AUMENTA O VOLUME QUE É ROCK DO BOM: ENTREVISTA COM FLÁVIA BIGGS, DO THE BIGGS!
Ela está na correria do rock há um bom tempo e atualmente concilia as atividades de líder de banda, socióloga, professora, feminista, entre outras, como se descreve em sua página pessoal na internet. Seu nome é Flávia Biggs e ela é quem manda muito bem no vocal e guitarra da banda The Biggs, natural de Sorocaba, cidade natal do Wry, outra banda importante da cena underground nacional. Quando entrei em contato com ela falei o quanto admirava a banda, que era trilha sonora das minhas aventuras de bike por essa Maceió, o que ela achou massa!

Leia agora a entrevista que fiz com ela por email e conheça mais um pouco mais da Flávia, por meio de suas respostas muito bem humoradas. Se instigue também para ver o show da banda dela, que toca aqui em Maceió no dia 17, no The Jungle, ás 18:00, acompanhada das bandas The Baggios, de Sergipe, Baztian e Misantropia. Enjoy!
BJ: Desculpa se a pergunta for um pouco óbvia, mas o nome da banda tem algo a ver com Ronald Biggs?
FB: (Risos)Tem a ver sim, quando estávamos montando a banda, queríamos um nome que fosse tipo sobrenome de família, sabe? como "Ramones", "Smiths", isso foi bem na época em que os Sex Pistols vieram tocar no Brasil, tipo 96, eu tava lendo o jornal e tinha uma matéria falando do Ronald Biggs, do assalto ao “trem pagador”, sua relação com o punk rock, com os Sex Pistols, sua fuga para o Brasil, sua vida loca hahaha! Achamos que tinha tudo a ver, que soava legal, então adotamos pra banda, rolou!!
BJ: Você vem há cerca de dez anos fazendo um ótimo trabalho na cena underground brasileira, quais conselhos você daria a uma banda iniciante para se manter ativa ?
FB: Pra mim o mais importante é fazer porque gosta, porque não vive sem, tenho banda desde que me entendo por gente. Gosto de rock, de galera, do rolê do rock, conheço a Brown e a Mayra praticamente metade da minha vida, eles são como irmãos meus, amo tocar com eles, somos amigos, tomamos cerveja juntos, brigamos, fazemos a pazes e fazemos um som juntos, e isto é uma grande felicidade. Acredito que enquanto tivermos prazer em fazer musica juntos, e ficarmos contentes com o resultado, vamos continuar fazendo, pra mim banda é família. O lance de ficar buscando fórmulas de sucesso, tentando se encaixar em modismos é que frusta as bandas. Se você quer montar uma banda porque curte tocar com seus amigos, criar, fazer arte com eles, então manda brasa, o que vier, além disso, é lucro.
BJ: As outras formas de arte (cinema, literatura, artes plásticas) também tem influência na sua música?
FB: Com certeza! O som q fazemos é um reflexo das coisas que a gente vive, sente, vê, respira, absorve, tem influência na nossa vida, portanto na nossa música, gostamos de muita coisa, mas especialmente, arte/cultura marginal e suas expressões é com a gente mesmo! rsrsrs
BJ:Essa é uma pergunta que eu sempre gosto de fazer: teve algum momento, ou algum disco/filme/livro que teve uma influência maior no seu desejo de fazer música?
FB: Teve sim. Ramones!! A primeira vez que ouvi Ramones foi incrível, um mundo novo se abriu pra mim, o disco era "Rocket to Russia" um amigo me emprestou, eu já ouvia as bandas que meu irmão rolava em casa tipo Iron Maiden, mas sempre achei aquilo super “over” complicadão, fora da realidade, mas os Ramones não, eles pareciam dizer "olha como é fácil, faça você também"e foi ai, que aprendi os primeiros “power chords”, q a propósito uso até hoje hahaha!
BJ: Na cena atual brasileira, que bandas você admira?
FB: Bom, gostar gosto de várias!! Mas admirar eu admiro HellSakura (sonzera da Cherry (okoto), Human Trash ( outra banda da Mayra Biggs, um garage rock lindão), Leptospirose (jazzgrind mais style do mundo), Muzzarelas (guerreiros do rock underground), Pugna (rockdrão da minha quebrada aqui!! rs), Walverdes (puta sonzera, lá de Poa)! Admiro também as bandas contemporâneas do Biggs, guerreiras, que continuam na ativa também, tipo Wry, Garagefuzz, daí do nordeste tem o Snooze, Dago Red entre outras! You rock!
BJ: Pelo fato de ser mulher em um cenário onde ainda há pouca presença feminina, você sente que a banda é uma influência para que mais garotas queiram formar bandas?
