sobre gravações caseiras e integrando a mesa de debates sobre produção independente. Sua participação em atividades desse tipo é frequente?

LÊ  - Só participei umas 2 vezes de uma mesa assim e de uma palestra sobre gravação, sou tímido e não sei se as pessoas entendem direito, só sou natural. Falar sobre o que faço aqui em casa as vezes não parece ser tão legal mais espero que seja agora pois estou me empenhando

RL – Quais foram os materiais de gravação, digamos, menos ortodoxos que já utilizou?

LÊ  - Acho que só fita K7 mesmo, quando eu tocava bateria eu sempre carregava comigo um duplo deck que eu tinha pra gravar os ensaios e os momentos de improvisos, hoje tenho uma mesa pra isso mas de fato voltamos ao primal pois costumo ensaiar com o pessoal aqui no quintal de casa e gravando tudo no K7, posso dizer que os mic são menos ortodoxos pois são podres de ruins

RL – Agora me fala sobre suas expectativas para o show no festival aqui em Maceió! é a primeira vez no nordeste também, não? 

LÊ - Isso, é a primeira vez sim. Estou super empolgado, queria ir com o meu pessoal pra tocar no festival mais como não teve condições disso acontecer eu acho que vai ser uma boa tocar com o pessoal do Baztian me acompanhando, curto de montão o som deles e a nossa identificação com os 90’s é fudida!

Vai ser um roque irado!!!

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