É rock ou não é?

Post originalmente publicado em: http://sirvase.net/blog/?p=462

É rock ou não é?

Por Victor de Almeida e Daniel Hogrefe

Fotos por Vanessa Mota

DSC_0407blog

Após o sucesso da passagem por Maceió da banda sergipana Renegades of Punk, o coletivo Popfuzz e a FVM Produções Independentes uniram esforços mais uma vez para trazer à cidade o show da paulista The Biggs. O esquema era praticamente o mesmo, com duas bandas locais abrindo. Sendo que desta vez houve uma mudança de local, saindo do Café Kancun para o The Jungle e a inclusão da dupla conterrânea da Renegades, The Baggios.

Para a parte alagoana do show, foram escaladas bandas de diferentes gerações, Baztian e Misantropia. A primeira foi formada após a recente dissolução da antiga banda de Caíque Guimarães, vocalista, chamada Jorg and The Cowboy Killers. A segunda, já faz parte da história do punk/hardcore de Maceió. Com 18 anos de estrada, um CD recém-lançado e novo baterista, a banda mostra que ainda tem gás para seguir em frente.

IMG_1446blog

O show da Baztian surpreendeu. Quando falam que a banda é “meio que um grunge”, aparece o perigo de remeter às espelhadas no Nirvana, que fazem mais barulho do que tocam. Mas, nesse caso, realmente existe a referência, mas o som vai muito além disso.

As camisas de flanela estavam lá, mas o som deles é bem trabalhado, bem tocado e bem ensaiado. As linhas de baixo são muito boas e dão um bom groove pro som da banda, principalmente quando o drive está ligado. Embora pouquíssima gente conhecesse a banda, parece que eles conseguiram agradar o público. Pra fechar, mandaram uma versão dos Smiths e um coverzinho do Mudhoney.

Pausa nas bandas. Enquanto isso, a galera poderia curtir a discotecagem da dupla OutQuitéria, que, mesmo tocando pra dez pessoas, conseguia pular e dançar como se o ambiente estivesse lotado. Vale dizer que o pessoal que estava lá estava tão instigado quanto os dois. O som que rolava era bem eclético, alternando entre Lady Gaga e Catarina Dee Jah, Madonna e Jacksons 5. Boa pedida pra turma que curte a pista, a ferveção ou o bailinho!

Uma boa também foi o pessoal que levou o rango vegan para o Jungle. Hambúrgueres e kibes preparados sem nenhum produto de origem animal, vendidos a preço justo.

IMG_1464blog

Já com o The Jungle mais cheio, os sergipanos do The Baggios subiram ao palco. A primeira coisa que chama atenção na banda é a falta de um baixista, mas depois que o show começa essa impressão se desfaz. Em alguns momentos era difícil acreditar que não havia um baixo ali, talvez escondido em algum lugar escuro do palco. O fato da guitarra estar ligada em dois amplificadores, um próprio pra o instrumento e o outro de baixo, ajudou a dar essa impressão.

O show deles é bem animado, caminhando entre blues e rock setentista cantado em português, por vezes lembrando bastante a dupla norte-americana White Stripes. Mas o fato é que os Baggios fazem um som instigante e cheio de energia do começo até o final. Se você ouvir um som deles e não gostar, vá a um show. Você vai ter outra impressão da banda!

IMG_1507blog

Penúltima banda da noite, a Misantropia, fez o primeiro show com o novo baterista Ives, que já tocou em trocentas bandas daqui de Maceió, incluindo a Contra, e agora está substituindo Wagner. Vale dizer que o som ficou mais agressivo, mais forte, com algumas pegadas mais trabalhadas. Para quem acha que em banda de punk a bateria faz apenas a chamada “cozinha”, precisa ouvir essa nova formação. Quem é que precisa de microfone na bateria quando se tem um cara tocando com tanta força e vontade?

Tinha muita gente lá só pra ver o show deles, que, finalmente, lançaram seu primeiro cd há pouco tempo. Bom, nessa hora rolou algo que ainda não tínhamos imaginado que aconteceria dentro do The Jungle: uma roda! Sim, isso mesmo, várias pessoas, rodando em sentido horário e tudo mais, ao som dos clássicos da banda.

IMG_1592blog

Pronto, chegou a vez da The Biggs, de São Paulo. O trio formado por duas meninas nas cordas e um cara na bateria fechou a noite com um show muito bom. Com músicas agressivas e rápidas, e outras não tão rápidas assim, mas com uma energia que pulava da banda pro público e vice-versa.

Embora boa parte das pessoas ali nem conhecesse a banda, as meninas não pararam quietas um instante. O trio tocou o repertório todo e ainda teve que repetir algumas músicas depois de insistentes pedidos do pessoal que estava mais na frente do palco.

DSC_0378blog

Um parênteses aqui pra dizer outra coisa que chamou nossa atenção: pelo menos três pessoas vieram falar que estavam apaixonadas pela guitarrista Flávia, não sabemos se foi o efeito do álcool ou o adiantado da hora, mas achamos que o clima intimista e a proximidade da galera com a banda tenha contribuído para isso…

No final de tudo, fica aquela sensação de que as coisas em Maceió estão começando a melhorar. Parcerias inusitadas como a da Popfuzz com a FVM mostram que misturar as coisas, os estilos e as pessoas, é algo que só vem acrescentar e fortalecer a nossa incipiente cena alternativa. O que pareceu claro é o interesse do público, vontade de conhecer coisas novas. A galera tem se feito presente e possibilitando que iniciativas como essas.

A organização foi de primeira. Parabéns pra galera e que continue assim!

Confiram os vídeos do show no canal da SIRVA-SE no YouTube!

 

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>