FB:Por ser mulher, pelo tempo que temos de história, pelo “feedback” que recebemos por ai, acredito que sim, como banda não temos esta missão, somos pessoas que gostam de música e que fazem música juntos, somos verdadeiros, temos nossas ideologias e posturas em relação à vida como um todo, e isso influencia as mulheres e homens com quem temos/tivemos contato em nossas vidas, de role por ai, assim como somos influenciados todos os dias através da relações sociais que estabelecemos no nosso dia a dia, transformando e absorvendo idéias.
BJ:Você já tocou em Maceió? Qual a expectativa para o show do dia 17?
Nunca tocamos! Estamos super ansiosos, espero que seja super massa, que a galera curta o show, que façamos novos amigos, que dê tudo certo, e que dê tempo da gente dar um role pra conhecer a cidade!
BJ:Qual a sua opinião sobre a cultura de coletivos que vem surgindo e tomando força no cenário da música independente?
FB:Acho ótimo! Quanto mais galera se articulando pra fazer as coisas acontecerem melhor! É bom pra todo mundo, a troca de idéias de informações, a partilha, a solidariedade, só faz fortalecer a todos, como grupo e como indivíduos!
FB: Você usa as redes sociais para divulgar o trabalho da banda?
BJ: Sim, usamos orkut, facebook e twitter, super necessário e fácil, vixiii antigamente mandávamos, cartas e fitas K7 pelo correio!
BJ:Qual momento você destacaria na história do The Biggs como sendo o mais importante?
FB:Durante quase 15 anos de banda, muitas coisas legais aconteceram, tanto de reconhecimento quanto de oportunidade. Acho que posso destacar a nossa tour pra Argentina, o reconhecimento no livro “O que é punk”, do Antonio Bivar, os amigos que fizemos nesta trajetória que nos presentearam com gravações em programas de TV, vídeo- clipes, fotos, coletâneas internacionais, que votaram muito na gente pro prêmio Dynamite de música independente, tanto que acabamos ficamos em terceiro lugar na categoria “melhor álbum de rock”, atrás de Nação Zumbi e Cachorro Grande, pode? (risos). Não ganhamos mas foi um grande feito, pra uma banda lado B, ficamos felizes, isso entre tantas outras coisas, todas que foram rolando, meio que sem a gente planejar.
BJ: Em Sorocaba quais os lugares aos quais você levaria alguém que quisesse conhecer a cidade?
FB: Bom depende de quem fosse a pessoa! se fosse uma roqueira locona levaria para tomar uma no Shogum de aquecimento depois colaria no Asteroid (bar dos caras do Wry), depois quando amanhecesse levaria no parque das águas ver o sol nascer esperando a poeira baixar! (risos) Se fosse minha tia levaria na Padaria Real comer uma coxinha e nos lindos museus da cidade, se fosse um colega bikeiro como eu, levaria dar uma volta pelas ciclovias da cidade, se não me engano temos a maior extensão de ciclovias do pais! Você curte dar role de byke também né Bruno? Ouvindo Biggs! Brigadão hein! ;)
BJ:Algumas bandas brasileiras, como o Wry e Diesel tiveram a experiência de morar um tempo fora do Brasil, isso chegou a passar pela cabeça de vocês da The Biggs?
FB:Como banda não, como indivíduos já passamos períodos fora do país, mas sempre com idéia de voltar. Turnês tão sempre nas nossas cabeças adoramos dar role por ai, conhecer lugares e pessoas, tocando ainda…não tem nada melhor!
BJ:Os integrantes da The Biggs possuem outros empregos além da banda?
FB:Sim temos, haha! que dera fosse só rock dia e noite! Bom a Mayra é designer gráfica, faz uns trampos de ilustração, muito bons por sinal ;), eu sou professora de Sociologia, fico colocando minhoca na cabeça da molecada! Haha! e o Brown atualmente é gerente administrativo, tipo braço direito do patrão, até treinou alguém pra ficar no lugar dele durante a Tour! Mas ta se formando professor de Educação Física! Ui!
Quais foram os grandes momentos da turnê de 2007? Como foi tocar na Argentina?
Foi ótimo fizemos o role todo de carro! Fomos descendo fazendo shows pelo sul, Curitiba, Porto Alegre, São Leopoldo, Bento Gonçalves, passando pelo Uruguai até a Argentina, lá ficamos hospedados na casa Zombie das minas da banda She Devils fizemos mais uns 6 shows por lá com as bandas She Devils, Il Diabolo, Del Fuego, Fuzzly (de Cuiabá que tava de turnê por la também) entre outras. Esperamos voltar pra lá em breve, super recomendo!!











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massa a matéria!
Muito boa matéria brunex! Parabens!
Vamo pro show galera!!
Meu irmão brunão, a entrevista ficou muito boa.
Dois mil grau mermo !!
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