A VOZ DOS RENEGADOS!
Entrevista com Daniela, vocalista e guitarrista da The Renegades of Punk

Ela é a voz da banda The Renegades of Punk e começou a arranhar algum instrumento por volta dos 15 anos de idade, e, aos 17, já tinha banda de hardcore. Já esteve em Maceió algumas vezes com duas bandas diferentes e a expectativa para o show que vai rolar nessa sexta-feira, junto com as bandas alagoanas Dad Fucked and The Mad Skunks e Morra Tentando, é a melhor possível. Conheça mais um pouco de Daniela nessa entrevista que fiz com ela, por email.
BJ – Queria que você fizesse uma pequena biografia da banda. Em que ano ela surgiu e como os integrantes se conheceram.
D- Bom, a banda começou de fato mesmo no inicio de 2007. Nessa época éramos eu, Ivo e Mauricio. A gente se conhecia do rolê mesmo, das bandas, shows… já éramos amigos de Mauricio e estávamos todos sempre falando em fazer algo juntos. Aí um dia botamos os planos em prática.
BJ- Você já participou de outras bandas da cena hardcore do seu estado. Como foi ter passado por essas bandas?
D- É, na verdade eu sempre toquei em bandas de hardcore. Minha outra atual banda (The Jezebels) é a primeira coisa mais “light” que eu faço. Foi legal ter feito esses projetos acontecerem. Eles representaram muito pra mim, pra todos que estavam envolvidos na época e, ouso dizer, até pra própria cena sergipana. Foram experiências marcantes que servem como uma espécie de trilha sonora de nossa vida. Felizmente e inevitavelmente a gente vai somando mais música a essa trilha e apostando em projetos novos, que também são expressão do que a gente ta vivendo no momento.
BJ-Tem algum disco ou algum acontecimento que marcaram a sua vontade de fazer música?
D-Com certeza! Vários! Mas o que eu lembro mais lá atrás foi uma coisa bem boba, mas que ficou na minha memória: ver o L7 tocando no Hollywood Rock em 93.
BJ-Como foi a experiência de tocar em Maceió?
A experiência foi legal. Eu tinha contato estreito com amigos daí e me senti super em casa na época. Mas já fazem 5 anos que não pisamos em solo alagoano, estamos ansiosos.
BJ- Qual a expectativa para esse show?
D- Ah! A melhor possível! Tem tempo que não passamos por aí, estamos sem ter notícias de Maceió tem tempo e queremos rever essa terra e nos interar do que está acontecendo aí, conhecer gente, bandas, trocar idéias e fazer aquele barulho, claro.
BJ-Na sua opinião qual a importância dos coletivos no atual panorama cultural brasileiro?
D-Acho legal quando as pessoas se juntam pra encontrar meios de realizar o que idealizam, o que acham relevante, etc. A criação de coletivos é uma das formas de organizar eventos, se mobilizar cultural e politicamente, e criar uma rede de cooperação para fins em comum. O problema que às vezes ocorre é que a “forma” engole o “conteúdo”. Às vezes a preocupação excessiva com democracismos e consensos acaba por desmobilizar e atrapalhar ações que uma ou duas pessoas poderiam estar realizando de forma mais prática e dinâmica. Assim, acredito que os coletivos são uma forma de organização, mas não são a única e nem necessariamente a melhor. Estamos passando por um momento interessante nesse sentido, a quantidade de coletivos novos é enorme e espero que se estabeleçam de forma inteligente. Mas, independente da forma de organização, o importante é não parar de fazer acontecer.
BJ-Você é adepta do veganismo. Em que momento você tomou consciência do que isso representa e como isso aconteceu?
Sim, eu sou vegana. Foi coisa de informação mesmo. Comecei a ver umas coisas, ler uns textos, conversar com amigos que já eram vegetarianos, enfim comecei a ter um pouco mais de ciência de como se faz e o que se faz dentro das fábricas de carnes e leite e a partir daí foi algo progressivo. Fui mudando hábitos, me tornei ovo-lacto-vegetariana e, logo em seguida, vegana.
BJ- Por haver poucas mulheres no cenário hardcore e pela postura que a sua banda tem você sente que atrai a atenção de outras garotas para o hardcore?
Nossa! Sinceramente? Eu gostaria! Hehe… É fato que existem poucas meninas, mas não só no hardcore e sim participando de uma forma mais geral, seja em banda, em zine, em coletivos… qualquer coisa. Sinto muita falta de ter outras garotas comigo neste barco e de ver, consumir coisas feitas por elas também. Mas fazer o que? Eu já pensei em mil coisas, tentei enxergar mil caminhos pra isso mudar. Se eu acabar chamando a atenção delas, maravilha. Meninas, join me!
BJ-Quais são os planos da The Renegades of Punk para 2010?
Nós estamos esperando chegar um re-lançamento nosso em 7’’ nosso que está saindo pelo selo alemão Thrashbastard, além de um 5 way com Os Estudantes, Ornitorrincos, Velho de Cancer e Homem-Elefante. Pretendemos continuar tocando e viajando o máximo possivel, e começar a produzir nosso 1º álbum (full) para tentar lançar no segundo semestre.
BJ- Quais ferramentas você usa para entrar em contato com os fãs de sua banda e para divulgação de shows?
Divulgação em geral é feita via internet pelos sites de relacionamento mesmo: comunidade da banda no orkut, fotolog, myspace, twitter, blogs de amigos e relacionados à cultura. Mas quando o show é mais local mesmo, aqui em Aracaju, além destas possibilidades, a gente ainda apela para o velho cartaz de show, a gente – principalmente Ivo – curte muito essa parte, e divulgação no rádio.